Lula empossa Frederico de Siqueira Filho como novo ministro das Comunicações
Siqueira Filho é considerado um nome técnico, e embora tenha sido indicado pelo União Brasil, não possui filiação partidária
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empossou, nesta quinta-feira (25), o novo ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho. A nomeação do então presidente da Telebras ocorreu após o deputado Pedro Lucas Fernandes (União-MA) recusar o convite para assumir a pasta.
Siqueira Filho é considerado um nome técnico, próximo ao senador Efraim Filho (União-PB), e sem filiação partidária, embora tenha sido indicado pelo União Brasil.
De acordo com a Secretaria de Comunicação Social (Secom), a sugestão do nome de Siqueira foi apresentada a Lula durante reunião no Palácio do Planalto, na quarta-feira (23), com a presença do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), do ex-ministro Juscelino Filho e do deputado Pedro Lucas. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também participou do encontro que selou a indicação.
“Frederico dirigia a Telebras e sua indicação pelo União Brasil foi apresentada ao presidente Lula pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o ex-ministro Juscelino Filho e o líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas Fernandes“, informou a Secom.
Indicação visa preservar aliança
A nomeação de Siqueira, que já atuou na operadora Oi e comandava a Telebras, marca a décima mudança ministerial desde o início do terceiro mandato de Lula. Ele assume o posto anteriormente ocupado por Juscelino Filho, afastado após denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeita de corrupção envolvendo emendas parlamentares, revelada em 2023.
Embora tenha o apoio do presidente do União Brasil, Antonio Rueda, a articulação da escolha foi liderada por Alcolumbre. A decisão de indicar um nome técnico, em vez de político, foi estratégica para evitar conflitos internos e garantir estabilidade nas relações com o partido.
Waldez Góes, atual ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, também compõe a cota de ministros ligados a Alcolumbre. Com a escolha de Siqueira, a expectativa é evitar uma nova crise de articulação, mantendo o União Brasil contemplado na Esplanada sem acirrar disputas internas da legenda.
União Brasil segue dividido
Nos bastidores, a avaliação é de que a recusa de Pedro Lucas à função teve relação com disputas internas no União Brasil. Rueda, atual presidente da sigla, teria demonstrado resistência à saída de Pedro Lucas da liderança do partido na Câmara, o que poderia favorecer o avanço de uma ala oposicionista.
Para integrantes do governo, o recuo de Pedro Lucas foi visto como um desfecho positivo. A permanência do deputado à frente da liderança evitaria possíveis tensões com o Planalto e garantiria maior previsibilidade na interlocução com o partido, que conta atualmente com 59 deputados federais na Câmara.
Mesmo com a posse de um nome ligado ao partido, congressistas do União Brasil afirmam que a bancada manterá posição independente, votando de acordo com os interesses do país. A percepção entre os parlamentares é de que o atual modelo de articulação política adotado pelo governo está desgastado.
Articulação com perfil técnico
A escolha de Frederico de Siqueira Filho também cumpre uma exigência imposta pela legislação eleitoral. Ao indicar um nome sem pretensões eleitorais, o governo evita mudanças obrigatórias no comando da pasta em abril do próximo ano, prazo-limite para desincompatibilização de candidatos às eleições de 2026.
a posse de Siqueira é vista como um movimento de acomodação política que preserva a base aliada e evita desgaste com a bancada do União Brasil. A medida também reforça o papel de Davi Alcolumbre como articulador do governo junto ao Congresso Nacional.
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