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Paciente aprova nova técnica de reconstrução mamária: “Uma recompensa por todo o processo de dor que eu passei”

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A técnica de enfermagem Ednalva da Silva venceu o câncer de mama duas vezes

A luta contra o câncer de mama possui diversas etapas e, dentre elas, está o cuidado com a autoestima. A mastectomia, que consiste na retirada cirúrgica de toda a mama, é uma das formas de tratamento indicada por oncologistas. Este procedimento, no entanto, por ser invasivo, costuma amedrontar as pacientes e pode abalar a autoimagem.

A reconstrução mamária, o passo seguinte à mastectomia, se trata da reformulação dos seios, incluindo o bico e a auréola. Essa etapa de retomada da autoestima feminina conta com uma nova técnica cirúrgica, a DIEP (Deep Inferior Epigastric Perforator), procedimento que utiliza tecido adiposo e pele retirados do abdômen para reconstruir a mama.

A intervenção foi a escolhida pela técnica de enfermagem Ednalva Souza da Silva, de 44 anos, que precisou passar pela remoção cirúrgica dos seios, a mastectomia bilateral, após um segundo diagnóstico de câncer em menos de cinco anos.

“Eu tive dois diagnósticos de câncer de mama. O primeiro foi em julho de 2016 e o segundo foi em março de 2022. O primeiro diagnóstico foi uma surpresa. Eu já tinha feito recentemente todo o exame periódico que a gente faz durante o ano, só que todo mês eu fazia meu exame de toque e foi justamente nesse exame que eu apalpei o nódulo. […] Eu fiz o processo de quimioterapia, foram 16 sessões. Fiz a cirurgia de retirada do quadrante e 30 sessões de radioterapia. Depois que fiz todo esse processo, fiquei no acompanhamento, que pode durar até cinco anos. Eu estava em contagem regressiva para receber a minha ‘carta de alforria’, quando descobri o segundo câncer”, contou Ednalva ao Portal M!.

A técnica de enfermagem relatou que seus exames indicavam que estava tudo bem, mas que começou a sentir uma leve dor na mama direita. Ao fazer o exame de toque ao longo de alguns dias consecutivos, conseguiu identificar um nódulo bem pequeno. “O segundo diagnóstico foi bem pesado, eu tive muito medo, muita insegurança, porque eu estava no meu processo ainda de recuperação do primeiro. Mesmo com medo, no meu coração, eu tinha certeza que também ia passar pelo segundo”, conta.

Por se tratar do segundo caso de câncer em curto período de tempo, o primeiro aos 37 anos e o segundo aos 45, a indicação de tratamento foi a retirada total da mama. Desta forma, poderia ser possível evitar também a realização de quimioterapia e radioterapia.

Para isso, contudo, era preciso encontrar um cirurgião plástico que fizesse a reconstrução mamária por meio do convênio, o que foi difícil. Diante da demora, a paciente precisou mudar o plano de tratamento, realizou18 sessões de quimioterapia e só depois pôde programar a mastectomia. “Foi um processo o bem complicado, mas deu tudo certo, graças a Deus e ao doutor Leonardo, que eu digo que é um anjo disfaçado de médico”, disse.

O mastologista e cirurgião oncoplástico Leonardo Pires Novais Dias, coordenador do Serviço de Mastologia da Rede MaterDei Salvador e preceptor da Residência em Mastologia do Hospital da Mulher, foi o responsável pela reconstrução e se utilizou do método DIEP.

Segundo ele, o aumento da procura pelo procedimento é considerável, principalmente por possuir benefícios como a probabilidade reduzida de complicações pós-operatórias, como hérnias ou enfraquecimento muscular, que são mais comuns em reconstruções que envolvem sacrifício muscular.

“A preservação dos músculos abdominais promove uma recuperação mais rápida, permitindo que as pacientes retornem às suas atividades cotidianas com maior brevidade. Além disso, como o tecido utilizado na reconstrução é do próprio corpo da paciente, não há risco de rejeição, proporcionando resultados duradouros”, explicou o médico.

Foto: Arquivo pessoal

A DIEP preserva os músculos abdominais, minimizando complicações e oferecendo uma recuperação mais rápida e menos dolorosa para as pacientes. Outro diferencial do método são os resultados estéticos, pois, por utilizar gordura e pele da paciente, a técnica permite que o contorno e a textura sejam semelhantes aos da mama original.

“Como suas características físicas de cor, espessura e textura são ideais para criar uma nova mama, o DIEP aparece na vanguarda da cirurgia reconstrutiva mamária, mas é claro que a escolha da técnica de reconstrução depende das características específicas da doença e de cada paciente”, explicou o especialista.

Por ter tido dois episódios de infecção com prótese, o mastologista indicou que Ednalva da Silva realizasse outro tipo de reconstrução. “No meu caso, foi retirado o tecido do abdômen para reconstruir a mama. É uma técnica nova, e é interessante que eu passei por vários cirurgiões plásticos e nenhum tinha me apresentado essa técnica. Eu estou muito feliz com o resultado. Ficou perfeito, a mama está ótima, a sua aparência física, a forma. Eu sinto como se fosse minha mama normal”, elogia Ednalva.

Além de salientar a naturalidade dos seios, fator que algumas pacientes não encontram com a adoção da prótese, ela ressaltou que, antes do câncer, não estava satisfeita com o próprio corpo, mas que conseguiu isso após o DIEP, mesmo com as cicatrizes que ganhou na mama e na barriga.

“O doutor Leonardo disse que faz a reconstrução mamária e ganha uma abdominoplastia. Eu me sinto assim: eu ganhei uma abdominoplastia! Essa técnica veio como uma recompensa por todo o processo, que eu passei, de tristeza, de dor, de sofrimento. […] Quando eu me olho no espelho, gosto do que eu vejo. Eu tinha uma gordura no abdômen que me incomodava muito, então era complicado achar uma roupa que ficasse legal. Hoje não, eu visto a roupa e eu me sinto bonita”, disse Ednalva, que já concluiu o tratamento. Resta apenas fazer a tatuagem do mamilo e da auréola, procedimento que só deve ser realizado de seis meses a um ano após a mastectomia.

DIEP: o que se sabe e o que falta para popularizá-la

A técnica chamada de Deep Inferior Epigastric Perforator se enquadra como uma reconstrução com tecido autólogo, ou seja, utiliza tecido do próprio corpo do paciente para reconstruir a mama. Pode ser feita utilizando tecido adiposo, músculo ou uma combinação de ambos.

Para que a DIEP seja indicada, é necessário observar as características individuais do paciente, como as condições gerais de saúde, a quantidade de tecido disponível, as expectativas de resultado e as referências pessoais.

Um fator de dificuldade de adoção deste método, no entanto, é a dificuldade de se encontrar convênios que já cubram o DIEP. Além de ser relativamente nova e superficialmente classificada como um procedimento estético, a técnica ainda não faz parte da lista de indicações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a reconstrução mamária em decorrência de câncer. Por isso, os planos de saúde não são pressionados a cobrir a inovação.

“A maior dificuldade que eu tive durante o tratamento foi encontrar um cirurgião plástico para fazer a reconstrução mamária totalmente pelo convênio. Eu e doutor Leonardo, que acompanhou todo o processo de liberação do procedimento, tivemos muita dificuldade. Foram quase cinco meses que o doutor levou para convencer o convênio de que essa cirurgia era necessária e de saúde, não de estética. O convênio entendia que era de estética. Se a técnica não está no rol da OMS, o convênio não tem a obrigação de realizar”, contou Ednalva.

Agora, além de estar saudável, ela se sente bem ao se olhar no espelho e se utiliza como exemplo para fortalecer outras mulheres na luta contra o câncer e no resgate da autoestima. “Deus não escolhe os capacitados, ele capacita os escolhidos”, disse ela, ao dar uma mensagem acolhedora às companheiras de combate à doença.

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