STF reposta entrevista em que autor de best-seller diz que Brasil é mais democrático que os EUA
De acordo com cientista político, o Brasil reagiu de forma coordenada e contundente aos eventos que culminaram nos ataques às sedes dos Três Poderes
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) republicou em seu perfil oficial na rede X (antigo Twitter), nesta terça-feira (22), uma entrevista concedida pelo cientista político e escritor norte-americano Steven Levitsky à BBC News. No conteúdo, o autor do best-seller Como as democracias morrem defende que o Brasil, diante das recentes ameaças institucionais, demonstrou ser uma democracia mais resiliente que os Estados Unidos.
“Acho que hoje o Brasil é um sistema mais democrático do que os Estados Unidos”, disse Levitsky.
Professor da Universidade de Harvard e um dos estudiosos mais renomados sobre regimes democráticos e autoritarismo, Levitsky analisou o comportamento das instituições brasileiras e norte-americanas em momentos críticos. Segundo ele, a resposta institucional brasileira às tentativas de ruptura democrática foi mais eficaz do que a que ocorreu nos Estados Unidos, especialmente após a tentativa de invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, durante o governo Donald Trump.
Para o escritor e professor de Harvard, aqueles que enfrentam 'ameaças' e 'intimidação' de Donald Trump têm mais chance de sucesso em embates comerciais e negociações de tarifa com os EUA: https://t.co/tf7Cg6J6gk pic.twitter.com/p22dkSeref
— BBC News Brasil (@bbcbrasil) July 22, 2025
Atuação firme contra ameaças democráticas
De acordo com o cientista político, o Brasil reagiu de forma coordenada e contundente aos eventos que culminaram nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023. A resposta articulada entre Judiciário, Executivo e Legislativo, na visão do professor, evidenciou um sistema democrático capaz de se defender contra investidas autoritárias.
Nesse contexto, Steven Levitsky destacou o protagonismo do STF, especialmente diante das ações do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é investigado por incitar e articular atos antidemocráticos após ser derrotado nas eleições de 2022. Para o professor, a Suprema Corte brasileira teve um papel decisivo na contenção de abusos e na proteção do processo eleitoral e da ordem constitucional.
Apesar dos elogios, o cientista político também alertou para a necessidade de o STF manter seus limites institucionais uma vez superada a crise. “Sempre que há um órgão não eleito formulando políticas, se está em um território perigoso em uma democracia”, pontuou, defendendo que a Corte volte “ao seu devido lugar” após cumprir seu papel frente à excepcionalidade dos últimos anos.
Julgamento de Bolsonaro e riscos à democracia
Ao comentar sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo, Steven Levitsky foi categórico: “Este é o trabalho do tribunal: julgar Bolsonaro e puni-lo, se ele for de fato considerado culpado”.
A entrevista também mencionou uma possível pressão externa sobre o Brasil. O professor afirmou que figuras que enfrentam “ameaças” e “intimidação” do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, possuem maior margem de negociação em disputas tarifárias ou comerciais. A análise foi citada pela BBC como parte de um contexto mais amplo de tensões políticas internacionais envolvendo líderes populistas e antidemocráticos.
Novo inquérito apura uso de sanções para influenciar julgamento
A republicação da entrevista pelo STF ocorre em meio a um novo inquérito envolvendo Bolsonaro. A investigação, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura uma suposta tentativa de interferência nos trabalhos da Justiça brasileira por meio de sanções impostas ao país durante o governo de Donald Trump. A suspeita é de que o então presidente do Brasil teria articulado uma pressão internacional para constranger o Judiciário e tentar barrar sua responsabilização por atos golpistas.
As declarações de Levitsky, ao serem destacadas pelo STF, reforçam a narrativa de que o Judiciário brasileiro tem buscado proteger os princípios democráticos diante de desafios recentes, ao mesmo tempo em que reacendem o debate sobre os limites da atuação das instituições em cenários de crise.
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