Renan Ribeiro destaca a força da música, da improvisação e da pluralidade no Todo Mundo Faz Teatro
Diretor de teatro descreve como as mostras são construídas para cada turma e revela bastidores da criação de ‘Entre o Céu e a Terra’
Equipe M!
O diretor teatral, músico e cofundador do Todo Mundo Faz Teatro ao lado de Filinto Coelho, Renan Ribeiro carrega no corpo e na voz o entusiasmo de quem vive há mais de três décadas com o propósito de aproximar pessoas da linguagem artística. Para ele, o teatro é ponte, descoberta, jogo e disciplina, e é disso que nasce o sucesso do curso, que acaba de completar 34 anos de trajetória em Salvador.
Em entrevista ao editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, nesta última terça-feira (3), Renan descreveu a experiência de conduzir turmas tão diversas ao longo desse tempo como um privilégio. O método, ele explica, não é rígido, mas orgânico: apoia-se na escuta, no improviso, na musicalidade e na compreensão de que cada pessoa chega com uma história, e todas cabem no mesmo processo.
“É uma maravilha, né? Essa experiência desses 34 anos que a gente tem esse prazer da alegria através de uma disciplina, de um método que cada vez fica mais forte”, disse ao Portal M! durante a apresentação do espetáculo Entre o Céu e a Terra, resultado da nova turma.
Um curso sem filtros, testes ou rótulos
Um dos princípios que diferencia o Todo Mundo Faz Teatro é o fato de não exigir testes, pré-requisitos ou qualquer tipo de cobrança técnica antes da inscrição. Renan defende que é justamente isso que torna a experiência mais rica.
“A gente não determina rótulos. A pessoa diz ‘não tenho voz’, ‘não canto’, ‘não sou ator’. Aqui não tem teste, não tem nada disso. Se tem interesse em entrar nesse universo, entra”, afirmou ao Portal M!.
Durante 4 meses, os alunos vivem um mergulho que reúne teatro, canto e movimento, uma herança da origem do teatro como arte completa, onde corpo e voz contam a mesma história. Renan lembra que, na estrutura do curso, o canto não é um adendo, mas parte essencial do processo. “O teatro sempre foi tudo junto. Aqui inclui teatro e inclui canto”, explica.

Mostras: criação exclusiva de cada grupo
Quando chega o momento de criar a mostra final, Renan e o professor Filinto Coelho observam a turma, escutam suas dinâmicas e identificam o que aquela combinação específica de pessoas pode contar. Nada é roteirizado previamente. Nesta edição, Renan escolheu provocar o elenco com a metalinguagem do teatro dentro do próprio teatro, conectando essa estrutura a um elemento essencial do curso: a música.
“As mostras são feitas para a turma. No caso do espetáculo Entre o Céu e a Terra, foi feita para o tamanho desse grupo, com essas pessoas. É muito bacana brincar com esse universo. Colocar música dentro da dramaturgia, contar história com arranjos diferentes e deixar saltar a voz”, disse o diretor ao Portal M!.
O espetáculo reuniu trechos inspirados em Shakespeare, coreografias, cenas de improviso e músicas de Cazuza, além da canção Somos, composta por Renan especialmente para a montagem. A música, para ele, é uma ferramenta que revela quem cada aluno é. “A gente é o que soa. Tanto falando quanto cantando. Abrir essa porta é muito bacana”, diz, citando um princípio que também atravessa práticas da musicoterapia.
Pluralidade como combustível criativo
Ao longo de 34 anos, o “Todo Mundo Faz Teatro” acolheu turmas completamente diferentes: adolescentes tímidos, engenheiros em busca de leveza, profissionais de saúde exaustos, advogados, psicólogos, aposentados e até alunos assíduos há duas décadas. Renan se diverte ao lembrar dessas fases.
“Tem alunos que fazem há 20 anos. Tem turma com engenheiros, outras com gente da área de saúde, outras só de iniciantes. Essa pluralidade é muito bacana”, afirma.
Lidar com tanta diversidade exige leitura sensível e refinamento, mas o diretor acredita que é justamente isso que mantém vivo o espírito do curso. Para ele, organizar essas diferenças para que exista um resultado coletivo no palco é um dos maiores desafios, e também um dos maiores prazeres.

Entre o Céu e a Terra: um retrato do processo
Resultado direto do percurso vivido pela turma ao longo dos quatro meses de formação, Entre o Céu e a Terra levou ao palco do Teatro Molière a síntese do método conduzido por Renan Ribeiro e Filinto Coelho.
A montagem nasceu de improvisações, exercícios de presença, descobertas vocais e leituras coletivas, refletindo a espontaneidade, o humor e a intensidade que caracterizam o Todo Mundo Faz Teatro. Entre os integrantes estava o jornalista e editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, que acompanhou cada etapa do processo.
Enquanto a mostra ecoa nos corredores do Molière, Renan já prepara os próximos passos. As matrículas para o Todo Mundo Faz Teatro serão abertas em janeiro, e o início das aulas está previsto para março, logo após o Carnaval. “É fácil achar a gente nas redes sociais. Estamos no Instagram, no @todomundofazteatro. Os cursos estão de portas abertas para quem quiser conhecer”, reforça.
Rayllanna Lima
Rayllanna Lima é jornalista e especialista em Marketing e Growth, movida pelo desejo de transformar dados em narrativas que informam, conectam e inspiram. Autora do livro Renascer, reúne experiências em veículos de comunicação, agências e empresas dos setores de energia e pesquisa de mercado, com foco em integrar pessoas, marcas e propósito.
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