Caixa processa ex-BBB Paulinha Leite, conhecida por ganhar 30 vezes na loteria

Banco questiona atuação da Unindo Sonhos, ligada à ex-BBB conhecida por acumular dezenas de prêmios em loterias


Rayllanna Lima
Rayllanna Lima 28/12/2025 19:50 • Cidades
Caixa processa ex-BBB Paulinha Leite, conhecida por ganhar 30 vezes na loteria - Reprodução/Instagram @paulinhaleittee
Reproduzindo artigo
00:00 00:00

A Caixa Econômica Federal ingressou com uma ação judicial contra a empresa Unindo Sonhos, ligada à ex-BBB e empresária Paulinha Leite, conhecida nacionalmente por ter acumulado mais de 30 prêmios em loterias, incluindo acertos expressivos na Mega-Sena ao longo dos últimos anos. O processo questiona a legalidade da atuação da empresa na intermediação de apostas no território brasileiro.

Segundo a ação, a Caixa sustenta que apenas a estatal possui autorização legal para explorar e promover serviços lotéricos no país, conforme prevê a legislação vigente. Com base nesse entendimento, o banco pede que a Justiça impeça a Unindo Sonhos de continuar atuando como intermediadora de jogos e bolões vinculados às loterias oficiais.

Caso envolve prêmio da Mega da Virada em 2025

De acordo com informações constantes no processo, em 2025, a empresa Unindo Sonhos participou de um jogo vencedor da quina da Mega da Virada, com uma aposta composta por 20 números, modelo que amplia o valor do bilhete e, consequentemente, as probabilidades de acerto.

Para a Caixa, a participação recorrente da empresa em prêmios de grande porte reforça a necessidade de intervenção judicial. O banco argumenta que a intermediação de apostas, ainda que por meio de bolões organizados virtualmente, configuraria uma atividade privativa da instituição.

A estatal também aponta risco de confusão para os apostadores, que poderiam interpretar a atuação da empresa como equivalente à de uma operadora oficial de loterias, o que, segundo a Caixa, não encontra respaldo legal.

Defesa afirma que empresa apenas organiza bolões

Em resposta, Paulinha Leite afirma que a Unindo Sonhos não realiza sorteios nem vende apostas diretamente, limitando-se a organizar bolões entre amigos, conhecidos e internautas. Segundo a empresária, a empresa atua exclusivamente como um agrupador de apostas, sem administrar jogos ou explorar o serviço lotérico em si.

De acordo com a defesa, os apostadores participam dos bolões de forma voluntária, com apostas registradas oficialmente na Caixa, o que afastaria qualquer irregularidade. A empresária sustenta que o serviço prestado é semelhante ao de grupos informais de bolão, prática comum entre jogadores da Mega-Sena.

Decisão anterior permitiu continuidade das atividades

O processo atual não é o primeiro a envolver a Unindo Sonhos. Em agosto, a empresa, conhecida nas redes sociais como “sorte lendária”, foi alvo de uma decisão que determinou a suspensão da divulgação das atividades e a remoção de conteúdos relacionados à empresa das plataformas digitais.

No entanto, a medida foi posteriormente derrubada pelo desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que autorizou a continuidade das atividades da empresa até o julgamento definitivo da ação. Na decisão, o magistrado considerou que, em análise preliminar, não havia elementos suficientes para impedir o funcionamento da empresa antes da apreciação do mérito do processo.

Ministério da Fazenda emitiu entendimento favorável

A posição adotada pelo desembargador está alinhada a um ofício publicado em 2024 pelo Ministério da Fazenda. No documento, a pasta avaliou que plataformas que apenas organizam apostas coletivas não administram serviços lotéricos, atuando unicamente como intermediadoras entre os apostadores e a Caixa.

Segundo esse entendimento, desde que as apostas sejam efetivamente registradas nos canais oficiais da estatal, não haveria exploração irregular da atividade lotérica. Esse posicionamento passou a ser utilizado como base jurídica por empresas do setor para defender a legalidade de suas operações.

Empresária diz que ação não é exclusiva

Em nota, Paulinha Leite afirmou que o processo movido pela Caixa não é direcionado exclusivamente à Unindo Sonhos, mas faz parte de um conjunto de ações contra diversos sites e plataformas que atuam no mesmo segmento de intermediação de bolões.

A empresária reforçou que a empresa segue funcionando “de forma completamente legal”, amparada por decisões judiciais e pelo entendimento do Ministério da Fazenda. Segundo ela, todas as atividades são realizadas com transparência e dentro dos limites permitidos pela legislação brasileira.

Rayllanna Lima

Rayllanna Lima

Rayllanna Lima é jornalista e especialista em Marketing e Growth, movida pelo desejo de transformar dados em narrativas que informam, conectam e inspiram. Autora do livro Renascer, reúne experiências em veículos de comunicação, agências e empresas dos setores de energia e pesquisa de mercado, com foco em integrar pessoas, marcas e propósito.

Mais Lidas

Cidades

Últimas Notícias

Operação Volta às Aulas 2026: Procon-BA fiscaliza listas escolares, vendas casadas e alerta pais sobre abusos -
Cidades 13/01/2026 às 21:00

Operação Volta às Aulas 2026: Procon-BA fiscaliza listas escolares, vendas casadas e alerta pais sobre abusos

Fiscalização ocorre em escolas, livrarias e papelarias para garantir direitos do consumidor durante o período de compras de material escolar


Olodum retorna à Lavagem do Bonfim em 2026 com grande cortejo percussivo nesta quinta-feira -
Cultura 13/01/2026 às 20:31

Olodum retorna à Lavagem do Bonfim em 2026 com grande cortejo percussivo nesta quinta-feira

Bloco afro participa da festa com 120 percussionistas, 80 dançarinos e mais de 20 alegorias em Salvador


BBB 26: Ricardinho aperta botão vermelho e desiste do Quarto Branco -
BBB 26 13/01/2026 às 20:07

BBB 26: Ricardinho aperta botão vermelho e desiste do Quarto Branco

Ricardinho Freestyle abandona dinâmica do Quarto Branco após mais de 12 horas e se torna o primeiro desistente da disputa por vaga no reality


Wellington César assume Ministério da Justiça e Segurança Pública após convite de Lula -
Política 13/01/2026 às 19:36

Wellington César assume Ministério da Justiça e Segurança Pública após convite de Lula

Nomeação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União


Itabuna lança Carnaval antecipado e confirma shows de Bell Marques, Léo Santana, Xanddy e mais; confira atrações -
Carnaval 2026 13/01/2026 às 19:03

Itabuna lança Carnaval antecipado e confirma shows de Bell Marques, Léo Santana, Xanddy e mais; confira atrações

Festa acontece entre 22 e 25 de janeiro, reúne grandes atrações e marca a retomada do evento após a pandemia


Operação Ômega investiga esquema milionário e apreende bens em Itapetinga -
Cidades 13/01/2026 às 18:34

Operação Ômega investiga esquema milionário e apreende bens em Itapetinga

Ação cumpriu mandados judiciais e resultou na apreensão de veículos, imóveis, dinheiro e outros bens


Micareta de Lauro de Freitas terá Xanddy, Parangolé, Alinne Rosa e mais; veja datas e atrações -
Cultura 13/01/2026 às 18:03

Micareta de Lauro de Freitas terá Xanddy, Parangolé, Alinne Rosa e mais; veja datas e atrações

Evento acontece entre sexta-feira (16) e domingo (18), na Avenida Beira Rio, e abre calendário de grandes festas populares do município


Governo da Bahia certifica mais de 200 mototaxistas e motofretistas e entrega equipamentos de segurança -
Cidades 13/01/2026 às 17:31

Governo da Bahia certifica mais de 200 mototaxistas e motofretistas e entrega equipamentos de segurança

Projeto Condução Decente certifica profissionais de 16 municípios e entrega equipamentos durante ação em Salvador


Félix Mendonça Jr. nega irregularidades, critica lentidão da investigação e diz que ações da PF causam ‘prejuízos políticos’ -
Política 13/01/2026 às 17:02

Félix Mendonça Jr. nega irregularidades, critica lentidão da investigação e diz que ações da PF causam ‘prejuízos políticos’

Em nota, deputado do PDT afirma colaborar com investigações, questiona nova diligência da PF e mantém confiança na Justiça


A responsabilidade civil das redes sociais no Brasil: perfis falsos -
Artigos e afins 13/01/2026 às 16:30

A responsabilidade civil das redes sociais no Brasil: perfis falsos

Neste artigo, Felipe Braga do Amaral Silva analisa a responsabilidade civil das redes sociais diante de perfis falsos criados por IA, explicando os direitos das vítimas