‘Careca do INSS’ abandona mansão de R$ 9 milhões em Brasília após operação da PF
Empresário envolvido em fraude no INSS deixa obra parada e causa indignação em bairro nobre
Divulgação/Linkedin
O empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, abandonou a construção de sua mansão de luxo no Lago Sul, em Brasília, após a deflagração da Operação Sem Desconto pela Polícia Federal (PF), em 23 de abril. A obra, estimada em mais de R$ 9 milhões, permanece parada desde a segunda quinzena de maio, sem perspectiva de retomada. Na última sexta-feira (12), Antunes foi preso preventivamente por risco de fuga e por ocultação de patrimônio.
Obra milionária transformada em “elefante branco”
Localizado em um dos bairros mais caros da capital federal, o terreno de 2.109 m² e a construção de 845 m² se destacavam pela imponência. A mansão contaria com cinco quartos, área gourmet, sala de cinema, adega e cinco vagas de garagem, além de piscina de 74 m², pergolado, academia, salão de jogos e galpão para 14 carros. Os vizinhos rapidamente apelidaram o imóvel de “Monstrengo” devido ao tamanho e à arquitetura diferenciada.
Segundo levantamento da coluna, o valor estimado do empreendimento considerou o preço do metro quadrado praticado na região, mas engenheiros consultados apontam que, incluindo projeto, fundação, alvenaria e acabamento, o gasto total poderia chegar a R$ 12 milhões. O Careca do INSS comprou o terreno à vista por R$ 3,3 milhões em abril de 2024 e, imediatamente, mandou demolir a construção anterior.
Abandono e cenário de decadência
Hoje, o que se vê no local são tapumes metálicos, boletos amarelados presos ao muro e galinhas circulando pelo terreno. Tijolos empilhados, vigas de madeira e metal, além de betoneira parada, mostram que a obra foi abruptamente interrompida. O pergolado e algumas palmeiras-imperiais são os únicos sinais de jardim. Antunes informou aos fornecedores que teve seus bens bloqueados, inviabilizando a continuidade da construção.
Reações da vizinhança
Os moradores do Lago Sul demonstram indignação e preocupação com a presença do imóvel inacabado. “Isso aqui é um elefante branco. É de uma cafonice. Coisa de roubo”, disse um vizinho, pedindo anonimato. Outro comenta sobre a altura da construção: “Quem tem uma casa deste tamanho? Só pode ser alguém com cinco filhos.”
Um morador mais antigo reforça o incômodo diário com a obra: “Você não sabe o que é acordar e ver essa desgraça todos os dias.” Ao saber da identidade do proprietário, o mesmo relatou surpresa: “Só tinha ouvido falar que era de um ‘chefão do INSS’.”
Envolvimento em fraudes e investigação
Embora nunca tenha sido servidor do INSS, Antonio Antunes ganhou notoriedade por operar um esquema de fraudes que cobrava descontos indevidos de aposentados e pensionistas. A PF aponta que ele mantinha procurações de associações investigadas e pagava propina a ex-diretores e ao ex-procurador-geral do instituto. O empresário ostentava uma frota de carros de luxo e chegou a adquirir imóveis nos Estados Unidos.
Obras luxuosas e paralisação repentina
Antes da operação da PF, o terreno era movimentado diariamente por pedreiros, caminhões de concreto e betoneiras. Um vídeo publicado nas redes sociais da construtora mostra o uso de “bomba-lança” para revestir toda a laje com concreto armado. Hoje, o local permanece silencioso, com apenas capacetes pendurados no barracão improvisado, lembrando os dias de intensa atividade.
Prisão de “Careca do INSS” e desdobramentos da Operação Cambota
A Polícia Federal prendeu preventivamente Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti nesta última sexta-feira (12) durante a Operação Cambota. A ação, que também cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal, investiga um esquema bilionário de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Antunes é apontado como operador central do golpe, responsável por movimentar R$ 53,5 milhões provenientes de associações que realizavam descontos não autorizados, parte dos quais repassada a servidores da autarquia.
O esquema lesou aposentados em todo o país, causando um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Além da prisão, a investigação resultou em apreensões de luxo, incluindo carros de alto padrão, obras de arte e armas de fogo. A Operação Cambota é um desdobramento da Operação Sem Desconto, que em abril de 2024 já havia bloqueado bens e afastado servidores suspeitos. Paralelamente, a CPMI do INSS intensifica as investigações com quebras de sigilo e busca mapear todo o patrimônio obtido de forma irregular, além de acompanhar o ressarcimento de R$ 1,084 bilhão a 1,6 milhão de beneficiários lesados.
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