CNA reage à tarifa de Trump e defende diálogo urgente em prol do agro brasileiro

Confederação representa cerca de 5 milhões de produtores rurais e avalia que a nova tarifa prejudica as economias do Brasil e dos EUA


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 12/07/2025 20:30 • Cidades
CNA reage à tarifa de Trump e defende diálogo urgente em prol do agro brasileiro - Wenderson Araujo / CNAPara
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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criticou a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros. Em nota, a entidade afirmou que acompanha com atenção a medida adotada pelo governo norte-americano, classificando-a como unilateral e injustificada diante do histórico de cooperação comercial entre os dois países.

“A medida unilateral não se justifica pelo histórico das relações comerciais entre os dois países, que sempre se desenvolveram em clima de cooperação e de equilíbrio, em estrita conformidade com os melhores princípios do livre comércio internacional”, disse a CNA em comunicado oficial.

CNA aponta prejuízos econômicos para os dois países

A confederação, que representa cerca de 5 milhões de produtores rurais, avalia que a nova tarifa prejudica as economias tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos, com impactos negativos para empresas e consumidores.

“Qualquer análise das relações entre os Estados Unidos e o Brasil, seja no campo no comércio ou dos investimentos, terá sempre que concluir que essas relações sempre serviram aos interesses dos dois países, não havendo nelas qualquer desequilíbrio injusto ou indesejável”, afirmou a entidade.

A CNA também destacou os 200 anos de relações bilaterais entre Brasil e EUA, reforçando que os países “sempre estiveram do mesmo lado”. Segundo a confederação, não há motivo para alterar esse alinhamento. “Não há qualquer razão para que essa situação se modifique”, declarou.

Para a entidade, eventuais divergências comerciais devem ser solucionadas por meio da cooperação. “Por meio do diálogo incessante e sem condições entre os governos e seus setores privados. A economia e o comércio não podem ser injustamente afetados por questões de natureza política”, apontou a nota.

A CNA finalizou o posicionamento com um apelo à diplomacia entre os países, defendendo que o pragmatismo prevaleça. “Para que a razão e o pragmatismo se imponham para benefício de todos, pois este é o único caminho que serve ao entendimento e à prosperidade”, concluiu.

Lula diz que Brasil reagirá com reciprocidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (11), que o Brasil adotará medidas de reciprocidade caso os Estados Unidos mantenham a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo ex-presidente Donald Trump na quarta-feira (9). Segundo o petista, a taxação é injustificada diante do saldo comercial entre os dois países, que favorece os norte-americanos.

Durante agenda em Linhares, no Espírito Santo, Lula disse que buscará articulação internacional e diplomática para evitar a aplicação da medida, mas que, em caso de impasse, a resposta será direta. “Vou tentar brigar em todas as esferas para que não venha a taxação. Vou brigar na OMC, vou conversar com meus companheiros do Brics”, adiantou o presidente.

No entanto, o petista afirmou que se “não tiver jeito no papo”, o governo brasileiro vai “estabelecer a reciprocidade: taxou aqui, vamos taxar lá. Não tem outra coisa a fazer”.

O governo brasileiro pretende acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) com o argumento de que a medida anunciada por Trump viola regras internacionais ao não se basear em critérios técnicos. De acordo com Lula, a decisão desrespeita o princípio da concorrência igualitária, uma vez que o Brasil tem déficit na balança comercial com os Estados Unidos.

“Com todo o respeito a Trump, mas ele está mal-informado. O Brasil é que tem déficit com os Estados Unidos”, afirmou o presidente. A crítica foi feita durante o mesmo evento, no qual Lula reforçou que o país manterá o diálogo com parceiros internacionais, mas não aceitará imposições unilaterais.

Lula também fez questão de separar a postura do ex-presidente norte-americano da relação bilateral entre os países. “Eu respeito a relação política e comercial entre Brasil e Estados Unidos. Eu não faço confusão entre o comportamento de Trump e o povo americano”, pontuou.

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