Partido Novo leva deputada Camila Jara ao Conselho de Ética após confusão no plenário da Câmara
Representação aponta suposta violação ao decoro parlamentar durante sessão marcada por tumulto e intervenção da Polícia Legislativa
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O Partido Novo protocolou, nesta última terça-feira (16), uma representação noConselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados contra a deputada federal Camila Jara (PT-MS),após um tumulto no plenário provocado pela atuação do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). A confusão ocorreu no último dia 9, quando o parlamentar assumiu de forma considerada irregular a presidência dos trabalhos como protesto contra a votação de sua cassação.
A medida acabou gerando confronto entre os deputados federais, intervenção da Polícia Legislativa e relatos de agressões envolvendo servidores e jornalistas.
Tumulto começou após protesto de Glauber Braga no comando da sessão
De acordo com a representação apresentada pelo Novo, o episódio teve início quando Glauber Braga ocupou a Mesa Diretora e passou a conduzir a sessão em contestação à inclusão, na pauta do dia seguinte, da votação que analisaria a perda de seu mandato. A atitude foi classificada como irregular do ponto de vista regimental e provocou um impasse no plenário, elevando rapidamente o nível de tensão entre deputados.
Com o agravamento da situação, a Polícia Legislativa foi acionada e retirou Glauber Braga à força, o que intensificou o cenário de desordem. Durante o episódio, jornalistas e outros parlamentares relataram agressões, ampliando a repercussão política do caso.
Acusação aponta agressão e intimidação a servidor da Mesa
Segundo o documento apresentado pelo Partido Novo, a deputada Camila Jara teria agredido fisicamente o secretário-geral da Mesa Diretora, Lucas Ribeiro Almeida Júnior, por meio de empurrões, além de ter adotado gestos considerados intimidatórios e proferido ofensas verbais. A legenda afirma que a conduta estaria registrada em vídeos, anexados à representação.
Para o partido, os atos atribuídos à parlamentar configurariam violação ao Código de Ética e Decoro Parlamentar, especialmente no que diz respeito ao tratamento respeitoso a servidores da Casa e ao exercício do mandato com dignidade. O Novo sustenta que ofensas físicas ou morais nas dependências da Câmara caracterizam atentado ao decoro parlamentar.
Pedido inclui abertura de processo e punições severas
Na peça encaminhada ao Conselho de Ética, o Novo solicita a instauração de processo disciplinar para apurar os fatos. Ao final da apuração, o partido defende a aplicação de penalidade máxima, que pode resultar na perda do mandato, ou, de forma alternativa, na suspensão do exercício do mandato por até seis meses.
A representação também menciona um episódio anterior, ocorrido em agosto de 2025, no qual Camila Jara teria se envolvido em agressão contra o deputado Nikolas Ferreira (PL). O partido cita o caso para sustentar a tese de reincidência de conduta, argumento utilizado para reforçar o pedido de punição mais rigorosa.
Defesa afirma atuação para proteger jornalistas e parlamentares
Em resposta à representação, Camila Jara afirmou receber o pedido com indignação e sustentou que o episódio ocorreu em meio a um tumulto generalizado, com cenas de violência física. A deputada declarou que sua atuação teve como objetivo defender jornalistas e parlamentares que, segundo ela, estavam sendo agredidos por policiais legislativos durante a confusão.
“Recebo com indignação a representação do partido Novo no Conselho de Ética. Agi em defesa das jornalistas e deputadas e deputados que vi serem agredidos por policiais legislativos. Sempre pautei minha atuação pelo respeito institucional, pela defesa da democracia e pela valorização dos servidores do Parlamento”, declarou a defesa da deputada.
A parlamentar também ressaltou que sua trajetória no Congresso é marcada pelo respeito institucional, pela defesa da democracia e pela valorização dos servidores da Câmara, negando qualquer intenção de agressão ou intimidação. Segundo sua manifestação, qualquer narrativa que desconsidere o contexto dos fatos não refletiria a realidade do ocorrido.
Próximos passos no Conselho de Ética
Com o protocolo da representação, caberá agora ao Conselho de Ética da Câmara analisar a admissibilidade do pedido. Caso seja aceita, será designado um relator, que conduzirá a fase de instrução, incluindo oitiva das partes, testemunhas e análise de provas, como imagens e registros oficiais da sessão.
Ao final do processo, o colegiado poderá arquivar a representação ou aplicar sanções, que variam de advertência e suspensão até a recomendação de perda do mandato, decisão que, nos casos mais graves, depende de deliberação do plenário da Câmara dos Deputados.
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