Bebês Reborn e o vazio emocional: Entre o conforto psicológico e a polêmica da fetichização
Especialista alerta para o risco de alienação emocional quando o boneco substitui vínculos reais
Reprodução/Instagram @zanamascarenhas
Nas redes sociais e consultórios de psicologia, o fenômeno dos bebês Reborn vem ganhando visibilidade por seu impacto no bem-estar emocional. Criados artesanalmente por artistas chamadas de “cegonhas”, esses bonecos hiper-realistas funcionam como objetos simbólicos que ajudam a lidar com perdas emocionais, solidão e traumas. No entanto, especialistas alertam para os riscos da alienação da realidade e da possível fetichização da infância, o que levanta debates sobre os limites entre o uso terapêutico e o exagero comportamental.
O que são os bebês reborn?
Conhecidos por sua semelhança impressionante com recém-nascidos reais, os bebês Reborn têm pele macia, olhos de vidro, cabelos implantados fio a fio e até o peso aproximado de um bebê humano. Criados inicialmente para treinamentos médicos, eles se popularizaram nos anos 1990, quando passaram a ser produzidos com fins artísticos e emocionais. Um marco nessa trajetória foi a criação da primeira boneca reborn por Karola Wegerich, na Alemanha, em 1999, para consolar um amigo que havia perdido um filho.
Nas redes sociais, o uso dos Reborns explodiu. Influenciadoras compartilham o cotidiano com suas coleções de bonecos. Vídeos mostrando encontros de “mães” Reborn geram reações diversas, que vão do apoio ao deboche. A ex-BBB Gracyanne Barbosa, por exemplo, declarou: “Benício me trouxe felicidade. Te amo, bê!”, ao mostrar o boneco que adotou, nomeando-o. Já Nicole Bahls, ao receber um bebê em formato de porco, brincou: “Apavorada com esse bebê Reborn que ganhei”.
Quando o Reborn conforta: uso simbólico e saudável

Para o psicólogo clínico Sérgio Manzione, colunista do Portal M!, o uso dos Reborns pode ser saudável, desde que respeite critérios simbólicos e não substitua a realidade. Ele relaciona os bonecos ao conceito de “objeto transicional”, criado por Donald Winnicott.
“No adulto, esse tipo de objeto pode simbolizar um afeto não vivido, uma experiência emocional interrompida ou um vazio psíquico”, explicou Manzione.
Segundo ele, os Reborns são especialmente úteis para pessoas que passaram por luto perinatal, infertilidade, solidão extrema ou infância negligenciada. Ao cuidar dos bonecos com afeto, a pessoa pode estar elaborando inconscientemente dores profundas.
Contudo, ele alerta: o uso é saudável apenas quando a pessoa reconhece que o boneco não é real, não há prejuízo nas relações sociais e o Reborn é usado como expressão emocional, não como substituto da realidade.
Quando o conforto vira alerta clínico
O apego simbólico deixa de ser saudável quando há alienação da realidade, substituição de vínculos humanos reais ou quando se transforma em negação permanente da dor.
“Alguns indícios de uso patológico incluem: atribuir sentimentos ao boneco, isolamento social, abandono de atividades para cuidar do Reborn e a recusa em elaborar o luto real”, afirmou Manzione.
Nesses casos, o Reborn não promove elaboração psíquica, mas reforça uma fuga dissociativa, podendo indicar quadros como transtorno de personalidade dependente, transtorno dissociativo ou depressão grave com sintomas psicóticos.
Manzione reforça que o cuidado terapêutico deve acolher a dor simbólica, mas buscar retomar o contato com a realidade. O uso sem supervisão pode congelar a dor ao invés de atravessá-la.
O uso terapêutico e seus limites
Em contextos clínicos, os Reborns podem ser aliados, desde que nunca se tornem o foco principal da terapia. Segundo o especialista, há situações em que os bonecos funcionam como ponte emocional:
- Luto gestacional ou neonatal: facilitam a transição entre vínculo e ausência.
- Infertilidade ou menopausa precoce: simbolizam uma maternidade não vivida.
- Demência em estágios iniciais: ajudam a resgatar memórias afetivas.
- Depressão em idosos: promovem ternura e sentimento de utilidade.
- Histórico de abandono na infância: acessam afetos interrompidos.
“O Reborn pode funcionar como um canal de expressão do afeto não vivido, um espaço simbólico de reparação emocional, e um elemento transicional entre a dor e a elaboração”, destacou o psicólogo.
Ele reforça que o uso deve ser limitado, supervisionado e contextualizado por profissionais. Sem esse cuidado, o boneco deixa de ser terapêutico e se torna um obstáculo à cura emocional.
Entre a coleção e a fetichização
A popularização dos Reborns levanta também debates éticos. Há quem os trate como filhos, com direito a passeios, amamentação e até idas ao pediatra. A linha entre afeto simbólico e fetichização da infância torna-se tênue.
“O cuidado clínico aqui é acolher a dor simbólica sem reforçar a dissociação”, ressaltou Manzione. “Validar o sofrimento, mas buscar retomar os vínculos verdadeiros.”
Nesse contexto, o fenômeno dos bebês Reborn segue envolto em conforto emocional e controvérsia pública. Uma prática que pode curar feridas ou escondê-las — tudo depende da consciência, do limite e da escuta profissional.
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