Ministro da CGU afirma que Rui Costa sabia das fraudes no INSS desde 2023
Vinícius Carvalho diz que a alta cúpula do Planalto foi informada desde o início das auditorias e que não houve surpresa com operação
Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, afirmou, neste sábado (7), que a cúpula do governo federal tinha pleno conhecimento das investigações envolvendo fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo, como resposta direta às críticas dirigidas à CGU após a deflagração de uma operação conjunta com a Polícia Federal que revelou o esquema de desvios.
Segundo Carvalho, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, estava ciente da situação desde o início das auditorias realizadas pela CGU, que começaram ainda em 2023, já sob o governo Lula. “Todo mundo sabia do problema e que a CGU estava fazendo auditoria. A informação de que as pessoas não sabiam não procede. O ministro Rui sabe disso”, afirmou o titular da pasta de controle interno, rebatendo alegações de que o Palácio do Planalto teria sido surpreendido pelos desdobramentos da operação.
Os convênios que originaram o escândalo foram firmados em 2021 e 2022, ainda na gestão anterior. De acordo com o ministro, os primeiros sinais de descontos indevidos em folha de pagamento de aposentados e pensionistas apareceram no início da atual administração, o que motivou o aprofundamento das investigações. Ele explicou que o caso já vinha sendo acompanhado por meio de relatórios técnicos e reuniões com representantes da Previdência Social.
CGU nega seletividade e reforça combate à corrupção
Diante das críticas sobre uma possível blindagem de entidades próximas ao governo, como a Conafer e a Contag, Vinícius Carvalho foi enfático ao negar qualquer tipo de tratamento diferenciado. Segundo ele, a ausência dessas organizações nos pedidos iniciais de bloqueio de recursos não reflete parcialidade, mas sim o andamento das investigações técnicas, que estariam em fases distintas. “Não há seletividade. Todas as entidades que tiverem fraudado os descontos ou praticado algum ato de corrupção serão responsabilizadas”, garantiu.
O ministro também ressaltou que sua atuação está alinhada à diretriz do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tolerância zero com fraudes, desvios de recursos públicos e corrupção. “A recomendação foi ser intolerante com fraudes, desvios e corrupção. A alternativa seria fingir que não vimos ou adotar soluções paliativas. A terceira possibilidade era investigar, punir e ressarcir os aposentados. Esta foi a medida tomada”, declarou.
Sistema de descontos pode ser reformulado
Em meio ao debate sobre os mecanismos que facilitaram as irregularidades, a CGU propôs uma revisão do modelo de descontos em folha de pagamento, especialmente no caso de aposentados e pensionistas. O sistema atual, segundo a controladoria, tem se mostrado vulnerável e sujeito a manipulações por meio de convênios com entidades que atuam como intermediárias.
A medida mais viável, segundo a conclusão técnica do relatório da CGU, seria a suspensão total desse tipo de operação. No entanto, o ministro reconhece que a decisão final depende de articulação política e de discussões no Congresso Nacional. “A conclusão do relatório da CGU é que o mais viável seria interromper os descontos. Mas essa é uma decisão política”, ponderou.
Entenda o escândalo do INSS
O caso que deu origem à chamada “Farra do INSS” veio à tona após série de reportagens publicadas pelo portal Metrópoles a partir de dezembro de 2023. As investigações revelaram que associações estavam descontando mensalidades diretamente da aposentadoria de segurados, muitas vezes sem autorização. A arrecadação dessas entidades chegou a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto milhares de aposentados recorriam à Justiça para recuperar os valores.
As reportagens impulsionaram a abertura de inquéritos pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), culminando na Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025. A operação resultou na demissão do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi. Ao todo, 38 reportagens do Metrópoles foram utilizadas pela PF como base para os pedidos de busca, prisão e quebra de sigilos.
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