Custo milionário de Bolsonaro surpreende: ex-presidente já consumiu R$ 7,67 milhões de recursos públicos
Ex-presidente acumula aposentadorias e salário partidário, além de estrutura pública mantida pela União
Ton Molina/STF
Desde que deixou o Palácio do Planalto, em 2023, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já gerou R$ 7,67 milhões em gastos a órgãos públicos federais. O valor inclui aposentadorias, estrutura de assessores mantida pela União e salário pago pelo Partido Liberal (PL), segundo levantamento divulgado pela coluna do jornalista Tácio Lorran, do portal Metrópoles.
O maior peso no montante vem da estrutura garantida por lei a ex-presidentes da República: R$ 4,71 milhões somente com oito assessores, dois motoristas e dois veículos oficiais, além de custos operacionais pagos pela Presidência da República. O benefício continua ativo mesmo após o início do cumprimento de pena definitiva em novembro, no processo que julgou Bolsonaro como líder da “trama golpista”.
Remunerações acumuladas por Jair Bolsonaro
Não há remuneração específica para ex-presidentes no Brasil. Ainda assim, Bolsonaro recebe mensalmente:
Aposentadoria militar: R$ 12.861,61 como capitão reformado do Exército
Aposentadoria da Câmara dos Deputados: R$ 41.563,98 como ex-deputado federal
Salário como presidente de honra do Partido Liberal (PL): R$ 33.873,67, pago com recursos do Fundo Partidário que foi suspenso essa semana.
A soma atinge R$ 88,29 mil por mês, superando o teto constitucional remuneratório — mesmo após sua condenação judicial.
Documentos divulgados pela coluna mostram que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto (PL), chegou a consultar o setor jurídico do partido sobre a manutenção do pagamento enquanto Bolsonaro estava em prisão domiciliar. O parecer interno foi favorável à continuidade da remuneração. Mas com o início do cumprimento da pena o PL informou, nesta quinta-feira (27), que suspendeu as funções partidárias e a remuneração do ex-presidente.
Defesa de Bolsonaro aposta em embargos infringentes
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou, nesta sexta-feira (28), os chamados embargos infringentes para questionar sua condenação, de 27 anos e três meses de prisão, pelo julgamento da tentativa de golpe de Estado — a ação conhecida como a “trama golpista”.
No recurso, os advogados afirmam que houve “erro judiciário” quando o relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, declarou o trânsito em julgado antes do prazo final para apresentação desse tipo de recurso. Eles pedem que prevaleça o voto vencido do ministro Luiz Fux — único a absolver Bolsonaro — e que o caso seja revisado pelo plenário da Corte, ou que a condenação seja anulada.
Por que o recurso corre risco de ser rejeitado
Os embargos infringentes são um recurso previsto no regimento interno do STF, destinado a revisar decisões colegiadas não unânimes, permitindo que a matéria vá ao plenário, quando há divergência significativa no julgamento.
Entretanto, o entendimento consolidado da Corte exige — quando a condenação foi proferida por uma Turma (composta por cinco ministros) — pelo menos dois votos absolutórios em sentido próprio (ou seja, pelo reconhecimento da improcedência da acusação) para que os embargos infringentes sejam admitidos. Votos que apontem apenas nulidade, prescrição ou questões processuais não cumprem esse requisito.
No julgamento da ação penal, a condenação de Bolsonaro foi confirmada por 4 votos a 1; o único voto divergente, de Luiz Fux, não alcança o padrão de “absolutório em sentido próprio” exigido pela jurisprudência do STF para admitir embargos infringentes.
Por essa razão, especialistas entrevistados e jurisprudência da Corte têm indicado que o recurso deve ser considerado inadmissível. Há entendimento de que, mesmo com o protocolo, o relator poderá rejeitá-lo — o que confirmaria a condenação e manteria o início da execução da pena.
A defesa insiste: “erro judiciário” e apelo a tratados internacionais
Na peça protocolada, os advogados alegam que a antecipação do trânsito em julgado, enquanto ainda corria o prazo para embargos infringentes, configura erro judiciário e fere garantias de ampla defesa e devido processo legal, amparadas inclusive em instrumentos internacionais como o Pacto de San José da Costa Rica.
Eles pedem que, se acolhido o recurso, prevaleça o voto do ministro Luiz Fux — que havia declarado a nulidade da ação penal contra Bolsonaro — e que a condenação seja anulada ou revista pelo plenário da Corte.
Essa estratégia representa a última aposta da defesa para evitar a prisão definitiva, e manter viva a possibilidade de reversão da decisão, mesmo após o entendimento de que o processo estava encerrado.
O que esperar agora da Corte
O relator Alexandre de Moraes agora deve decidir se admite ou rejeita os embargos infringentes apresentados. Se rejeitar, o cumprimento da pena será confirmado imediatamente. Caso entenda que há fundamento, o processo poderá ser reaberto e submetido a novo julgamento — agora pelo plenário da Corte, com possibilidade de reverter a condenação.
Para especialistas em direito constitucional, a chance de aceitação é pequena, dado o precedente jurisprudencial e o fato de que não houve os dois votos favoráveis exigidos.
Caso o pedido seja negado e o trânsito em julgado mantido, o ex-presidente deverá cumprir a pena imposta sem novas chances de recurso — salvo eventual pedido de revisão criminal, última alternativa possível, mas de eficácia remota.
Mais Lidas
Política
Últimas Notícias
A responsabilidade civil das redes sociais no Brasil: perfis falsos
Prefeitura de Salvador reforça rede de saúde e nomeia 37 concursados em 2026
Perdi o emprego e agora? Saiba como garantir o seguro-desemprego em 2026
Jerônimo minimiza declaração de Wagner sobre chapa ‘puro-governador’ e prega cautela
Em meio a rumores de racha com aliados, governador busca saída negociada para impasse entre Rui Costa e Angelo Coronel
Jerônimo diz que Operação Overclean não muda relação com PDT e mantém confiança em Félix Mendonça Jr.
Governador mantém apoio político mesmo após aliado ser alvo da Polícia Federal por esquema de desvios de emendas na Bahia
Defesa de Bolsonaro tenta levar ao plenário do STF nova ofensiva contra condenação por tentativa de golpe
Advogados protocolam recurso para reabrir discussão jurídica enquanto família relata piora no estado de saúde do ex-presidente
Hugo Motta condiciona apoio a Lula em 2026 a gestos do Planalto e demandas da Paraíba
Presidente da Câmara afirma que decisão sobre aliança passará por negociações políticas e interesses da Paraíba
Calendário de 2026 anima bares e restaurantes com feriados prolongados e Copa do Mundo
Datas estratégicas ao longo do ano e jogos do Brasil em horários favoráveis ampliam expectativa de faturamento no setor de alimentação fora do lar
‘Tarifaço’ de Trump contra Irã coloca US$ 2,8 bi do superávit brasileiro sob ameaça
Brasil exportou US$ 2 bi em milho para iranianos em 2025 e corre risco de sofrer retaliação em seu comércio com Washington
Segurança da Lavagem do Bonfim 2026 mobiliza mais de 2 mil agentes, ativa CICC e amplia uso de tecnologia
Operação coordenada pela SSP reúne forças policiais, bombeiros e órgãos parceiros para monitorar evento em tempo real
Resumo de Êta Mundo Melhor de 12 a 17 de janeiro: revelações, ameaças e romances em risco
Semana da novela é marcada por ciúmes, confrontos e um atentado que muda os rumos da trama
Resumo de Três Graças de 12 a 17 de janeiro: segredos, confrontos e novas revelações movimentam a semana
Investigação sobre a escultura e conflitos familiares ganham força nos próximos capítulos da novela
Resumo Coração Acelerado de 12 a 17 de janeiro: estreia da novela traz paixões, desencontros, fuga e momentos de humilhação
Trama musical que estreou em 12 de janeiro acompanha a trajetória de uma jovem cantora em busca de espaço e reconhecimento