Primeira Turma do STF condena Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por trama golpista

Ministro Cristiano Zanin, presidente da 1ª Turma do STF, foi o último a votar e rejeitou a alegação de incompetência da Corte para julgar o ex-presidente


Matheus Calmon
Matheus Calmon 11/09/2025 19:08 • Atualizado em 02/01/2026 10:22 Política
Primeira Turma do STF condena Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por trama golpista - Gustavo Moreno/STF
Reproduzindo artigo
00:00 00:00

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta quinta-feira (11), por 4 votos a 1, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses por cinco crimes envolvendo a trama golpista. Do total da pena, 24 anos e nove meses ocorrerão em regime fechado, enquanto 2 anos e seis meses serão de detenção (pena para crimes de regime semiaberto ou aberto).

A pena do ex-presidente foi determinada da seguinte forma:

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito – 6 anos e 6 meses;
  • Dano qualificado – 2 anos e 6 meses;
  • Golpe de Estado – 8 anos e 2 meses;
  • Deterioração ao patrimônio tombado – 2 anos e 6 meses;
  • Organização criminosa – 7 anos e 7 meses.

Além do ex-presidente, outros sete réus foram condenados pelos crimes. O julgamento marcou o entendimento majoritário do colegiado sobre atos realizados contra a Constituição e o Estado Democrático de Direito. O ministro Cristiano Zanin, presidente da 1ª Turma do STF, foi o último a votar e rejeitou a alegação de incompetência da Corte para julgar o ex-presidente e demais réus.

O magistrado acompanhou os votos do relator Alexandre de Moraes, de Flávio Dino, da ministra Cármen Lúcia que haviam afastado a mesma tese apresentada pelas defesas.

Zanin reafirma competência do STF para julgamento

Em seu voto, Zanin confirmou a competência do STF para processar a ação penal e refutou a alegação de cerceamento de defesa, destacando que os advogados tiveram tempo suficiente para analisar todas as provas e documentos. Segundo ele, a forma como o material foi disponibilizado facilitou o trabalho das defesas.

Antes de sua votação, Zanin havia antecipado que considerava que Bolsonaro cometeu crime ao incitar ataques ao STF e ao próprio relator durante manifestação na Avenida Paulista em 7 de setembro de 2021.

“Aqui todos nós somos juízes, mas temos experiências diversas a partir das nossas carreiras profissionais. E eu me lembro como advogado ter trabalhado com arquivos de 80, 100 terabytes, inclusive sem a disponibilização por link ou por qualquer outro meio, mas sim sala cofre da Polícia Federal fazendo análise”, afirmou Zanin, conforme o Diário do Nordeste.

O ministro também destacou precedentes do Tribunal, citando que quase 1.500 ações sobre o episódio de 8 de janeiro resultaram em cerca de 6.040 condenações transitadas em julgado.

Zanin reforçou que, em julgamento no plenário, a maioria definiu a conexão dos fatos com o inquérito das milícias digitais, entendimento consolidado em outras decisões. O ministro avaliou a conduta individualizada de cada réu e considerou haver provas suficientes para concluir que todos pretendiam romper com o Estado Democrático de Direito.

“A estabilidade da organização, e o próprio direcionamento das ações antes e depois das eleições de 2022, revela a continuidade do projeto em torno do escopo maior da organização, que era a manutenção de grupo específico no poder, independentemente da vontade popular”, apontou Zanin.

Zanin diz que Turmas podem realizar julgamentos de ex-presidentes

O ministro explicou a diferença entre presidentes em exercício, que só podem ser julgados pelo plenário, e ex-presidentes, que podem ser processados pelas Turmas, conforme norma do antigo Regimento Interno. Advogados de Bolsonaro argumentavam que a Primeira Turma configuraria um “juízo de exceção”.

Até março de 2025, processos contra autoridades que já haviam deixado o cargo eram remetidos à 1ª Instância. A mudança no STF manteve na Corte casos relacionados ao exercício do mandato, envolvendo Bolsonaro e ex-ministros como Augusto Heleno, Walter Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e Anderson Torres.

Rejeição de preliminares

Durante sua apresentação, Zanin afastou todas as preliminares apresentadas pela defesa. Ele afirmou que já atuou em processos com volumes de 80 a 100 terabytes de provas e que, no caso de Bolsonaro, a análise do material foi até facilitada para os advogados.

O ministro declarou não ver “nenhuma nova causa” que justificasse a suspensão do julgamento por excesso de documentos, conhecido como document dump, e rejeitou alegações de cerceamento de defesa, destacando que eventuais dificuldades técnicas deveriam ser resolvidas pelas próprias defesas.

Sobre a delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid Barbosa, Zanin disse não ter identificado vícios. Ele também afastou questionamentos sobre a condução de depoimentos por Alexandre de Moraes, afirmando que a legislação permite a participação ativa do magistrado em interrogatórios.

Confira lista de crimes e condenações

Além de Bolsonaro, foram condenados Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF; Augusto Heleno, ex-ministro do GSI; Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.

O julgamento apresentou diferentes placares devido à divergência do ministro Luiz Fux em pontos específicos e à análise parcial da denúncia contra Ramagem. Confira:

  • Bolsonaro, Garnier, Torres, Heleno e Nogueira foram condenados por organização criminosa, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de direito, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado, com 4 votos a 1.
  • Ramagem foi condenado pelos crimes de organização criminosa, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito por 4 votos a 1. A análise de dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado foi suspensa.
  • Mauro Cid e Braga Netto tiveram condenação unânime, 5 a 0, pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, enquanto pelos demais crimes o placar foi de 4 a 1.
Matheus Calmon

Matheus Calmon

Matheus é jornalista, pós-graduado em jornalismo digital e especialista em contar histórias que informam e conectam, com paixão por investigar, escrever e dar voz a questões que importam.

Mais Lidas

Política

Últimas Notícias

Desemprego atinge 5,1% em dezembro e mercado de trabalho tem melhor resultado desde 2012 -
Cidades 30/01/2026 às 12:07

Desemprego atinge 5,1% em dezembro e mercado de trabalho tem melhor resultado desde 2012

Dados do IBGE apontam recordes de ocupação, avanço do emprego formal e crescimento da renda média dos trabalhadores


Jerônimo Rodrigues lança Carnaval do interior em Juazeiro com foco em segurança e cultura -
Carnaval 2026 30/01/2026 às 11:36

Jerônimo Rodrigues lança Carnaval do interior em Juazeiro com foco em segurança e cultura

Governador anuncia investimento de R$ 17 milhões no programa Ouro Negro e reforço de 13 mil profissionais de segurança em 111 cidades


Ricardo Maracajá encerra ciclo no TRE-BA após um ano e oito meses -
Política 30/01/2026 às 11:05

Ricardo Maracajá encerra ciclo no TRE-BA após um ano e oito meses

Passagem pela Corte Eleitoral baiana é marcada por reconhecimento unânime de magistrados e representantes do Ministério Público Federal


Efeito Caiado muda o jogo: PSD articula chapa puro-sangue e ‘xerifão da República’, diz João Santana -
Política 30/01/2026 às 10:34

Efeito Caiado muda o jogo: PSD articula chapa puro-sangue e ‘xerifão da República’, diz João Santana

Para marqueteiro baiano, principal desafio para sigla é sustentar uma candidatura presidencial de oposição sem implodir seus acordos regionais


Vorcaro e ex-presidente do BRB divergem no STF sobre R$ 12 bilhões em créditos -
Política 30/01/2026 às 10:03

Vorcaro e ex-presidente do BRB divergem no STF sobre R$ 12 bilhões em créditos

Acareação no Supremo Tribunal Federal expõe versões conflitantes sobre origem de carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master ao BRB


Binho Galinha depõe em processo sobre milícia e lavagem de dinheiro na Bahia -
Política 30/01/2026 às 09:32

Binho Galinha depõe em processo sobre milícia e lavagem de dinheiro na Bahia

Última audiência de instrução em Feira de Santana reúne deputados, policiais e familiares envolvidos no caso


Resumo BBB 26 de sexta-feira (30): liderança de Maxiane agita a casa, semana do Big Fone e madrugada é marcada por tretas e choro -
BBB 26 30/01/2026 às 09:01

Resumo BBB 26 de sexta-feira (30): liderança de Maxiane agita a casa, semana do Big Fone e madrugada é marcada por tretas e choro

Vitória na Prova do Líder redefine VIP e Xepa, enquanto conflitos com Milena dominam madrugada e semana promete reviravoltas


Lavagem da Ceasinha estreia no Rio Vermelho com cortejo de baianas, música e gastronomia neste domingo -
Cultura 30/01/2026 às 08:30

Lavagem da Ceasinha estreia no Rio Vermelho com cortejo de baianas, música e gastronomia neste domingo

Evento gratuito acontece na Ceasinha do Rio Vermelho e antecede a programação oficial da Festa de Iemanjá


Flávio Dino rejeita ação contra renovação automática da CNH por falta de legitimidade -
Cidades 30/01/2026 às 08:00

Flávio Dino rejeita ação contra renovação automática da CNH por falta de legitimidade

Ministro do Supremo Tribunal Federal considerou que entidade autora não tem legitimidade para questionar medida federal


85 Frases Engraçadas: mensagens divertidas para status, legendas e risadas garantidas -
Artigos e afins 30/01/2026 às 07:45

85 Frases Engraçadas: mensagens divertidas para status, legendas e risadas garantidas

Confira 85 frases engraçadas para status e legendas: humor leve, ironia e deboches do bem para arrancar risadas no WhatsApp e Instagram.