Imunoterapia: entenda como funciona tratamento para câncer feito pelo empresário Roberto Justus

Este tipo de procedimento é um dos mais inovadores contra tumores

Por Estadão Conteúdo
12/11/2023 às 20h00
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Foto: Reprodução
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O empresário e apresentador Roberto Justus anunciou nas redes sociais ter se submetido na última  quarta-feira (8), à última sessão de imunoterapia para o tratamento de um câncer de bexiga diagnosticado no ano passado.

Esse tipo de procedimento é um dos mais inovadores contra tumores, mas não é indicado para todos os tipos de câncer nem para todos os perfis de pacientes. Saiba mais sobre a imunoterapia.

O que é imunoterapia?

Em primeiro lugar, é importante entender o que é a imunoterapia e no que ela difere dos tratamentos mais conhecidos para o câncer, como quimioterapia e radioterapia. Na imunoterapia, o medicamento administrado estimula o próprio sistema imunológico do paciente a combater e matar as células cancerígenas.

Na quimioterapia, é a própria droga que vai atacar as células tumorais e, na radioterapia, é a radiação que tem esse papel.

Um dos principais diferenciais da imunoterapia para esses outros dois tipos de tratamento é que ela costuma ter menos efeitos colaterais sobre células saudáveis, ao contrário da químio e rádio, que geralmente atacam células que não estão doentes - daí a explicação para pacientes com câncer terem queda de cabelo, por exemplo. Importante ressaltar que, para alguns pacientes, diferentes tratamentos podem ser combinados para melhores resultados.

Como funciona a imunoterapia?

Por muitos anos, tentou-se a abordagem imunoterápica contra o câncer, com pouco ou nenhum sucesso. O que revolucionou essa área no tratamento oncológico foi a descoberta da imunoterapia feita por meio dos inibidores de check points imunológicos.

Para atacar células doentes, o nosso sistema imunológico usa moléculas de controle que precisam ser ativadas - elas são conhecidas como inibidores de check point. As células cancerígenas costumam usar esses pontos de controle para evitar serem atacadas pelo sistema imunológico.

Os medicamentos imunoterápicos modernos têm como alvo esses pontos de controle, reestabelecendo a atividade destas células da imunidade no combate às células cancerosas, conforme explica o Instituto Oncoguia.

Imunoterapia tem efeitos colaterais?

Ela pode, sim, ter efeitos colaterais, mas eles costumam ser mais brandos e diferentes daqueles observados na quimioterapia.

"A imunoterapia é melhor tolerada que a quimioterapia convencional e tem um perfil de toxicidade mais ameno. Uma grande parte dos pacientes que fazem imunoterapia não tem nenhum efeito colateral, mas como a imunoterapia com remédios 'solta o freio de mão' do sistema imunológico para ele combater o câncer, podem acontecer reações autoimunes em 10% a 15% dos pacientes", explica Tulio Pfiffer, oncologista do Hospital Sírio-Libanês.

"Como a imunoterapia exacerba o nosso sistema imunológico, o paciente pode ter reações como colite, pneumonite, tireoidite", complementa Mariana Laloni, oncologista da Oncoclínicas.

Para quais tipos de câncer a imunoterapia é indicada?

A imunoterapia costuma ter melhores resultados principalmente para melanoma - tipo mais agressivo de câncer de pele -, tumores de pulmão e de bexiga, alguns tipos de câncer de mama e de rim, além de tumores hematológicos, como os linfomas.

"Mas nem todos os pacientes com esses tipos de tumor respondem à imunoterapia. Uma falha que a gente ainda tem é de como identificar de forma precisa quais os pacientes que vão, de fato, se beneficiar", explica Carlos Gil, diretor médico da Oncoclínicas, presidente do Instituto Oncoclínicas e da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Imunoterapia está disponível no SUS?

O acesso a essas terapias ainda é bastante limitado no SUS. "Geralmente só estão disponíveis dentro de protocolos de pesquisas clínicas para teste de novos medicamentos", esclarece Pfiffer.

Os médicos pontuam a necessidade de acelerar a incorporação desse tratamento também na rede pública. "A gente precisa amadurecer nesse campo para reduzir o gap de tratamento entre os pacientes da saúde pública e privada", diz Gil.

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