Guerra de espadas pode voltar? Ex-prefeitos articulam regulamentação com foco na segurança
Thiancle Araújo e Ito de Bega lideram iniciativa que promove valorização da tradição popular e preparam missão à Sergipe
Divulgação
A tradicional guerra de espadas, expressão cultural centenária de forte identidade em diversos municípios baianos, voltou ao centro do debate público em meio à polêmica sobre os riscos associados à prática. Embora seja considerada uma manifestação cultural profundamente enraizada no Recôncavo e em outras regiões do Estado, a atividade tem sido também apontada como uma das principais causas de queimaduras graves e, em alguns casos, até de mortes durante os festejos juninos na Bahia.
Diante desse cenário de conflito entre tradição e segurança, os ex-prefeitos de Castro Alves, Thiancle Araújo, e de Conceição do Almeida, Ito de Bega, ambos do PSD, uniram forças para articular uma frente em defesa da regulamentação responsável da guerra de espadas. O objetivo é preservar a cultura popular sem ignorar os riscos à integridade física dos participantes e da população. A proposta busca equilibrar o reconhecimento da guerra de espadas como manifestação cultural legítima com a necessidade de normatização e controle de riscos, levando em consideração o histórico de acidentes e as determinações legais que atualmente proíbem a prática em diversas localidades baianas.
Experiência positiva em Conceição do Almeida inspira ação conjunta
Thiancle Araújo esteve, no último domingo (29), no município de Conceição do Almeida, para acompanhar de perto a experiência conduzida por Ito de Bega durante sua gestão e atualmente mantida pela prefeita Renata Souza. A cidade se tornou uma das referências no Estado ao conseguir conciliar tradição e segurança, mantendo viva a prática da guerra de espadas com organização, estrutura e apoio institucional.
“Foi importante ver como Conceição do Almeida tem conseguido manter viva essa tradição de forma segura. A cultura popular precisa ser respeitada e valorizada”, afirmou Thiancle.
A visita teve caráter técnico e simbólico, consolidando o alinhamento entre os dois ex-prefeitos em torno de uma proposta comum: promover uma regulamentação estadual que viabilize a continuidade da tradição em espaços apropriados, com medidas preventivas e protocolos de segurança.
Missão à Estância busca ampliar diálogo sobre regulamentação
Como próximo passo na agenda de mobilização, Thiancle Araújo e Ito de Bega estão coordenando uma missão oficial à cidade de Estância, em Sergipe, marcada para o próximo dia 13 de julho. O município sergipano é amplamente reconhecido como referência nacional na realização regulamentada das guerras de espadas, sendo um dos poucos locais onde a prática ocorre com respaldo legal e apoio das autoridades locais.
A comitiva contará com representantes de diversos municípios da Bahia, especialmente das regiões do Recôncavo e de Senhor do Bonfim, áreas que historicamente mantêm a tradição. A missão tem o propósito de trocar experiências, conhecer modelos de gestão e discutir estratégias que permitam a replicação de boas práticas em solo baiano.
Propostas incluem espaço exclusivo, EPIs e suporte de saúde
Entre as diretrizes defendidas pelos articuladores da iniciativa está a criação de áreas exclusivas e isoladas para a prática das espadas, evitando a realização em vias públicas ou áreas residenciais. O plano inclui a obrigatoriedade do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) — como capacetes, luvas e botas — além da garantia de presença de ambulância e equipes de primeiros socorros durante os eventos.
A proposta também prevê a definição de protocolos técnicos e regulamentações específicas, que possam orientar os municípios interessados na prática de forma segura, preservando tanto o direito à manifestação cultural quanto a integridade física dos participantes e espectadores.
Respaldo constitucional fortalece defesa da prática
Segundo os ex-prefeitos, a mobilização tem respaldo no artigo 215 da Constituição Federal, que assegura a proteção das manifestações culturais populares, incluindo as expressões tradicionais, religiosas e folclóricas. Nesse contexto, os defensores da guerra de espadas argumentam que a prática já possui fundamentação legal como bem cultural imaterial, restando apenas sua regulamentação com base em critérios técnicos e de segurança.
O exemplo da vaquejada, que só obteve reconhecimento cultural após a promulgação de uma emenda constitucional, é citado como um caso de referência no qual a pressão social e política resultou em uma regulamentação capaz de compatibilizar cultura e legislação.
“A guerra de espadas é uma expressão legítima da nossa cultura. A Constituição já garante esse direito, só precisamos regulamentar com segurança, diálogo e bom senso”, disse Thiancle.
Acidentes com espadas juninas voltam a preocupar durante festas de São João na Bahia
O período junino em Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, foi marcado por ocorrências graves envolvendo espadas, artefatos pirotécnicos tradicionais nas festividades da região. Uma jovem de 21 anos teve o rosto atingido por uma espada na noite de 24 de junho e foi transferida em estado grave para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador. O caso se soma a um cenário preocupante: apenas no município, 169 pessoas foram atendidas por queimaduras entre os dias 1º e 24 de junho, sendo que dez precisaram ser encaminhadas a unidades hospitalares de maior complexidade.
Em âmbito estadual, a Secretaria de Saúde da Bahia registrou 72 ocorrências envolvendo queimaduras ou explosões com artefatos juninos apenas entre os dias 18 e 25 de junho, com destaque para o Hospital Geral do Estado (HGE), que recebeu mais de 70% dos casos. A guerra de espadas, apesar de proibida por decisão judicial desde 2017, segue sendo praticada de forma clandestina em diversas cidades, gerando riscos à saúde pública e à segurança da população.
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