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Pesquisa reforça necessidade de mais atenção para pacientes com câncer colorretal

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Estudo mostrou que tumores localizados do lado direito têm um prognóstico pior que aqueles situados do lado esquerdo

Um estudo coordenado pelo oncologista baiano Bruno Protásio reforçou a necessidade de maior atenção para alguns pacientes com câncer colorretal (intestino). Março é o mês de conscientização sobre a doença, que está entre as de maior incidência entre homens e mulheres e pode ser muito agressiva quando diagnosticado tardiamente.

Estee tipo de tumor representa 6,5% do total de neoplasias, atrás apenas do câncer de pele não melanoma (31,3% do total de casos), mama feminina (10,5%) e próstata (10,2%).      

A pesquisa, resultado de uma tese de doutorado apresentada pelo médico no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo vinculado à Universidade de São Paulo (ICESP – USP), foi publicada no jornal científico ‘Clinical Colorectal Cancer’, e a tese foi divulgada no portal da USP. Também participaram do estudo Tiago Biachi de Castria, Renato Natalino, Flávia R. Mangone, Daniel Fernandes Saragiotto, Jorge Sabbaga, Paulo M. Hoff e Roger Chamas.

“O estudo reforça um achado já visto em pesquisas internacionais anteriores, só que agora com a população brasileira, e conclui que a localização dos tumores de intestino do lado direito tende a ter um prognóstico pior do que aqueles localizados do lado esquerdo”, afirma Bruno Protásio.

A análise “Impacto prognóstico da localização do tumor primário no câncer colorretal estádio III – evidências do mundo real de uma coorte brasileira” – acompanhou mais de 250 pacientes com câncer de intestino grosso sem metástases quando diagnosticado, e que foram tratados com cirurgia seguida por quimioterapia complementar.

Os voluntários foram acompanhados em média ao longo de cinco anos e, ao final do estudo, os autores identificaram que os pacientes que tinham tumores localizados no lado direito do intestino (ceco, cólon direito e ângulo hepático) apresentaram um pior prognóstico quando comparados aos tumores do lado esquerdo (ângulo esplênico, cólon esquerdo, retossigmóide e reto alto). “Isso reforça a necessidade de redobrar a atenção durante o acompanhamento oncológico destes pacientes com tumores de intestino localizados do lado direito”, destaca o médico responsável pela pesquisa.

Câncer colorretal, estilo de vida e prevenção

O câncer colorretal é associado ao estilo de vida e abrange os tumores que acometem a parte do intestino grosso, chamada cólon, e sua porção final, o reto. Noventa por cento dos casos da doença se originam a partir de pólipos – lesões benignas que se desenvolvem na parede interna do órgão, especialmente a partir dos 50 anos.

Se diagnosticada precocemente, a doença tem chance de cura superior a 90%. De acordo com a o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 45.630 novos casos de câncer colorretal devem ser registrados no Brasil neste ano. Apenas na Bahia, são estimados 1.940 novos casos da doença em 2024.

A obesidade, a alimentação pobre em fibras e rica em alimentos embutidos e industrializados, o sedentarismo e o tabagismo são fatores de risco para o desenvolvimento desse tipo de câncer. Por isso, a mudança de hábitos de vida e a informação são as melhores armas para combater essa doença.

Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo excessivo de carnes vermelhas, gorduras, embutidos, processados e refinados, como salsicha, linguiça, bacon e presunto, aumentam o risco de câncer do intestino.

De acordo com o oncologista Bruno Protásio, “a realização do exame de colonoscopia é a forma mais eficaz de diagnosticar e prevenir os tumores colorretais”. Trata-se de um exame endoscópico do intestino grosso – cólon e reto – onde é introduzido um tubo com uma câmera na extremidade, permitindo detectar e remover pólipos ou tumores malignos em diversos estágios.

A orientação é que o exame seja realizado a partir dos 45 anos e repetido a cada cinco ou dez anos, de acordo com indicação médica, para pessoas assintomáticas e sem fatores de risco, ou seja, sem histórico de câncer de intestino ou pólipos na família, e doença inflamatória intestinal.      

Alterações no hábito intestinal (diarreia ou constipação), sangue nas fezes, fraqueza, perda de peso sem causa aparente, desconforto ou dor abdominal são alguns dos sintomas que podem estar associados ao câncer de intestino. 

Tratamentos

O estadiamento do tumor colorretal, ou seja, a sua extensão e grau de disseminação com relação à localização, envolve o uso de exames de imagem e biópsia, fundamentais para que a equipe médica possa definir o tratamento mais indicado. São muitas as possibilidades para a abordagem terapêutica da doença, e esse leque de tratamentos aumenta a cada dia com a incorporação de terapias mais eficazes e menos tóxicas.      

Os tratamentos, preferencialmente, devem envolver uma equipe multidisciplinar composta por cirurgiões, radioncologistas, oncologistas clínicos, endoscopistas, radiologistas, além das equipes de apoio com psicólogos, nutricionistas, estomaterapeutas e enfermeiras.

Em geral, os tratamentos se dividem em locais (cirurgia aberta laparoscópica ou robótica; radioterapia; embolização e ablação) ou sistêmicos (quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo). “É a indicação adequada dessas modalidades que traz o melhor resultado para os pacientes, tanto para aumentar a possibilidade de cura, como para preservar o reto e evitar a necessidade de colostomia definitiva”, finaliza o especialista.
 

 

 

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