Tarifa zero em xeque: Rui Costa diz que Lula pediu apenas estudos e descarta implantação imediata
Ministro da Casa Civil afirma que ainda não há planos para implantar gratuidade no transporte público e estudos técnicos estão em fase inicial
Bruno Concha/PMS
O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), afirmou, nesta quarta-feira (8), que o governo federal não tem planos de implantar a tarifa zero no transporte público neste ano ou no próximo. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apenas solicitou estudos técnicos sobre a viabilidade da proposta, e “não há nada programado” até o momento.
Em entrevista a rádios da Bahia, o ex-governador esclareceu que o governo está apenas avaliando cenários e que qualquer informação diferente disso é precipitada.
“O que foi solicitado foi apenas estudos, não tem nada programado nem para esse ano, nem para o ano que vem em relação à tarifa zero de transporte público. É bom a gente dizer exatamente o que vai fazer para que a informação precipitada não crie uma falsa expectativa na população”, declarou o ministro.
Governo Lula avalia custos e gargalos do setor
A discussão sobre a tarifa zero ganhou força nas últimas semanas, impulsionada por debates nas redes sociais e pelo apoio de parte da base governista, que vê na proposta uma forma de democratizar o acesso ao transporte urbano. A ideia seria eliminar a cobrança direta das passagens para o usuário, com o custeio do sistema vindo de subsídios públicos.
Na prática, porém, a viabilidade financeira da medida ainda é incerta. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na terça-feira (7) que sua equipe está fazendo uma “radiografia do setor” a pedido do presidente Lula. O levantamento inclui informações sobre quanto custa o sistema, quanto o poder público já subsidia, qual a participação das empresas via vale-transporte e quanto sai do bolso do trabalhador.
Além dos custos, o governo também analisa gargalos e oportunidades tecnológicas que possam reduzir despesas operacionais e tornar o modelo mais sustentável a longo prazo. Haddad reforçou que o estudo é preliminar e não há decisão política sobre a implantação do programa.
Prefeito de Salvador critica proposta e cobra subsídio federal
Em entrevista ao Portal M! em setembro, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), criticou a medida que classificou como “eleitoreira” e avaliou os impactos da tarifa zero para o sistema municipal. Ele afirmou que a medida só seria viável se o governo federal arcasse integralmente com os custos.
“Se o governo federal pagar o subsídio, sim. Não existe almoço de graça e alguém tem que pagar. Hoje, o custo do sistema de Salvador é de R$ 1 bilhão. A prefeitura já destina cerca de R$ 90 milhões por ano para os ônibus, mas não sobra recurso para cobrir o valor total”, declarou o prefeito ao Portal M!.
Bruno Reis também destacou que a proposta exigiria coordenação entre União, estados e municípios, e demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de avanço no atual cenário político.
“Acho que não vai avançar nesse clima do país, mas estou à disposição para discutir números e contribuir para qualquer análise sobre o tema”, afirmou.
Debates devem seguir em 2026
Com o estudo técnico em andamento e a falta de consenso entre governo federal e prefeituras, a proposta da tarifa zero no transporte público deve seguir em discussão ao longo de 2025, sem previsão de implementação. A Casa Civil reforça que qualquer decisão dependerá do resultado dos estudos da equipe econômica e do impacto fiscal estimado para os cofres públicos.
O tema, no entanto, tende a ganhar peso político nas eleições municipais de 2026, quando prefeitos e governadores poderão usar a pauta como bandeira eleitoral — seja defendendo a gratuidade, seja questionando sua viabilidade econômica.
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