Críticas, comemorações e tensão: como a prisão de Bolsonaro mexeu com a política em poucas horas
Líderes do PL falaram em “injustiça”, enquanto nomes como Maria do Rosário (PT) e Manuela D’Ávila defenderam a aplicação da lei
WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO
A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) repercutiu logo cedo no mundo político. A medida foi solicitada pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão foi decretada na manhã deste sábado (22) pelo ministro Alexandre de Moraes.
Parlamentares de oposição manifestaram críticas à decisão. O líder da oposição na Câmara, o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), afirmou ao Estadão/Broadcast que prender Bolsonaro “é um ataque direto à democracia” e que o grupo resistirá.
“Colocar Bolsonaro em regime fechado é desumano e injusto e se algo acontecer a Bolsonaro sob custódia, a responsabilidade será direta”, expressou o líder da oposição.
Oposição critica a prisão e alega “injustiça”
Diversos políticos ligados ao ex-presidente usaram as redes sociais para criticar a prisão preventiva. O ex-secretário-executivo do Ministério das Comunicações e ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Fabio Wajngarten, afirmou que a prisão terá efeitos na próxima eleição. “É INACREDITÁVEL. Num sábado. Com estado de saúde totalmente comprometido. VERGONHOSO. 26 é logo ali”, escreveu Wajngarten no X.
A deputada federal Carol de Toni (PL-SC) criticou a prisão, caracterizando-a como um abuso. “A prisão do Presidente Bolsonaro é um dos maiores absurdos já cometidos pela ‘justiça brasileira’. O maior líder que a direita já teve, homem que não cometeu crime algum, foi submetido a um processo absolutamente nulo, agora é levado a prisão! Lutaremos até o fim contra essa injustiça.”
Seu colega de partido e líder do PL na Câmara dos Deputados, o deputado federal e pastor Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), tuitou que “Bolsonaro não roubou ninguém”. O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) seguiu a mesma linha de solidariedade ao ex-presidente. “Toda solidariedade a ele e à família. Passou da hora de uma reação contundente do Congresso para frear os abusos e ilegalidades feitos contra a oposição a Lula (PT) e ao PT!”, escreveu no X.
A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro postou, pouco depois das 6:30, os versículos 1 a 8 do salmo 121, conhecidos como “Canto da Peregrinação“, no Instagram. Ela tem liderado a preferência de bolsonaristas como candidata nas próximas eleições, após a prisão de Bolsonaro.
Esquerda celebra decisão judicial
Políticos de esquerda manifestaram satisfação com a prisão preventiva. A ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB), que foi filiada ao PCdoB, comemorou a prisão. “Obrigada ao meu relógio biológico que me permitiu assistir ao vivo a prisão (ainda preventiva) de Bolsonaro. Espero estar acordada quando a prisão pela tentativa de golpe acontecer. Quem viveu o Brasil sob seu comando, Quem temeu viver no Brasil sob seu comando, Quem perdeu alguém no Brasil sob seu comando, Sabe o que celebramos. Eu celebro estar viva, com minha família, feliz e na luta.”, escreveu ela no Instagram, com uma foto da transmissão pela TV.
A ex-ministra dos Direitos Humanos e deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) fez um post no qual diz que “a lei é para todos“.
A viúva de Marielle Franco, Mônica Benício, hoje vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, também comemorou. “Hoje um novo capítulo da história da democracia brasileira foi construído. O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi preso preventivamente via medida cautelar. O golpe, que sempre livrou a cara das elites brasileiras, é punido pela primeira vez exemplarmente.”
Sua colega de partido, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) seguiu o mesmo tom. “Jair Bolsonaro acaba de ser preso preventivamente e levado para a superintendência da Polícia Federal. Um bom dia desses hein?!”, escreveu, seguindo com as hashtags #semanistia e #bolsonaronacadeia.
Contexto da prisão e condenação anterior
O ministro Alexandre de Moraes fundamentou a prisão após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocar uma vigília em frente ao condomínio do ex-presidente, na noite de sexta-feira (21). A PF avaliou que o ato representava risco para participantes e agentes policiais, solicitando a prisão preventiva para a garantia da ordem pública.
Na decisão, Moraes apontou risco elevado de fuga. O Centro de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou ao STF a violação da tornozeleira eletrônica do ex-presidente às 0h08 deste sábado. O ministro citou que a convocação da vigília “indica a possível tentativa de utilização de apoiadores” de Bolsonaro para “obstruir a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar” da qual o ex-presidente era alvo.
Bolsonaro foi detido por volta das 6h e levado para a Superintendência da PF no Distrito Federal, onde ficará em uma “Sala de Estado“. A prisão preventiva não tem prazo fixo e deve ser reavaliada. Bolsonaro já estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto por descumprimento de medidas cautelares. Ele também foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo STF em setembro por tentativa de golpe de Estado, mas esta prisão preventiva não tem relação com essa condenação.
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