Lula responde Trump e promete retaliação a tarifa de 50% dos EUA contra produtos do Brasil: ‘Lei brasileira de Reciprocidade Econômica’

Em nota, presidente afirmou que o Brasil é um país soberano, com instituições independentes, e que ‘não aceitará ser tutelado por ninguém’


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 09/07/2025 21:00 • Política
Lula responde Trump e promete retaliação a tarifa de 50% dos EUA contra produtos do Brasil: ‘Lei brasileira de Reciprocidade Econômica’ - Ricardo Stuckert / PR
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (9) que qualquer decisão unilateral de aumento de tarifas contra o Brasil será tratada conforme a Lei de Reciprocidade Econômica. A declaração ocorre em resposta ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de uma tarifa de 50% aos produtos brasileiros importados por empresas norte-americanas.

“A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”, afirmou o presidente brasileiro em nota distribuída à imprensa e também publicada no X.

Lula se pronuncia após reunião de emergência

A declaração do petista ocorreu após uma reunião convocada pelo presidente com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também chefia o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).

Na mesma nota, Lula afirmou que o Brasil é um país soberano, com instituições independentes, e que “não aceitará ser tutelado por ninguém”. O texto também rejeita qualquer tipo de interferência externa relacionada ao processo judicial em curso no país.

“O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”, ressaltou.

Trump cita julgamento de Bolsonaro como motivo para nova tarifa

A reação do presidente brasileiro foi motivada por uma carta enviada por Donald Trump ao governo brasileiro e publicada na rede Truth Social. Nela, o ex-presidente dos EUA justifica a medida tarifária com base no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas às redes sociais.

“O modo como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado no mundo, é uma desgraça internacional”, disse Trump. “Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma caça às bruxas que deveria terminar imediatamente”, completou.

Lula defende liberdade de expressão e legislação brasileira

Lula reagiu às falas de Trump afirmando que a liberdade de expressão no Brasil não permite práticas de violência ou discurso de ódio. “A sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática”, afirmou o presidente.

O presidente destacou ainda que, no Brasil, “liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas” e ressaltou que todas as empresas, nacionais e estrangeiras, estão sujeitas à legislação brasileira: “Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira”.

Trump também afirmou que existiria um desequilíbrio comercial entre Brasil e Estados Unidos, o que foi negado por Lula. O presidente classificou a informação como “falsa” e declarou que “as estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de US$ 410 bilhões ao longo dos últimos 15 anos”.

Amcham manifesta preocupação com impacto das tarifas sobre o comércio bilateral

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) divulgou nota expressando “profunda preocupação” com a tarifa de 50% que os EUA planejam aplicar a produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

A entidade, que representa multinacionais com atuação no Brasil e nos Estados Unidos, pediu que os dois governos retomem o diálogo de forma urgente. “Trata-se de uma medida com potencial para causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas entre os dois países”, afirmou a Amcham.

O comunicado lembra que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos mantiveram superávit comercial com o Brasil. A Amcham também destacou a importância de preservar os vínculos econômicos entre as nações.

“A Amcham Brasil, que há mais de um século atua pelo fortalecimento dos laços econômicos entre os dois países, conclama os governos a retomarem, com urgência, um diálogo construtivo”, afirma a câmara. “Reiteramos a importância de uma solução negociada, fundamentada na racionalidade, previsibilidade e estabilidade, que preserve os vínculos econômicos e promova uma prosperidade compartilhada”, conclui a nota da Amcham.

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