Raul Jungmann morre aos 73 anos em Brasília após trajetória marcante na vida pública brasileira
Ex-ministro e atual dirigente do Ibram recebeu título de cidadão baiano em Salvador e defendeu papel ativo da União na segurança pública
Equipe M!
O ex-ministro e ex-deputado federal Raul Belens Jungmann Pinto morreu, neste último domingo (18), em Brasília, aos 73 anos. Diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) desde 2022, ele estava internado no hospital DF Star e lutava havia anos contra um câncer no pâncreas, com sucessivas internações desde novembro de 2025. A informação foi confirmada oficialmente pelo Ibram
Nascido no Recife, em 3 de abril de 1952, Raul Jungmann construiu uma das carreiras mais extensas da vida pública brasileira, com mais de cinco décadas de atuação política, administrativa e institucional. Ao longo desse período, transitou por diferentes áreas do Estado, como meio ambiente, reforma agrária, defesa nacional, segurança públicae mineração.
Início da trajetória e militância política
Raul Jungmann iniciou sua militância ainda durante a ditadura militar, quando integrou o Partido Comunista Brasileiro (PCB), então na clandestinidade. Posteriormente, filiou-se ao MDB, legenda pela qual passou a atuar de forma institucional no processo de redemocratização.
Sua primeira experiência em cargo executivo ocorreu no início da década de 1990, quando assumiu a Secretaria de Planejamento do governo de Pernambuco. Ao longo dos anos seguintes, teve uma trajetória partidária marcada por passagens pelo MDB, PPS (atual Cidadania) e PMDB, sempre mantendo protagonismo em debates ligados à estrutura do Estado, desenvolvimento e políticas públicas.
Atuação como ministro e presença em governos federais
Raul Jungmann foi ministro em três áreas centrais da administração pública. Durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, comandou o Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Política Fundiária, entre 1999 e 2002, período em que se destacou nos debates sobre reforma agrária, conflitos no campo e organização fundiária. Já no governo do ex-presidente Michel Temer, assumiu primeiro o Ministério da Defesa, entre 2016 e 2018, sendo responsável pela articulação das Forças Armadas e pela coordenação de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em estados afetados por crises de segurança pública.
Em 2018, tornou-se o primeiro ministro da Segurança Pública da história do Brasil, cargo criado naquele ano. À frente da pasta, Jungmann conduziu uma das iniciativas estruturais mais relevantes da área: a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). O modelo estabeleceu bases para integração de inteligência, coordenação operacional entre estados e ampliação do papel da União no financiamento e organização da política de segurança.
A implementação do Susp também reorganizou o uso de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional, ampliando a influência federal sobre uma área tradicionalmente dominada pelos governos estaduais.
Mandatos parlamentares e outras funções públicas
Paralelamente à atuação no Executivo, Raul Jungmann construiu trajetória no Legislativo. Foi deputado federal por Pernambuco em três períodos: 2003–2006, 2007–2010 e 2015–2016. Antes disso, também exerceu mandato como vereador do Recife.
Na Câmara, teve atuação destacada em comissões e frentes parlamentares. Foi vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que investigou desvios na compra de ambulâncias, e integrou a Frente Brasil Sem Armas, durante o referendo de 2005.
Também presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ampliando seu histórico em áreas sensíveis da administração pública. Em determinado momento da carreira, chegou a ser investigado por suspeitas relacionadas a contratos de publicidade no Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas o inquérito foi posteriormente arquivado pela Justiça Federal.
Atuação recente e liderança no setor mineral
Desde março de 2022, Jungmann presidia o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade privada sem fins lucrativos que representa empresas responsáveis por cerca de 85% da produção mineral do país. À frente da instituição, liderou uma agenda voltada à modernização do setor, fortalecimento institucional, sustentabilidade, inovação e alinhamento com princípios ambientais, sociais e de governança (ESG).
“Com imenso pesar, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) comunica o falecimento de Raul Belens Jungmann Pinto, diretor-presidente da instituição, ocorrido em 18 de janeiro de 2026, em Brasília. Em atenção a um desejo de Raul Jungmann, o velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos”, disse parte da nota divulgada pelo Ibram.
Debates públicos
Nos últimos meses, manteve presença ativa no debate público. Em sua última entrevista, tratou do interesse internacional nos minerais críticos e estratégicos do Brasil, destacando limites legais para exploração estrangeira e a necessidade de que negociações respeitassem a soberania nacional. Também integrou, em 2025, um manifesto de ex-ministros da Justiça em defesa do Supremo Tribunal Federal, diante de tensões diplomáticas envolvendo autoridades brasileiras.
Em junho, havia participado de seminário em São Paulo no qual voltou a chamar atenção para a fragilidade estrutural da segurança pública no Brasil, reforçando a importância da integração nacional no enfrentamento ao crime organizado.
Título de Cidadão baiano
Em outubro, Jungmann também esteve em Salvador, onde recebeu o título de cidadão baiano. Durante a sessão especial na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), ele afirmou que as operações policiais no Rio de Janeiro e em outros estados “não enfrentam o cerne das questões”. O ex-ministro também defendeu que o governo federal assuma papel direto na coordenação da segurança pública nacional.
Raul Jungmann deixa dois filhos e uma neta. O velório e a cremação serão realizados em cerimônia restrita a familiares e amigos, em Brasília.
Mais Lidas
Política
Últimas Notícias
Bahia emite primeira CNH do Brasil com processo digital e custos reduzidos
Licia Fábio reúne convidados no Amado em celebração à Iemanjá e revela novidades do Camarote Brown: ‘É o samba na Bahia’
Ao Portal M!, promoter destaca importância da data, das parcerias e dá detalhes dos projetos para o verão e o Carnaval
BBB 26: participantes vão para o ‘Tá Com Nada’ após sequência de punições gravíssimas
Infrações gravíssimas cometidas por Ana Paula Renault e Milena atingem o limite do Vacilômetro e levam todos os participantes à penalização coletiva
Carlos Muniz destaca parceria com o Executivo, projeta avanços para Salvador e adia decisão sobre candidatura do filho
Presidente da CMS diz nova legislatura será marcada pela união entre o Legislativo e o Executivo municipal, com foco em ações para melhorias na cidade
Congresso inicia último ano da legislatura com foco em medidas provisórias, CPIs e articulações para o STF
Retomada dos trabalhos ocorre em meio a calendário eleitoral, análise de vetos e articulações entre Executivo, Legislativo e Judiciário
Kiki Bispo destaca alinhamento entre Câmara e Executivo, projeta agenda de entregas e nega candidatura em 2026
Vice-líder do governo na Câmara destaca alinhamento com o Executivo, diálogo com a oposição e expectativa de avanços em áreas estratégicas
Inmet prevê fevereiro com chuvas acima da média no Norte e Sudeste
Previsão climática mostra contraste entre regiões e reforça atenção para alertas meteorológicos
Rio Vermelho além da Festa de Iemanjá: histórias, curiosidades e perfil de quem vive no bairro
Bairro que abriga a maior celebração à Rainha do Mar combina tradição, moradores antigos e um jeito de viver que cria laços e identidade
Bruno Reis apresenta balanço do segundo mandato com 239 entregas e metas para 2026
Prefeito detalha ações em bairros, obras estruturantes e investimentos em áreas estratégicas durante abertura do ano legislativo em Salvador
Marta Rodrigues nega traição a Coronel e critica gestão de Bruno Reis: ‘Falta de planejamento’
Vereadora petista nega exclusão de senador da chapa majoritária e critica retrocessos na limpeza urbana, asfalto e transporte público da capital
STF abre Ano Judiciário de 2026 com Lula, chefes do Congresso e foco em julgamentos sensíveis
Cerimônia marca retomada das atividades da Corte em meio a críticas, investigações sensíveis e julgamentos de grande impacto nacional