Manifesto do PSOL lança Kleber Rosa ao Governo da Bahia e critica 20 anos de gestão petista
Iniciativa parte do desempenho histórico do psolista nas eleições municipais de 2024
Erlon Sousa
As principais correntes internas do PSOL lançaram, na manhã desta terça-feira (1º), um manifesto em defesa da pré-candidatura de Kleber Rosa ao Governo da Bahia nas eleições de 2026. A iniciativa parte do desempenho histórico do psolista nas eleições municipais de 2024, quando obteve o segundo lugar na disputa pela Prefeitura de Salvador, superando o atual vice-governador, Geraldo Júnior (MDB).
Embora o prefeito Bruno Reis (União Brasil) tenha sido reeleito, em outubro do ano passado, com expressivos 78,67% dos votos válidos ainda no primeiro turno, o resultado de Kleber Rosa em Salvador foi um marco significativo para o PSOL nas eleições municipais de 2024. Com os 10,43% dos votos conquistados, a cidade ocupou a terceira posição no ranking nacional de votos. O baiano teve 10,43% dos votos na capital baiana, ficando atrás apenas de Markito, que obteve 22,23% em Florianópolis e Guilherme Boulos, com 29,07% em São Paulo.
Críticas aos governos petistas e defesa de novo projeto popular
No manifesto, as tendências partidárias apresentam uma avaliação crítica dos 20 anos de governos liderados pelo PT na Bahia. Embora reconheçam que as gestões petistas atuaram como contenção ao retorno do “projeto carlista”, os signatários afirmam que os governos atuais vêm implementando políticas “nocivas para os avanços sociais, econômicos e de garantia da vida do nosso povo”.
A segurança pública aparece como ponto central das críticas. O texto aponta o que chama de “genocídio em curso” contra a juventude negra das periferias, citando os 9 anos consecutivos em que a Polícia Militar da Bahia liderou o ranking de letalidade no país, mesmo o Estado sendo o quarto em população.
Pré-candidatura busca romper com pactos oligárquicos
Segundo o manifesto, a pré-candidatura de Kleber Rosa representa a “construção de um projeto popular, com base em alianças com movimentos sociais, ativistas e intelectuais”, e que “rompe com pactos estabelecidos com oligarquias políticas”. As tendências partidárias defendem um programa ecossocialista, com enfrentamento ao agronegócio, defesa dos direitos das mulheres e da população LGBTQIA+, além de políticas públicas voltadas para emprego, renda e valorização do serviço público.
O texto também denuncia o que considera “sucateamento” da educação estadual e aponta a ausência de investimentos estruturantes em universidades e na valorização dos profissionais da área.
Kleber Rosa cresce no cenário político baiano
Cientista social e ativista do movimento negro, Kleber Rosa tem 50 anos e é o atual coordenador-geral da Federação dos Trabalhadores Públicos da Bahia (Fetrab). Em 2022, ele disputou o Governo da Bahia pelo PSOL contra o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), que deve buscar a reeleição. O psolista ficou em quarto lugar, com 48.239 votos. Dois anos depois, obteve um salto expressivo ao conquistar o segundo lugar nas eleições municipais de Salvador, com 138.610 votos.
“O povo baiano quer viver e com segurança!”, afirma o manifesto, ao destacar a centralidade do tema da segurança pública na construção do projeto de Rosa para o Estado.
Correntes internas que assinam manifesto
O documento é assinado pelas tendências internas do PSOL: Resistência, Insurgência, Subverta, Fortalecer, Coletivo Palmares, Resiste e Frente Nacional de Lutas (FNL). O grupo defende que a pré-candidatura de Kleber Rosa “tem a cara do PSOL” e representa uma candidatura popular com equidade de gênero e compromisso com os valores da liberdade, igualdade e justiça social.
Salvador registra terceira maior votação do PSOL nas capitais brasileiras em 2024
O desempenho do PSOL em Salvador nas eleições municipais de 2024 representou um marco para a legenda. O candidato Kleber Rosa obteve 10,43% dos votos válidos, resultado que posicionou a capital baiana como a terceira cidade do país onde o partido teve melhor desempenho entre todas as capitais brasileiras.
À frente de Rosa, apenas Guilherme Boulos, em São Paulo, com 29,07%, e Markito, em Florianópolis, com 22,23%, conquistaram percentuais mais expressivos para o PSOL. Em Salvador, a votação do psolista foi suficiente para colocá-lo em segundo lugar, atrás apenas do atual prefeito Bruno Reis (União Brasil), e à frente do vice-governador Geraldo Júnior (MDB), que amargou o terceiro lugar, mesmo sendo o candidato apoiado pelo governo estadual.
Essa reconfiguração nas forças eleitorais da capital foi acompanhada de outro avanço relevante: o PSOL dobrou sua bancada na Câmara de Vereadores, elegendo Eliete Paraguassu, primeira vereadora quilombola de Salvador e ativista do combate ao racismo ambiental, e Hamilton Assis, professor e histórico militante de esquerda.
“Essa conquista não é apenas do PSOL, mas de todas as pessoas que acreditam na possibilidade de construção de uma cidade mais igualitária, que combata o racismo, a LGBTfobia e que promova justiça social”, afirmou Kleber Rosa após o resultado na eleição municipal do ano passado.
Para Rosa, o resultado expressa uma guinada política em setores da população soteropolitana, com rejeição ao conservadorismo e busca por uma “verdadeira esquerda” que represente as lutas populares. A votação também indica que o partido consolidou uma base significativa no eleitorado urbano de Salvador.
Confira o ranking das capitais onde o PSOL teve maior votação nas eleições municipais de 2024:
Ranking de desempenho do PSOL nas capitais:
- São Paulo – Guilherme Boulos: 29,07%
- Florianópolis – Markito: 22,23%
- Salvador – Kleber Rosa: 10,43%
- Macapá – Paulo: 9,78%
- Belém – Edmilson: 9,78%
- Vitória – Camila: 5,74%
- Aracaju – Niully: 4,25%
- Rio de Janeiro – Tarcísio: 4,2%
- Recife – Dani Portela: 3,78%
- Curitiba – Andréia: 0,86%
- Boa Vista – Lincoln: 0,85%
- São Luís – Franklin: 0,76%
- Campo Grande – Luzo: 0,70%
- Fortaleza – Tercio: 0,64%
- Teresina – Francinaldo: 0,51%
- Palmas – Luciana: 0,37%
Com essa performance, Salvador consolida-se como uma das principais praças eleitorais do PSOL no país, sinalizando potencial de crescimento da legenda na região Nordeste e no cenário político nacional rumo às eleições de 2026.
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