Wagner Moura ‘agradece’ Bolsonaro e diz que ex-presidente inspirou ‘O Agente Secreto’
Em entrevista ao The Daily Show, ator também critica a Lei da Anistia de 1979
Foto: You Tube
The Daily Show
O ator baiano Wagner Moura afirmou que a eleição de Jair Bolsonaro foi determinante para a criação do filme “O Agente Secreto”. A declaração foi feita durante entrevista ao tradicional talk show americano The Daily Show, exibido nos Estados Unidos, onde o artista comentou o contexto político que inspirou a produção cinematográfica.
Durante a conversa, Wagner utilizou tom irônico ao mencionar o ex-presidente brasileiro e afirmou que chegou a agradecê-lo publicamente ao receber um prêmio no Festival de Cannes. Segundo o ator, o longa nasceu da inquietação provocada pelo cenário político brasileiro entre 2018 e 2022, período marcado por tensões institucionais e debates sobre democracia.
Reconhecimento internacional e origem do filme
Na entrevista, Wagner Moura explicou que “O Agente Secreto” tem sido amplamente reconhecido no circuito internacional de cinema desde sua estreia em Cannes. Ele relembrou que, ao subir ao palco para receber um dos prêmios, fez questão de mencionar Bolsonaro como elemento central no surgimento da obra.
“O filme recebeu um grande reconhecimento do Festival de Cannes. E em um dos prêmios que recebi, eu agradeci a ele (Bolsonaro). Sem ele, não teríamos feito o filme. O filme nasce a partir da perplexidade compartilhada por mim e Kleber Mendonça Filho diante do que estava acontecendo no Brasil entre 2018 e 2022”, disse o ator.
Segundo Wagner, a produção reflete a preocupação com os rumos da democracia brasileira e dialoga com processos históricos que ainda influenciam o país. O ator destacou que a eleição de Bolsonaro representou, para ele, a materialização de valores associados ao período autoritário da história nacional.
Críticas ao autoritarismo e à herança da ditadura
Ao longo da entrevista, Wagner Moura também fez críticas diretas ao legado político do ex-presidente. Para o ator, Bolsonaro resgatou discursos e práticas associadas à ditadura militar, encerrada oficialmente em 1985, mas cujos reflexos ainda permanecem na sociedade brasileira.
“Este homem, eleito democraticamente, veio para trazer de volta valores da ditadura militar para o Brasil do século XXI”, afirmou Wagner Moura durante o programa, ao comentar o impacto simbólico da eleição de Bolsonaro.
O artista ressaltou que o filme busca provocar reflexões sobre memória, democracia e responsabilidade histórica, temas que considera fundamentais para o fortalecimento das instituições democráticas.
Lei da Anistia entra no centro do debate
Outro ponto abordado por Wagner Moura foi a Lei da Anistia de 1979, tema recorrente nas discussões sobre justiça de transição no Brasil. O ator criticou a legislação, afirmando que ela contribuiu para a falta de responsabilização de agentes envolvidos em crimes cometidos durante a ditadura.
“Existem coisas que não podem ser esquecidas e nem perdoadas. O Brasil está, finalmente, superando um problema de memória ao mandar para prisão pela primeira vez pessoas que atentaram contra a democracia. O próprio Bolsonaro está na prisão”, afirmou o brasileiro.
Segundo Wagner, a ausência de um acerto de contas com o passado autoritário dificultou a construção de uma memória coletiva sólida, abrindo espaço para o retorno de discursos antidemocráticos ao cenário político.
Memória histórica e democracia
Na avaliação do ator, a responsabilização de pessoas que atentaram contra o Estado democrático representa um avanço importante para o país. Ele defendeu que o fortalecimento da democracia passa, necessariamente, pelo reconhecimento dos erros históricos e pela preservação da memória.
Wagner afirmou ainda que o próprio Bolsonaro só alcançou relevância política por causa da falta de enfrentamento do legado da ditadura. Para ele, a anistia impediu que a sociedade brasileira compreendesse plenamente os danos causados pelo regime autoritário.
Impacto político e cultural do filme
Além da dimensão artística, “O Agente Secreto” se insere em um contexto mais amplo de debate político e social. O filme, segundo Wagner Moura, pretende contribuir para reflexões sobre democracia, autoritarismo e o papel da memória na construção do futuro.
Ao encerrar a entrevista, o ator reforçou que a arte tem papel central na elaboração de narrativas críticas e no estímulo ao pensamento coletivo, especialmente em períodos de instabilidade institucional.
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