Em Roma, Lula volta a criticar Netanyahu, promete nome ‘gabaritado’ ao STF e propõe taxa mundial sobre super-ricos

Presidente fala sobre cessar-fogo em Gaza, indicação ao Supremo Tribunal Federal e defende imposto global para combater a fome


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 13/10/2025 14:11 • Política
Em Roma, Lula volta a criticar Netanyahu, promete nome ‘gabaritado’ ao STF e propõe taxa mundial sobre super-ricos - Ricardo Stuckert/PR
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Em Roma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ao afirmar que o Brasil não tem problema com o país israelense, mas com seu governo atual ao comentar o cessar-fogo na Faixa de Gaza. Durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (13), o petista também comentou a sucessão no Supremo Tribunal Federal (STF), prometendo indicar um nome “gabaritado” e comprometido com a Constituição para a vaga deixada pelo agora ex-ministro Luís Roberto Barroso.

No mesmo dia, durante discurso na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Lula defendeu a criação de uma taxa mundial de 2% sobre os super-ricos como alternativa para financiar políticas de combate à fome e à desigualdade global. Mais cedo, ele se reuniu, pela primeira vez, com o papa Leão XIV, no Vaticano, em um encontro marcado por diálogos sobre fome, desigualdade social e meio ambiente. 

Lula critica Netanyahu e afirma que relação com Israel segue boa

Durante entrevista coletiva concedida em Roma, Lula declarou que o Brasil não possui divergências com Israel, mas sim com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. O petista foi questionado sobre o acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo Hamas, mediado pelos Estados Unidos, que resultou na liberação de reféns israelenses.

“O Brasil não tem problema com Israel, o Brasil tem problema é com Netanyahu. A hora que Netanyahu não for mais governo, não haverá nenhum problema entre o Brasil e Israel, que sempre tiveram uma relação muito boa”, respondeu o presidente.

A fala reacende o embate diplomático entre os dois líderes, iniciado após críticas de Lula às ações do governo israelense na Faixa de Gaza. Na ocasião, Israel chegou a declarar o presidente brasileiro persona non grata. De acordo com o chefe do Executivo brasileiro, grande parte do povo judeu não apoia o conflito e o cessar-fogo representa um passo importante.

“Eu não sei se é definitivo ou não, mas eu estou feliz porque é um começo muito promissor. O fato do presidente Donald Trump ter ido ao parlamento em Israel, ter falado é muito importante. Eu espero que aqueles que ajudaram Israel na sua posição de virulência agora ajudem a ter uma paz definitiva.”

Indicação ao STF: Lula promete nome “gabaritado”

Durante a mesma entrevista, Lula foi questionado sobre a escolha do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que ocupará a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso após sua aposentadoria. O presidente afirmou que ainda não definiu o nome, mas garantiu que a indicação será técnica e qualificada.

“Eu quero uma pessoa, não sei se mulher ou homem, não sei se preto ou branco, quero uma pessoa gabaritada para assumir. Eu quero um ministro da Suprema Corte que terá como função específica cumprir a Constituição brasileira. É isso que eu quero”.

Entre os cotados para o cargo estão Jorge Messias, atual advogado-geral da União; Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado; Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU); e Daniela Teixeira, ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Lula sobre Carla Zambelli: “pagará pelo que fez”

Lula também foi questionado sobre o caso da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que está detida na Itália após ser condenada à prisão no Brasil. O presidente reagiu com ironia, dizendo que quase não se lembrava da parlamentar, mas garantiu que ela será responsabilizada.

“Eu nem lembrava esse nome [Zambelli]. Eu nem lembrava que ela estava aqui ou não. Para mim é uma pessoa que não merece respeito do que é uma democracia. Ela vai pagar pelo que fez, aqui [em Roma] ou no Brasil.”

Zambelli é acusada de envolvimento em crimes cibernéticos, incluindo a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e enfrenta processo de extradição.

Em Roma, Lula defende imposto global sobre super-ricos

Além das pautas políticas, Lula participou da abertura do Fórum Mundial da Alimentação, promovido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), onde defendeu a criação de um imposto global de 2% sobre os ativos de super-ricos. Segundo ele, a medida permitiria financiar políticas para erradicar a fome no planeta.

“673 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar. Garantir três refeições diárias a essas pessoas custaria cerca de US$ 315 bilhões. Isso representa apenas 12% dos US$ 2,7 trilhões consumidos anualmente com gastos em armas. Estabelecendo o imposto global de 2% sobre os ativos de super-ricos, obteríamos esse montante”, disse Lula.

O presidente relacionou o combate à fome às desigualdades entre ricos e pobres, homens e mulheres, e entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Para ele, uma reforma na arquitetura financeira internacional seria essencial para enfrentar o problema.

“É possível superar a fome por meio de ação governamental, mas governos só podem agir se dispuserem de meios. Ampliar o financiamento ao desenvolvimento, reduzir os custos de empréstimos, aperfeiçoar os sistemas tributários e aliviar a dívida dos países mais pobres são medidas cruciais. Não basta produzir, é preciso distribuir”.

Lula vincula combate à fome e à pobreza aos desafios climáticos

Ao abordar a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro, em Belém, Lula ressaltou a importância de unir esforços contra a pobreza e a crise climática. Segundo o presidente, a adaptação dos sistemas alimentares às mudanças climáticas exigirá investimentos significativos dos países ricos, defendendo uma cooperação internacional mais forte.

Lula também fez uma crítica às políticas de austeridade e reforçou seu compromisso com programas sociais. “Governos precisam colocar o pobre no orçamento. Não se trata de assistencialismo, mas de justiça social.”

Agenda internacional de paz e inclusão

As declarações de Lula em Roma demonstram uma estratégia de reposicionamento diplomático do Brasil, buscando equilíbrio entre o ativismo social e o protagonismo internacional. Ao mesmo tempo em que se distancia de Netanyahu, o presidente reforça a imagem de mediador e defensor do multilateralismo, propondo medidas concretas contra a fome e pela justiça global.

Suas falas indicam que o governo pretende aliar desenvolvimento econômico, inclusão social e responsabilidade climática, em uma agenda que projeta o Brasil como voz ativa nos debates mundiais.

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Equipe de jornalistas e editores do portal Muita Informação

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