Braga Netto chama Mauro Cid de ‘mentiroso’ durante acareação no STF, diz advogado
Encontro entre os dois durou cerca de uma hora e meia e foi conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O general da reserva Braga Netto chamou o tenente-coronel Mauro Cid de “mentiroso” durante a acareação realizada nesta terça-feira (24), no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o advogado de defesa do general, José Luis Oliveira Lima, o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro manteve-se em silêncio, com a cabeça baixa, sem rebater a acusação. O encontro entre os dois durou cerca de uma hora e meia e foi conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“O general Braga Netto, em duas oportunidades, afirmou que o senhor Mauro Cid, que permaneceu por todo ato com a cabeça baixa, era mentiroso. E ele não retrucou quando teve oportunidade”, declarou o advogado, conhecido como Juca, a jornalistas após a audiência.
Acareação solicitada pela defesa
A acareação foi solicitada pela defesa de Braga Netto com o objetivo de confrontar declarações prestadas por Cid em seus acordos de colaboração premiada. A legislação penal garante aos réus o direito de requerer esse tipo de procedimento quando há contradições entre depoimentos. A intenção é que o juiz ouça os envolvidos diretamente para esclarecer os pontos em disputa.
Os dois militares do Exército são réus na ação penal que apura a articulação de uma ruptura institucional para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Cid, delator do esquema, acusa Braga Netto de participação direta nos planos golpistas.
Acareação foi realizada em sigilo
A sessão ocorreu a portas fechadas, por determinação de Alexandre de Moraes. Apenas os réus, seus advogados, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e os advogados dos outros seis acusados no mesmo processo estiveram presentes. O ministro Luiz Fux também acompanhou os depoimentos, uma vez que integra a Primeira Turma do STF, responsável pelo julgamento da ação ao fim da fase de instrução.
A gravação da acareação não será tornada pública, segundo o STF. A decisão foi criticada pela defesa de Braga Netto, que alega violação de prerrogativas legais. “É uma pena que isso não tenha sido gravado para que toda a imprensa e todos que acompanham o processo pudessem constatar”, reclamou Juca.
Pontos centrais da divergência
Dois trechos da delação de Mauro Cid motivaram a solicitação da acareação. No primeiro, Cid afirma que recebeu de Braga Netto uma sacola com R$ 100 mil para financiar ações golpistas. No segundo, o delator sustenta que um plano chamado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa monitorar e assassinar autoridades, teria sido discutido em um encontro na casa do general.
Braga Netto nega ambas as versões. Sobre a reunião, afirma que foi um encontro casual, sem qualquer teor conspiratório. Desde dezembro de 2023, o general está preso preventivamente sob acusação de obstruir investigações ao tentar acessar informações sigilosas da delação de Mauro Cid.
Mais uma acareação no mesmo dia
Logo após o encontro entre Braga Netto e Mauro Cid, teve início uma segunda acareação, desta vez entre o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-comandante do Exército, general Freire Gomes. A solicitação partiu da defesa de Torres, que busca esclarecer contradições no depoimento de Gomes, considerado uma das principais testemunhas no processo. Gomes não é réu na ação, mas seu relato tem sido usado como base para a construção das acusações. Até o início da noite desta terça-feira, a acareação entre Torres e Gomes seguia em andamento no STF.
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