Desemprego cai para 5,6% e Brasil registra menor taxa em 10 anos; Bahia segue movimento de recuperação
Queda da desocupação atinge maioria dos estados e impulsiona avanço da ocupação, renda e geração de vagas formais
Tânia Rego/Agência Brasil
O mercado de trabalho brasileiro encerrou o terceiro trimestre de 2025 no melhor nível em mais de uma década, com a taxa de desocupação recuando para 5,6%. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012, indicando maior estabilidade no mercado e avanços distribuídos entre diferentes segmentos produtivos.
O levantamento do IBGE mostra que 16 estados, entre eles a Bahia, registraram queda no desemprego, enquanto oito apresentaram aumento e três permaneceram estáveis em relação ao trimestre anterior. Embora parte dessas variações esteja dentro da margem de erro, o resultado nacional evidencia uma melhora consistente, alinhada à expansão da população ocupada, que ultrapassou 101 milhões de trabalhadores a maior já registrada.
Redução da desocupação em todas as faixas de tempo de procura
Um dos pontos mais relevantes do novo levantamento é a redução da desocupação em todas as categorias de tempo de busca por trabalho. Entre julho e setembro:
- Pessoas procurando emprego havia menos de um mês caíram para 1,1 milhão (-14,2%), menor nível desde 2015;
- A faixa entre um mês e menos de um ano, que concentra a maior parte dos desocupados, recuou para 3 milhões (-12,2%), menor marca da série;
- Indivíduos buscando trabalho entre um ano e menos de dois anos somaram 666 mil (-11,1%);
- Já aqueles procurando emprego há dois anos ou mais diminuíram para 1,2 milhão (-17,8%), menor valor desde 2014.
Com isso, a proporção de trabalhadores que permanecem dois anos ou mais tentando se recolocar caiu para 19,5%, a mais baixa desde 2015. A maior parte dos desocupados — 50,8% — permanece concentrada na faixa entre um mês e menos de um ano.
Diferenças por gênero, raça e escolaridade permanecem
Apesar da melhora geral, desigualdades estruturais se mantêm. A taxa de desocupação entre mulheres ficou em 6,9%, superior à registrada entre os homens (4,5%). As diferenças raciais também persistem: brancos registram 4,4%, enquanto pretos (6,9%) e pardos (6,3%) seguem acima da média brasileira.
Do ponto de vista educacional, o ensino médio incompleto continua sendo a faixa com maior vulnerabilidade, alcançando 9,8% de desemprego, mais do que o triplo da taxa entre pessoas com ensino superior completo, que ficou em 3%.
Expansão da ocupação e rendimento em alta
A população ocupada alcançou o maior nível da série histórica, impulsionada pela abertura de vagas no setor privado e pelo aumento do trabalho por conta própria. Além disso, o rendimento médio real do trabalhador brasileiro registrou crescimento e segue acima dos patamares pré-pandemia, fortalecendo o consumo das famílias e contribuindo para um ciclo econômico mais favorável.
O aumento da ocupação também diminuiu o contingente de pessoas fora da força de trabalho, que recuou com a retomada de oportunidades formais e informais. Setores como serviços, comércio, administração pública e atividades financeiras apresentaram expansão significativa no trimestre.
Bahia acompanha recuperação nacional e bate marcas históricas
A Bahia reforçou a tendência positiva observada no cenário nacional. A taxa de desocupação caiu para 8,5%. É o menor nível dos últimos 13 anos da Pnad Contínua, acompanhada da redução do desalento e de recorde na população ocupada, que chegou a 6,554 milhões de pessoas.
O Estado também registrou aumento do emprego com carteira assinada e avanço no rendimento médio, que subiu para R$ 2.278. Apesar de ainda estar entre os maiores índices estaduais, os dados mostram melhora consistente na estrutura do mercado laboral baiano.
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