Ataques de cachorros a rebanhos deixa prejuízo de R$70 milhões na Bahia e deputado pede redução de cães devido aos ataques a ovinos e caprinos
Controle populacional para cães e gatos é apontado como problema de saúde pública
CarlosAmilton/AgênciaAL-BA
O deputado estadual Crisóstomo Lima (PCdoB), mais conhecido como Zó do Sertão, apontou a falta de controle populacional de cães e gatos como um dos principais desafios da saúde pública na Bahia. Em entrevista ao programa De Olho na Bahia, da Rádio Mix Salvador (104.3 FM), o parlamentar alertou que os ataques de cachorros a rebanhos já geraram mais de R$ 70 milhões em prejuízos no Estado.
Em conversa com os jornalistas Osvaldo Lyra (editor-chefe do Portal M!), Matheus Morais, Gomes Nascimento e Catia Rhawllesty, ele afirmou que as matilhas formadas nas cidades e zonas rurais estão atacando tanto pessoas quanto animais, comprometendo atividades econômicas estratégicas.
“As prefeituras precisam cuidar disso. O governo do Estado lançou um programa de R$ 5 milhões em castrações, mas precisa ser contínuo”, destacou.
Agronegócio baiano sofre impactos com tarifação e busca novos mercados
De acordo com o deputado, municípios do interior já registram desistência de criadores devido às perdas. Em Remanso, por exemplo, mais de 3 mil animais foram abatidos por ataques recentes. Zó defendeu que a castração de fêmeas deve ser a prioridade no controle populacional de cães e gatos, reduzindo a reprodução descontrolada e evitando que produtores recorram a medidas ilegais, como envenenamento e abate de animais.
Ao tratar sobre o agronegócio baiano, o parlamentar ressaltou ainda que a produção de manga e uva no Vale do São Francisco é uma das mais afetadas pela tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos. Ele lembrou que 90% da manga exportada pelo Brasil sai da região de Juazeiro e Petrolina, assim como 95% da uva.
Apesar disso, Zó observou que os impactos poderiam ter sido ainda maiores.
“O preço da manga caiu bastante, mas o mercado interno, muito aquecido, tem ajudado a absorver a produção”, afirmou o parlamentar, acrescentando que a uva ainda não foi fortemente prejudicada, já que a colheita e o envio para os EUA ocorrem entre setembro e novembro.
O deputado também defendeu a abertura de novos mercados, como China e Bolívia, para reduzir a dependência do setor em relação aos Estados Unidos. Ele lembrou que, diferentemente de commodities como carne e soja, as frutas não podem ser estocadas, o que aumenta a vulnerabilidade dos produtores.
Além disso, Zó criticou a lentidão no acesso dos pequenos produtores às linhas de crédito disponibilizadas pelo governo federal. Ele citou projetos de colonos em Juazeiro que enfrentam dificuldades para financiar custeio, o que pode comprometer a competitividade da região no mercado global.
Política em Juazeiro e alianças na Bahia
Na entrevista, Zó do Sertão também falou sobre a atual conjuntura da política em Juazeiro. Ele recordou que, nas eleições de 2024, foi pressionado a desistir de disputar a prefeitura, apoiando o atual prefeito, Andrei da Caixa (MDB), eleito com o apoio do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
“Eu fui barrado no baile. Fui o primeiro a desistir da candidatura e apoiar Andrei”, resumiu.
Segundo o parlamentar, a vitória foi fruto da união de lideranças locais contra a gestão da ex-prefeita Suzana Ramos (PSDB), que chegou a ter 73% de rejeição. Ele destacou que, apesar das dificuldades herdadas, o atual prefeito vem conduzindo projetos importantes, como a duplicação da ponte que liga Juazeiro a Petrolina, obra aguardada há décadas.
Zó avaliou ainda que a boa aceitação da gestão de Andrei fortalece a base do governo estadual para 2026, mesmo diante de divisões internas entre partidos aliados. Para ele, a estratégia é manter a unidade em torno de projetos estruturantes que impactem diretamente o desenvolvimento do Sertão e do Semiárido.
Juazeiro como polo estratégico da Bahia
Ao longo da entrevista, o deputado reforçou sua ligação com o Sertão e com o Rio São Francisco, ressaltando que sua atuação política sempre esteve voltada para os interesses da região. Natural de Chique-Chique, mas criado em Juazeiro, ele afirmou que sua identidade política está associada ao Semiárido e ao São Francisco, que moldaram sua trajetória.
A defesa do agronegócio baiano, o enfrentamento do problema do controle populacional de cães e gatos e a busca por soluções políticas que consolidem o desenvolvimento do interior foram apresentados como prioridades do seu mandato. Para Zó, esses temas estão interligados e refletem os desafios de conciliar crescimento econômico, saúde pública e estabilidade política na Bahia.
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