Paulo Fábio diz que ascensão de ACM Neto na política não tem conexão com o carlismo
Cientista político é autor de livros que contam a trajetória de ACM, o avô, nas diferentes fases da política brasileira
Equipe M!
Autor do livro ACM – Político baiano-nacional, cronologia de um fato consumado, que conta a trajetória de Antonio Carlos Magalhães, influente figura política na Bahia e no Brasil, Paulo Fábio Dantas avaliou de forma geral a ascensão do vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, no meio político. A análise foi feita em entrevista exclusiva ao editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, para o programa SobreTudo.
Em contextos histórico distintos, o cientista político atribui parte da ascensão do ex-prefeito de Salvador ao cenário nacional. “O desastre do governo Dilma, o impeachment, a crise que o país ingressou naquele momento, a Lava-Jato e a desmoralização, pelo menos naquele instante, temporária do PT”, iniciou.
“Então, ACM Neto já ganhava, já encorpava. A lógica dessa nova competição não tinha nada a ver com o carlismo, tinha a ver com a situação nacional. Tinha a ver com ACM Neto aparecendo como uma figura de um campo de oposição ao PT, ele apareceu como uma figura catalisadora disso. Catalisadora, inclusive, de votos de gentes da Bahia que eram de esquerda, mas não gostavam do PT, ou passaram a não gostar por causa dos escândalos da Lava-Jato. Como não havia outra alternativa de esquerda clara para a Bahia, como havia em Pernambuco, foi tudo caindo no colo de ACM Neto”, acrescentou.
Portanto, diferente do que muitos apontam, para Paulo Fábio, grande parte do sucesso de ACM Neto na política não teve relação direta ao fato de ele ser ‘herdeiro’ da influência política de seu avô. Além disso, o pesquisador afirma que Neto e ACM fazem parte de conexões políticas distintas.
“O perfil político de ACM Neto foi traçado por quase um destino, pelo seu encaixe na política nacional, enquanto o PT passou a fazer um script da conservação do poder aqui. A manutenção desse grupo se deve, em parte, à personalidade de Lula, sua popularidade e tudo mais, e à utilização dos métodos tradicionais que os governos sempre usaram em um estado como a Bahia”, ponderou.
Paulo Fábio descarta ligação de Neto com ‘regime carlista’
Paulo Fábio Dantas reforça que o contexto no qual Neto foi inserido na política não tinha mais conexão com o regime carlista.
“É um político em ascensão, mas um político que, diferentemente dos seus familiares anteriores, teve que fazer política na oposição. ACM Neto começa a sua carreira na oposição e ele construiu toda a sua carreira na oposição. No primeiro mandato de deputado, ele ainda teve o governo Paulo Souto. Do segundo em diante, passou à oposição nos dois níveis [local e nacional]. Ali, eu acho que ACM Neto não tinha envergadura, não tinha musculatura, não tinha imagem de proeminência para segurar aquele processo”, afirmou.
Para Paulo Fábio, a realidade política de Neto era totalmente diferente da de ACM, já que o avô ganhou relevância política ainda no período autocrático. Outro fator que desconecta o carlismo da imagem do ex-prefeito de Salvador é a decadência deste regime a partir de 2010, segundo o especialista, período em que Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD) deram um fim definitivo ao grupo carlista, depois de vencerem as eleições ao governo da Bahia.
Contexto político pós-carlismo
Questionado sobre a relevância de ACM Neto como um nome para representar e resgatar o carlismo, como dizem muitos políticos do PT e de outros partidos de esquerda, o cientista político reitera que o modelo seguido pelo vice-presidente do União Brasil “não tem nada a ver” com o de seu avô.
“Eu acho que a política de ACM Neto não tem nada a ver com o carlismo. Então, isso é uma discussão morta, porque você não pode identificar um grupo carlista em nenhuma coisa que ficou. Embora, repito, as referências da política carlista, da figura do Antonio Carlos, a memória permanece aí. Mas ela não permanece dirigida para um determinado grupo, para um determinado líder, para um determinado político”, explicou.
Em seu livro que conta a trajetória política de ACM, Paulo Fábio Dantas discorda dos que apontam ACM Neto como ‘herdeiro’ do regime carlista e ainda diz que o chamado ‘pós-carlismo’ teve o seu fim em 2010. Por um lado, Antonio Carlos Magalhães era um “centralizador”. Por outro, o ex-prefeito da capital baiana tenta “fazer com que a política gravite no seu entorno”, mas não tem a “envergadura” que o avô tinha em seu contexto político.
Confira a entrevista com Paulo Fábio Dantas na íntegra:
Rodrigo Fernandes
Mais Lidas
‘O MDB não abre mão da posição da vice’, diz Geddel após almoço com Jerônimo
Política
‘O MDB não abre mão da posição da vice’, diz Geddel após almoço com Jerônimo
Últimas Notícias
Lavagem de Itapuã completa 121 anos e leva mais de 30 atrações às ruas do bairro nesta quinta-feira
Cortejo tradicional, lavagem nativa e apresentações marcam a celebração no bairro
Palmeiras x Vitória: onde assistir ao vivo, horário e prováveis escalações em 4/02/2026
Partida válida pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro será disputada na Arena Barueri, às 21h30
Transalvador inicia campanha de Volta às Aulas com ações educativas no entorno de escolas nesta quarta
Mobilização acontece por dez dias com faixas, materiais informativos e atuação de agentes nos horários de pico
Simm oferece 479 vagas de emprego e estágio com salário de até R$ 8 mil em Salvador nesta quarta-feira
No caso das vagas que exigem experiência, tempo de serviço deve ser comprovado em carteira de trabalho
Hugo Calderano conquista Copa América e garante vaga no Mundial de Macau
Mesatenista brasileiro mantém invencibilidade no torneio e confirma fase consistente no circuito internacional
Polícia Civil lança site para rastrear aparelhos furtados no Carnaval da Bahia; entenda como funciona
Ferramenta integra banco de dados acessado pelas forças policiais em todo o estado
Festa de Iemanjá termina sem crimes graves e registra queda de quase 37% nos furtos em Salvador
Mais de 1.100 agentes atuaram no policiamento, com apreensão de objetos proibidos e uso de tecnologia de reconhecimento facial
Furdunço 2026 reúne grandes nomes da música baiana e movimenta pré-Carnaval de Salvador; confira atrações
Evento ocorre neste sábado (7), reunindo milhares de foliões no circuito Orlando Tapajós, entre o Morro do Gato e o Farol da Barra
Câmara aprova criação de cargos em ministérios com impacto de até R$ 5,3 bilhões em 2026
Matéria reúne diferentes propostas de iniciativa do Poder Executivo e foi aprovada em votação simbólica, sem o registro individual do posicionamento dos parlamentares
Senado aprova MP do Gás do Povo com impacto de R$ 5,1 bilhões no Orçamento; texto segue para sanção de Lula
Programa amplia alcance do vale-gás e prevê novas regras para revendas