Vixe! ACM Neto vai disputar o governo? Bruno fora do jogo em 2026 pode levar Roma a ser o candidato da oposição? E mais, Lídice credibiliza campanha de Geraldo

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Por Osvaldo Lyra e equipe
15/05/2024 às 11h35
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Foto: Arte/Haron Ribeiro
Foto: Arte/Haron Ribeiro

ACM Neto em 2026? 

O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, vice-presidente nacional do União Brasil, afirmou essa semana que deseja entrar novamente na disputa pelo Palácio de Ondina em 2026. Em entrevista ao jornal Correio, ele admitiu a possibilidade de brigar pelo cargo: "Essa não é minha prioridade. Se as circunstâncias e os astros ajudarem, a ideia é tentar construir uma candidatura para governador. Agora é cedo. É muito cedo para falar sobre isso. Vamos esperar um pouco, tudo no seu tempo, na sua hora. 2026 ainda está longe". 

ACM Neto

Vítima da polarização 

Após falar sobre uma possível candidatura ao governo, ACM Neto afirmou que espera não ser novamente vítima de um "quadro de polarização", que marcou a eleição de 2022. "A gente tem que tentar construir um projeto nacional que possa ter conexão com um projeto na Bahia. Em 2022, nós fomos vítimas de um quadro de polarização, onde eu, infelizmente, não conseguia me encaixar nem de um lado nem de outro por falta de naturalidade, de identidade e de afinidade. Então, eu espero poder participar da construção de um projeto nacional, que ainda está em aberto, que possa ter conexão com um projeto na Bahia. Isso é um desafio, que não é só meu, mas de diversas lideranças no país".

Bolsonaro e Lula

Pior dos três 

Ao fazer uma avaliação sobre a gestão Jerônimo Rodrigues, Neto classificou como "o pior dos três governos" do PT no estado. Ele falou sobre a falta de liderança política e de capacidade de articulação do governador, em comparação com seus antecessores, Jaques Wagner e Rui Costa. "Jerônimo está longe de ter o brilho e a liderança política nata que tem Jaques Wagner. Apesar de eu ser adversário, eu não posso deixar de reconhecer que ele é um líder político. E Jerônimo não tem o mesmo nível que Rui. Eu tenho várias críticas à gestão de Rui, mas ele em si era um sujeito que procurava aprofundar, que se envolvia na gestão. Jerônimo não é um cara brilhante nem na política, nem é um cara brilhante na gestão", disparou.

Jaques Wagner e Jerônimo Rodrigues

Faltam envolvimento e projetos 

ACM Neto criticou também a gestão de Jerônimo, apontando sua ausência de envolvimento na administração e falta de projetos significativos. Ele destacou que muitas das obras realizadas durante o governo são a continuação de projetos iniciados por seu antecessor. "O que a gente vê desses quase um ano e meio de governo de Jerônimo é ele passeando pelo interior direto. É uma forma que ele tem de fugir dos problemas".

Jerônimo Rodrigues

Dor de cotovelo 

A reação imediata às falas do ex-prefeito de Salvador ficou a cargo do presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, Éden Valadares, que rebateu as críticas do adversário. Para Éden, o ex-prefeito não consegue superar a derrota e ainda demonstra preconceito com o interior da Bahia. "A soberba é uma péssima companhia e os próprios aliados de ACM Neto testemunham que ele acreditou no 'já ganhou', achou que era governador antes de abrir as urnas. E a dor de cotovelo pela derrota para Jerônimo parece não ter fim. Neto não superou a derrota e segue destilando ciúme".

Éden Valadares

Ressentimento 

O dirigente petista disse ainda que o ressentimento de ACM Neto é tão nítido que ele elogia os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa, mas não reconhece a grande capacidade de trabalho, de gestão e de liderança política do atual governador: "A inveja que ele tem de Jerônimo é tão grande que ele topa até elogiar Wagner e Rui, mas não admite a capacidade de trabalho do governador. Jerônimo reúne a disposição de diálogo de Wagner com a capacidade de trabalho de Rui e fará um governo ainda melhor".

Jerônimo e Éden

Porta voz da mudança 

O detalhe é que diante da indefinição se ACM Neto será ou não candidato a governador em 2026, o ex-ministro da Cidadania e atual presidente do PL no estado, João Roma, tratou de afirmar que quer ser "o porta-voz do sentimento de mudança do povo baiano" a partir da próxima eleição estadual. Roma admitiu na última semana que está disposto a voltar a disputar o governo baiano em 2026 e que isso não é mero desejo pessoal.

João Roma

Críticas ao PT 

"Não consiste apenas em sonhar em ocupar um cargo, mas ser porta-voz de um sentimento do povo baiano. Nós temos, sim, nossas bandeiras e é fundamental que o povo da Bahia perceba que o estado pode muito mais. Essa é a nossa motivação e estamos preparados para buscar levantar essa bandeira para a população e é isso que vamos seguir". E aproveitou para disparar críticas aos governos petistas. "O PT não entrega o que tem prometido e a Bahia é um claro exemplo disso. Ao contrário do que diz a propaganda, na vida real o baiano tem amargado notícias negativas. Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás estão avançando e a Bahia está ficando para trás. A infraestrutura não chega". 

Bolsonaro e Roma

Ameaça ao futuro político 

O detalhe é que Roma pode mesmo se viabilizar como o nome da oposição na Bahia ao governo em 2026, caso ACM Neto não aceite o desafio de encabeçar a chapa majoritária na disputa estadual. Isso porque, o nome apontado como carta na manga no União Brasil, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, teria começado a descartar para os próprios aliados mais próximos que não deixará a prefeitura em 2026 para se lançar na disputa estadual, como já havia cogitado nos bastidores desde o ano passado. A informação que circula na Praça Municipal é que Bruno teria dificuldade de deixar a gestão da capital baiana, por saber que a população soteropolitana não aceitaria sua renúncia, o que poderia comprometer seu próprio futuro político. 

Bruno Reis

Ana atrapalha planos de Léo 

Como a Coluna Vixe! já havia antecipado, Bruno chegou a cogitar renunciar ao posto de prefeito, repito, caso se reeleja esse ano, passando a gestão em 2026 para seu (ou a sua vice). Esse estaria sendo, inclusive, o ponto de tensão na base governista em Salvador, já que, uma vez reeleita vice-prefeita, Ana Paula Matos não aceitaria levantar da cadeira de prefeita para ceder espaço para o deputado federal Léo Prates, que não esconde o desejo de disputar o comando do Palácio Thome de Souza em 2028. Léo encabeçaria um movimento dos netistas contra a atual vice.  

Leo Prates e Ana Paula Matos

Favoritismo de Bruno 

E por falar no prefeito Bruno Reis, a informação que circulou ontem na Câmara de Vereadores era que teria acontecido uma reunião recente no Palácio Thome de Souza para avaliar o favoritismo do prefeito. Segundo informações extraoficiais, a avaliação é que de nada adianta Bruno estar na dianteira, ter obras importantes para entregar na cidade, se não tiver um exército coeso, do seu lado, na busca por votos na capital baiana.

Bruno Reis

Longe dos holofotes 

Até porque, a partir do dia 6 de julho, ele não poderá mais entregar as obras como faz todos os dias na cidade. Longe dos  holofotes e sem o suporte da publicidade oficial, Bruno passaria a enfrentar a máquina do governo estadual, que estaria azeitada e se articulando para entrar com força no segundo semestre na capital baiana, ocupando a lacuna deixada pelo prefeito. 

Bruno Reis

Cenário indefinido 

Pesquisas contratadas para consumo interno já estariam, inclusive, mostrando o crescimento do candidato do governo ao Thomé de Souza, Geraldo Júnior, do MDB, e a estagnação do seu adversário do União Brasil. A expectativa é que nos próximos dias uma pesquisa seja divulgada mostrando os novos números, para preocupação do prefeito e injeção de ânimo dos opositores na cidade. 

Geraldo Júnior

Credibilidade de Lídice  

Essa semana, inclusive, a deputada Lídice da Mata começou a atuar como coordenadora de campanha de Geraldo. Na segunda, a portas fechadas, ela reuniu cerca de 40 pessoas, entre dirigentes partidários, secretários, deputados federais, estaduais e vereadores na primeira reunião de campanha. Segundo informações de participantes do encontro, foram traçadas estratégias para a campanha deste ano, que terá o prefeito Bruno Reis como principal adversário do emedebista. 

Lídice da Mata

Plano de governo

Sob a batuta de Lídice, o presidente do PV na Bahia, Ivanilson Gomes, foi apresentado como o coordenador do programa de governo de Geraldo. Ele terá o petista Edson Valadares como suporte técnico para elaboração do documento, que será apresentado ao longo da campanha. A informação é que, durante a reunião, ninguém podia fotografar nem usar telefone celular. A aposta é que o vice-governador possa crescer e levar a disputa para o segundo turno. A conferir.

Ivanilson Gomes