Trama golpista: Primeira Turma do STF condena militares por plano para matar autoridades; veja penas

Grupo articulou ações destinadas a manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder após a derrota eleitoral de 2022


Iago Bacelar
Iago Bacelar 18/11/2025 21:00 • Política
Trama golpista: Primeira Turma do STF condena militares por plano para matar autoridades; veja penas - Antonio Augusto/STF
Reproduzindo artigo
00:00 00:00

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, condenar nove réus envolvidos no núcleo 3 da tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com o julgamento, o grupo articulou ações destinadas a manter o ex-mandatário no poder após a derrota eleitoral de 2022, com planejamento que incluía monitoramento e assassinato de autoridades.

Conforme apuração do G1, os ministros validaram as acusações apresentadas pela Procuradoria Geral da República (PGR), que apontou a preparação de ações violentas e a tentativa de pressionar a cúpula do Exército para aderir ao plano.

“Existem fartas provas de que os réus Hélio Ferreira Lima e Rafael Martins de Oliveira participaram do ato executivo de monitoramento de autoridades consumado os delitos imputados pela denúncia”, afirmou Alexandre de Moraes.

Entenda a decisão da Primeira Turma do STF

O julgamento tratou do núcleo formado por nove militares e um agente da Polícia Federal, todos denunciados por compor a frente mais violenta da organização criminosa. A PGR afirmou que o grupo planejou ações consideradas as mais severas dentro da trama, como o monitoramento de alvos e a preparação de atentados.

O relator Alexandre de Moraes votou pela condenação de sete réus pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Ele também acompanhou as penas aplicadas a dois acusados por incitação ao crime e associação criminosa. Em um ponto inédito, Moraes votou pela absolvição do general da reserva Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, por falta de provas.

A decisão de Moraes foi seguida pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, consolidando a votação unânime. Entre os trechos do voto, Moraes exibiu mensagens trocadas pelos acusados que revelavam tentativas de deslegitimar o processo eleitoral, alinhamento com o núcleo central que atuava diretamente com Bolsonaro e estratégias para justificar uma eventual decretação de GLO seguida de estado de exceção.

“Está claro pelas provas dos autos que a intenção do réu era atuar com base em notícias falsas, desinformação sobre fraudes nas urnas eletrônicas de modo a corroborar a narrativa criminosa da organização criminosa”, disse Moraes ao analisar o caso do tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros. Trechos adicionais do voto reforçam que o grupo buscava criar um ambiente de caos que permitisse uma intervenção militar.

Confira penas impostas pelo STF

Foram condenados às penas mais longas os militares apontados como responsáveis por ações diretas ligadas ao planejamento do golpe. As condenações incluem:

Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel do Exército, 17 anos em regime fechado;
Fabrício Moreira de Bastos, coronel do Exército, 16 anos em regime fechado;
Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel, 24 anos em regime fechado;
Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel, 21 anos em regime fechado;
Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel, 21 anos em regime fechado;
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel, 17 anos em regime fechado;
Wladimir Matos Soares, agente da PF, 21 anos em regime fechado.

Outros dois réus receberam penas menores por incitação ao crime e associação criminosa. O coronel Márcio Nunes de Resende Jr. foi condenado a 3 anos e 5 meses em regime aberto, enquanto o tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Jr. recebeu pena de 1 ano e 11 meses, também em regime aberto.

Moraes afirmou que esses dois acusados não integravam as ações operacionais mais graves, mas contribuíram de maneira efetiva para a articulação do grupo. Parte de suas participações esteve relacionada à circulação de mensagens sobre apoio interno dentro das Forças Armadas.

O que diz a denúncia da PGR?

A PGR relatou que os réus pressionaram autoridades das Forças Armadas e planejaram o monitoramento, a prisão e o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do próprio Moraes. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, o plano foi batizado de Punhal Verde e Amarelo e chegou a ser impresso no Palácio do Planalto.

“As investigações escancaram a disposição homicida e brutal da organização criminosa, que para isso se articulou e se lançou a providências executórias devidamente armadas”, disse Gonet no julgamento. Trechos adicionais apresentados pela PGR confirmam que os acusados aderiram aos propósitos do grupo e executaram atos com intenção de influenciar decisões das Forças Armadas.

Monitoramento, arsenal e tentativa de adesão do Exército

Moraes detalhou que o núcleo 3 seguia orientações do núcleo central, do qual fazia parte Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. O relator indicou que o alinhamento resultou em ações como o monitoramento de autoridades em Brasília, confirmado por dados de geolocalização obtidos pela Polícia Federal.

“Não há, então, nenhuma dúvida, a instrução processual demonstrou que o núcleo crucial cooptou esses militares próximos ao colaborador Mauro Cid e forças especiais com o objetivo de apoio, execução ao intento golpista e ruptura constitucional”, afirmou Moraes em outro trecho do voto. O relator também descreveu que o grupo planejava criar justificativas para que o Exército aderisse a uma operação de ruptura institucional.

O caso ainda inclui o uso de armas de grosso calibre e munições perfurantes de fuzis 762 e 556, além de explosivos. A PF identificou que os réus prepararam execução de atos que só não foram consumados pela falta de apoio do então comandante do Exército.

Entenda como o plano seria executado

O relator indicou que o grupo avaliou formas de assassinato, inclusive por envenenamento. Em relação a Lula, o plano incluía um medicamento que poderia provocar colapso orgânico, levando em conta seu histórico de saúde e sua rotina de idas a hospitais. Outras autoridades públicas também foram monitoradas em deslocamentos e residências oficiais.

Iago Bacelar

Iago Bacelar

Formado em Jornalismo pela UniFTC, com cerca de 2 anos de experiência em veículos online e 1 ano em assessoria de imprensa. Apaixonado por cultura, entretenimento e iniciando na política.

Mais Lidas

Política

Últimas Notícias

Operação Volta às Aulas 2026: Procon-BA fiscaliza listas escolares, vendas casadas e alerta pais sobre abusos -
Cidades 13/01/2026 às 21:00

Operação Volta às Aulas 2026: Procon-BA fiscaliza listas escolares, vendas casadas e alerta pais sobre abusos

Fiscalização ocorre em escolas, livrarias e papelarias para garantir direitos do consumidor durante o período de compras de material escolar


Olodum retorna à Lavagem do Bonfim em 2026 com grande cortejo percussivo nesta quinta-feira -
Cultura 13/01/2026 às 20:31

Olodum retorna à Lavagem do Bonfim em 2026 com grande cortejo percussivo nesta quinta-feira

Bloco afro participa da festa com 120 percussionistas, 80 dançarinos e mais de 20 alegorias em Salvador


BBB 26: Ricardinho aperta botão vermelho e desiste do Quarto Branco -
BBB 26 13/01/2026 às 20:07

BBB 26: Ricardinho aperta botão vermelho e desiste do Quarto Branco

Ricardinho Freestyle abandona dinâmica do Quarto Branco após mais de 12 horas e se torna o primeiro desistente da disputa por vaga no reality


Wellington César assume Ministério da Justiça e Segurança Pública após convite de Lula -
Política 13/01/2026 às 19:36

Wellington César assume Ministério da Justiça e Segurança Pública após convite de Lula

Nomeação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União


Itabuna lança Carnaval antecipado e confirma shows de Bell Marques, Léo Santana, Xanddy e mais; confira atrações -
Carnaval 2026 13/01/2026 às 19:03

Itabuna lança Carnaval antecipado e confirma shows de Bell Marques, Léo Santana, Xanddy e mais; confira atrações

Festa acontece entre 22 e 25 de janeiro, reúne grandes atrações e marca a retomada do evento após a pandemia


Operação Ômega investiga esquema milionário e apreende bens em Itapetinga -
Cidades 13/01/2026 às 18:34

Operação Ômega investiga esquema milionário e apreende bens em Itapetinga

Ação cumpriu mandados judiciais e resultou na apreensão de veículos, imóveis, dinheiro e outros bens


Micareta de Lauro de Freitas terá Xanddy, Parangolé, Alinne Rosa e mais; veja datas e atrações -
Cultura 13/01/2026 às 18:03

Micareta de Lauro de Freitas terá Xanddy, Parangolé, Alinne Rosa e mais; veja datas e atrações

Evento acontece entre sexta-feira (16) e domingo (18), na Avenida Beira Rio, e abre calendário de grandes festas populares do município


Governo da Bahia certifica mais de 200 mototaxistas e motofretistas e entrega equipamentos de segurança -
Cidades 13/01/2026 às 17:31

Governo da Bahia certifica mais de 200 mototaxistas e motofretistas e entrega equipamentos de segurança

Projeto Condução Decente certifica profissionais de 16 municípios e entrega equipamentos durante ação em Salvador


Félix Mendonça Jr. nega irregularidades, critica lentidão da investigação e diz que ações da PF causam ‘prejuízos políticos’ -
Política 13/01/2026 às 17:02

Félix Mendonça Jr. nega irregularidades, critica lentidão da investigação e diz que ações da PF causam ‘prejuízos políticos’

Em nota, deputado do PDT afirma colaborar com investigações, questiona nova diligência da PF e mantém confiança na Justiça


A responsabilidade civil das redes sociais no Brasil: perfis falsos -
Artigos e afins 13/01/2026 às 16:30

A responsabilidade civil das redes sociais no Brasil: perfis falsos

Neste artigo, Felipe Braga do Amaral Silva analisa a responsabilidade civil das redes sociais diante de perfis falsos criados por IA, explicando os direitos das vítimas