Pesquisa Quaest: 45% desaprovam indicação de Jorge Messias ao STF
Levantamento aponta desaprovação majoritária ao nome escolhido por Lula, enquanto cresce o apoio à autonomia do presidente nas nomeações do Supremo
Ricardo Stuckert/PR
A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta sexta-feira (19), indica que a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta resistência significativa entre os eleitores. De acordo com o levantamento, 45% desaprovam a escolha feita pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 30% aprovam a indicação. Outros 25% afirmaram não saber ou preferiram não responder.
Jorge Messias foi indicado por Lula para ocupar a vaga deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria da Corte, abrindo espaço para a nomeação ainda durante o atual mandato presidencial. As informações são do G1.
Desaprovação supera aprovação na opinião pública
Os números revelam que a rejeição à indicação supera com folga o apoio entre os entrevistados, consolidando um cenário de divisão e ceticismo em relação ao nome escolhido para a Suprema Corte. A pesquisa reforça que, apesar do presidente ter prerrogativa constitucional para indicar ministros do STF, a decisão não encontra consenso na sociedade.
Ainda assim, o levantamento traz um dado relevante: houve mudança na percepção dos eleitores sobre o direito do presidente de indicar livremente os ministros do Supremo.
Cresce apoio à autonomia do presidente nas indicações
Segundo a Genial/Quaest, aumentou o percentual de brasileiros que consideram que o presidente deve ter liberdade para indicar quem quiser ao STF, enquanto diminuiu o grupo que discorda dessa prerrogativa. Os números atuais mostram:
- Não: 54% (eram 59% em junho)
- Sim: 41% (eram 34% em junho)
- Não sabem/Não responderam: 5% (eram 7% em junho)
O resultado aponta uma redução da resistência institucional às indicações presidenciais, ainda que isso não signifique, necessariamente, apoio ao nome específico de Jorge Messias.
Comparação com indicação anterior ao STF
A pesquisa também resgatou dados de abril de 2023, quando os eleitores foram questionados sobre a nomeação do advogado Cristiano Zanin, indicado anteriormente por Lula para o STF. À época, o cenário era ainda mais desfavorável:
- Aprovam: 23%
- Desaprovam: 60%
- Não sabem/Não responderam: 17%
A comparação sugere que, embora Jorge Messias também enfrente resistência, o nível de desaprovação é menor do que o registrado na indicação anterior. Sendo assim, indica uma leve melhora na percepção pública, ainda que insuficiente para reverter o quadro negativo.
Detalhes metodológicos da pesquisa
O levantamento da Genial/Quaest foi realizado entre os dias 11 e 14 de dezembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa ouviu eleitores em todas as regiões do país, garantindo representatividade nacional.
Lula espera votação no Senado apenas em 2026
Em complemento ao cenário revelado pela pesquisa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na quinta-feira (18), que espera que o Senado Federal analise e vote a indicação de Jorge Messias apenas em 2026, após o fim do recesso parlamentar. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), havia cancelado o calendário que previa a sabatina ainda em dezembro, sob a justificativa de que a Mensagem Presidencial, documento formal que oficializa a indicação, ainda não havia sido enviada.
“Vou encaminhar a papelada toda do [Jorge] Messias. Eu sei que não será mais votado este ano, a gente vai ter que esperar a volta do Congresso Nacional. O Poder Judiciário vai entrar de férias, o Congresso vai entrar de férias, só quem não vai entrar de férias sou eu. Então, eu vou fazer com que, quando voltar do recesso, o nome do Messias esteja lá e eu espero que haja a votação”, declarou Lula durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto.
Disputa política e expectativa envolvendo Rodrigo Pacheco
Lula também comentou o interesse do Senado em indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no STF. Segundo o presidente, a movimentação foi legítima, mas contrariava seus planos políticos para Minas Gerais.
“O Senado queria indicar o companheiro Pacheco, que é um companheiro que tem muito mérito, que é uma pessoa que eu gosto pessoalmente, que é uma pessoa que eu sonhei em fazer o ser candidato para ganhar as eleições de Minas Gerais e ser governador de Minas Gerais”, pontou Lula.
O presidente explicou que a antecipação da aposentadoria de Barroso provocou uma reconfiguração inesperada no processo.
“Não estava previsto, mas aconteceu um imprevisto. O Barroso pediu as contas do tribunal, se aposentou. Então, o companheiro Pacheco mudou de posição [sobre ser candidato a governador], e o companheiro Alcolumbre queria indicar, era um direito dele também, mas era um direito dele que propôs para mim. Ora, houve essa confusão, [mas] eu continuo com o nome do Messias”, ponderou.
Defesa de Messias e relação com o Congresso
Lula voltou a defender publicamente Jorge Messias, destacando sua qualificação técnica e experiência institucional. Segundo o presidente, o indicado é “uma pessoa altamente capacitada na relação com a Suprema Corte” e seria um “motivo de orgulho” para o país.
Por fim, o chefe do Executivo negou qualquer crise política com o Congresso Nacional e fez questão de elogiar a relação com seus principais líderes, incluindo Davi Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O presidente reforçou que a interlocução segue ativa e que não há impasse institucional envolvendo a indicação ao STF, apesar do adiamento da votação no Senado.
“Não tem nada pessoal entre eu e o companheiro Alcolumbre. Eu sou amigo do Alcolumbre, gosto pessoalmente dele, ele tem nos ajudado de forma extraordinária a aprovar grande parte das coisas que a gente quer aprovar”.
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