Lula assina projeto da Lei Antifacção com penas mais duras e novas ferramentas de investigação

Proposta aumenta penas, permite infiltração de agentes e criação de empresas fictícias para combater o crime organizado


Iago Bacelar
Iago Bacelar 31/10/2025 18:35 • Política
Lula assina projeto da Lei Antifacção com penas mais duras e novas ferramentas de investigação - Ricardo Stuckert/PR
Reproduzindo artigo
00:00 00:00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, nesta sexta-feira (31), o projeto de lei antifacção, principal aposta do Ministério da Justiça para enfrentar o crime organizado. O texto será publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) e enviado em seguida à Câmara dos Deputados. As informações são do G1.

Em publicação nas redes sociais, o presidente Lula enfatizou que a proposta se soma à PEC da Segurança Pública, enviada ao Congresso no mês de abril, e que propõe ações integradas entre os órgãos federais, estaduais e municipais no combate aos criminosos.

“Assinei e envio hoje ao Congresso Nacional o Projeto da Lei Antifacção […], que eleva para até 30 anos as penas para quem integra as facções criminosas que dominam muitos bairros e comunidades”, anunciou o petista.

A proposta altera a legislação atual ao classificar a organização criminosa qualificada como facção criminosa e cria novas ferramentas de investigação para o Estado. O objetivo central é asfixiar financeiramente as facções, atingindo a base econômica das organizações que movimentam grandes somas de dinheiro ilegal.

Entenda principais eixos da Lei Antifacção

O texto foca em dois eixos principais. O primeiro é o aumento das penas para quem participa de organizações criminosas. Hoje, a pena máxima para o crime de organização criminosa é de oito anos, mas o novo projeto eleva esse limite para vinte anos. Em casos que envolvam violência grave, como o registrado na recente operação no Rio de Janeiro, a pena poderá chegar a trinta anos.

O segundo eixo é a criação de instrumentos de investigação ampliados, com destaque para a infiltração de policiais e colaboradores (delatores) dentro das facções e a criação de empresas fictícias para identificar e desmontar redes de lavagem de dinheiro.

De acordo com o texto, essas ações poderão ocorrer sob sigilo judicial, garantindo proteção aos agentes envolvidos nas operações.

Medidas de infiltração e sigilo

Entre os pontos inovadores do projeto está a autorização para uso de identidades falsas protegidas por lei. O dispositivo permitirá que órgãos públicos criem identidades fictícias completas, com nome, filiação e histórico documental, assegurando a proteção dos policiais infiltrados por um período mínimo de quatro anos após o fim da operação.

Além disso, o texto prevê que agentes públicos poderão atuar como colaboradores infiltrados dentro das organizações criminosas, simulando envolvimento em atividades ilícitas para obter provas e mapear fluxos financeiros.

O projeto também autoriza o Poder Público a criar empresas de fachada, que funcionariam como parte do esquema criminoso, para viabilizar a identificação de operações de lavagem de dinheiro. Essas empresas seriam controladas diretamente pelo Estado e supervisionadas por órgãos de segurança e justiça.

Intervenção judicial em empresas suspeitas

Outro ponto relevante é a previsão de intervenção judicial em empresas reais suspeitas de ligação com o crime organizado. O juiz responsável poderá nomear um gestor externo para assumir a administração da empresa e bloquear imediatamente as operações financeiras e societárias, incluindo contratos com o poder público.

Essa medida busca impedir que recursos públicos continuem a alimentar negócios usados por facções para lavar dinheiro e financiar atividades criminosas.

Retirada de item sobre proteção a agentes

Uma das medidas inicialmente previstas no projeto foi retirada do texto final assinado por Lula. O item previa proteção adicional para juízes e policiais que atuam em investigações contra o crime organizado. Segundo apuração oficial, a supressão ocorreu porque o tema já foi contemplado em outro projeto de lei, de autoria do senador Sérgio Moro (União-PR), sancionado na quinta-feira (30).

Ação ocorre em resposta à megaoperação no Rio de Janeiro

A assinatura do projeto antifacção ocorre após a megaoperação no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes e reacendeu o debate sobre a segurança pública e o papel do Estado no enfrentamento às facções.

O governo federal pretende que a nova legislação reforce o combate financeiro e estrutural ao crime organizado, com punições mais severas e investigações mais eficientes.

A expectativa do Palácio do Planalto é que a proposta seja analisada com urgência pelo Congresso e que as medidas entrem em vigor ainda no primeiro semestre de 2026.

Iago Bacelar

Iago Bacelar

Formado em Jornalismo pela UniFTC, com cerca de 2 anos de experiência em veículos online e 1 ano em assessoria de imprensa. Apaixonado por cultura, entretenimento e iniciando na política.

Mais Lidas

Política

Últimas Notícias

Novo salário mínimo de R$ 1.621 começa a valer nesta segunda-feira -
Negócios 02/02/2026 às 21:02

Novo salário mínimo de R$ 1.621 começa a valer nesta segunda-feira

Reajuste do valor impacta benefícios do INSS, seguro-desemprego e contribuições previdenciárias em 2026


Cármen Lúcia diz que 2026 exigirá ‘comportamentos mais rigorosos’ e ‘transparentes’ de juízes eleitorais -
Política 02/02/2026 às 20:29

Cármen Lúcia diz que 2026 exigirá ‘comportamentos mais rigorosos’ e ‘transparentes’ de juízes eleitorais

Presidente do TSE afirma que Judiciário deve atuar com clareza e independência no próximo pleito


Bahia emite primeira CNH do Brasil com processo digital e custos reduzidos -
Cidades 02/02/2026 às 20:00

Bahia emite primeira CNH do Brasil com processo digital e custos reduzidos

Documento inaugura integração nacional do processo e amplia acesso à habilitação com redução de custos


Inflação recua e mercado reduz projeção para 3,99% em 2026, aponta boletim Focus -
Negócios 02/02/2026 às 19:31

Inflação recua e mercado reduz projeção para 3,99% em 2026, aponta boletim Focus

Boletim Focus aponta IPCA abaixo do teto da meta, PIB em 1,8% e expectativa de queda gradual da Taxa Selic


Em mensagem ao Congresso, Lula exalta avanços econômicos e aponta fim da escala 6×1 como desafio para 2026 -
Política 02/02/2026 às 19:04

Em mensagem ao Congresso, Lula exalta avanços econômicos e aponta fim da escala 6×1 como desafio para 2026

Governo destaca avanços econômicos, agenda social e aposta em parceria com Legislativo


Licia Fábio reúne convidados no Amado em celebração à Iemanjá e revela novidades do Camarote Brown: ‘É o samba na Bahia’ -
Carnaval 2026 02/02/2026 às 18:33

Licia Fábio reúne convidados no Amado em celebração à Iemanjá e revela novidades do Camarote Brown: ‘É o samba na Bahia’

Ao Portal M!, promoter destaca importância da data, das parcerias e dá detalhes dos projetos para o verão e o Carnaval


BBB 26: participantes vão para o ‘Tá Com Nada’ após sequência de punições gravíssimas -
BBB 26 02/02/2026 às 17:59

BBB 26: participantes vão para o ‘Tá Com Nada’ após sequência de punições gravíssimas

Infrações gravíssimas cometidas por Ana Paula Renault e Milena atingem o limite do Vacilômetro e levam todos os participantes à penalização coletiva


Carlos Muniz destaca parceria com o Executivo, projeta avanços para Salvador e adia decisão sobre candidatura do filho -
Política 02/02/2026 às 17:30

Carlos Muniz destaca parceria com o Executivo, projeta avanços para Salvador e adia decisão sobre candidatura do filho

Presidente da CMS diz nova legislatura será marcada pela união entre o Legislativo e o Executivo municipal, com foco em ações para melhorias na cidade


Congresso inicia último ano da legislatura com foco em medidas provisórias, CPIs e articulações para o STF -
Política 02/02/2026 às 16:58

Congresso inicia último ano da legislatura com foco em medidas provisórias, CPIs e articulações para o STF

Retomada dos trabalhos ocorre em meio a calendário eleitoral, análise de vetos e articulações entre Executivo, Legislativo e Judiciário


Kiki Bispo destaca alinhamento entre Câmara e Executivo, projeta agenda de entregas e nega candidatura em 2026 -
Política 02/02/2026 às 16:31

Kiki Bispo destaca alinhamento entre Câmara e Executivo, projeta agenda de entregas e nega candidatura em 2026

Vice-líder do governo na Câmara destaca alinhamento com o Executivo, diálogo com a oposição e expectativa de avanços em áreas estratégicas