Bebês Reborn em Salvador: A emoção por trás do hobby que gera amor e polêmica
Colecionadora baiana revela como a arte dos reborn transformou sua vida e explica por que o tema divide opiniões
Reprodução/Instagram @zanamascarenhas
Em Salvador, o universo dos Bebês Reborn tem conquistado cada vez mais apaixonados por essas bonecas hiper-realistas, que se destacam por sua semelhança impressionante com recém-nascidos reais. O fenômeno não é novo, mas vem ganhando visibilidade nos últimos meses, impulsionado por influenciadores digitais, aumento nas vendas e, claro, por histórias como a da colecionadora e artesã Rosana Mascarenhas, fundadora da marca Zana Reborn.
Rosana conheceu o universo reborn em 2013, de forma inesperada. “Em 2013 eu fazia faculdade de Direito e estava estudando, fazendo pesquisas na internet, e apareceu a propaganda de um Bebê Reborn que me chamou a atenção”, relembrou. O impacto foi imediato. O realismo do primeiro boneco comprado a emocionou tanto que ela decidiu mergulhar nesse universo artístico e afetivo.
A paixão pela arte reborn a levou a buscar conhecimento. Pouco tempo depois, realizou um curso de confecção e publicou fotos do primeiro bebê produzido por ela em uma página no Facebook. A repercussão foi instantânea. “Quando postei esse primeiro bebê confeccionado por mim, gerou grande comoção entre os seguidores da página e os primeiros pedidos de encomenda de bebês”, explicou Rosana.
Arte, afeto e polêmica: os sentidos por trás da boneca
Para Rosana, o vínculo com os Bebês Reborn vai além da estética. “Amor. Somente coisas boas. Quando estou ansiosa ou com algum problema, trabalhar na confecção dos bebês faz eu me acalmar”, afirmou. A confecção tornou-se uma forma de terapia, e sua coleção pessoal representa mais do que simples bonecas — é a materialização de um carinho profundo pela arte.
Apesar do apego emocional, ela não trata os bonecos como filhos. Em sua rotina, os bonecos permanecem guardados, saindo apenas em ocasiões específicas. “Saio com os bebês somente para exposição ou marketing do meu trabalho”, disse. O uso nas redes sociais é parte fundamental da sua estratégia de divulgação.
O impacto visual dos bonecos na rua costuma ser forte. “A maioria confunde com um bebê real à primeira vista, mas sempre que mostro que é um reborn, se admiram com o realismo dos meus bebês”, destacou Rosana. Mas, mesmo com a admiração, nem todos compreendem o hobby. “Já senti julgamento quando me perguntam se tenho filhos, e sim, tenho 2 meninos adultos”, pontuou.
O mercado de bonecas reborn cresce na internet
Com o crescimento da procura por Bebês Reborn em Salvador, Rosana relata aumento nas vendas, impulsionado pela alta visibilidade nas redes sociais e o interesse despertado por influenciadores. “Como os bebês reborns se tornaram o assunto do momento, muita gente que ainda não conhecia, está procurando para comprar”, afirmou.
O preço de um bebê varia bastante, dependendo da complexidade dos materiais utilizados. “A partir de R$ 1500,00. Cada modelo tem um valor diferente, por causa da diferença de preço dos materiais”, explicou. Os kits incluem cabelos implantados, olhos de vidro, enxovais completos e caixas personalizadas com a foto do bebê.
Na internet, além de vendas e vídeos sobre o dia a dia com os bebês, também há espaço para humor e crítica. Comentários variam de elogios ao realismo até frases debochadas como: “o nenê já vem com o espírito ou tem que invocar?”. A polêmica alimenta ainda mais a viralização dos conteúdos.
Cegonhas reborn: artistas que dão vida aos nenéns
Rosana é o que se chama de “cegonha reborn”, nome dado às artesãs que produzem artesanalmente os bonecos, muitas vezes com o objetivo terapêutico. A produção pode durar dias ou semanas e algumas artistas chegam a simular partos completos, com placenta e líquido amniótico.
Esse papel tem ganhado reconhecimento institucional. No Rio de Janeiro, foi aprovado um projeto de lei que inclui o Dia da Cegonha Reborn no calendário oficial da cidade, como forma de homenagear essas mulheres que transformaram dor em arte.
Para Rosana, o julgamento de quem não entende o hobby muitas vezes é motivado por exageros na internet. “Sei que muitos criadores de conteúdo estão aproveitando o hype para promoverem suas redes sociais”, disse. Ela garante que, em sua experiência, ninguém confunde os bebês com filhos reais. “Somente fazem o role play para gerar conteúdo”, completou.
Do preconceito à aceitação: a arte reborn segue em expansão
Yasmin Becker, uma jovem de 17 anos de Janaúba (MG), viralizou nas redes sociais ao publicar um vídeo em que leva seu bebê reborn, chamado Bento, a um hospital local, alegando que ele “não estava se sentindo bem”. No vídeo, Yasmin organiza a bolsa do boneco com itens como mamadeira e roupas, simula uma ida ao hospital e até registra momentos em que Bento é “pesado” e “recebe alta médica”. A gravação gerou mais de 1,5 milhão de visualizações e dividiu opiniões: enquanto alguns internautas acharam a situação engraçada, outros questionaram os limites do cuidado simbólico com bonecos hiper-realistas. Casos como esse, fazem aumentar a polêmica em torno do hobby.
Apesar do preconceito que algumas pessoas enfrentam, Rosana afirma nunca ter sido maltratada. “Pelo contrário, a maior parte das pessoas se admiram com as minhas bebês e amam meu trabalho”, contou. Mesmo pedidos inusitados são bem recebidos — como a solicitação de uma boneca com traços da cantora Rihanna.
O sucesso dos Bebês Reborn em Salvador reflete uma tendência nacional e internacional. Celebridades como Gracyanne Barbosa e Nicole Bahls também aderiram à moda. Gracyanne chegou a declarar: “Benício me trouxe felicidade. Te amo, bê!”.
Seja como arte, terapia, marketing ou colecionismo, o universo reborn segue crescendo e dividindo opiniões. O certo é que essas bonecas têm proporcionado muito mais do que controvérsia — têm levado conforto, beleza e emoção a quem as cria e a quem as adota.
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