Paulo Fábio diz que ascensão de ACM Neto na política não tem conexão com o carlismo

Cientista político é autor de livros que contam a trajetória de ACM, o avô, nas diferentes fases da política brasileira


Rodrigo FernandesOsvaldo Lyra
Rodrigo Fernandes e Osvaldo Lyra 16/11/2024 09:20 • Política
Paulo Fábio diz que ascensão de ACM Neto na política não tem conexão com o carlismo - Equipe M!
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Autor do livro ACM – Político baiano-nacional, cronologia de um fato consumado, que conta a trajetória de Antonio Carlos Magalhães, influente figura política na Bahia e no Brasil, Paulo Fábio Dantas avaliou de forma geral a ascensão do vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, no meio político. A análise foi feita em entrevista exclusiva ao editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, para o programa SobreTudo.

Em contextos histórico distintos, o cientista político atribui parte da ascensão do ex-prefeito de Salvador ao cenário nacional. “O desastre do governo Dilma, o impeachment, a crise que o país ingressou naquele momento, a Lava-Jato e a desmoralização, pelo menos naquele instante, temporária do PT”, iniciou.

“Então, ACM Neto já ganhava, já encorpava. A lógica dessa nova competição não tinha nada a ver com o carlismo, tinha a ver com a situação nacional. Tinha a ver com ACM Neto aparecendo como uma figura de um campo de oposição ao PT, ele apareceu como uma figura catalisadora disso. Catalisadora, inclusive, de votos de gentes da Bahia que eram de esquerda, mas não gostavam do PT, ou passaram a não gostar por causa dos escândalos da Lava-Jato. Como não havia outra alternativa de esquerda clara para a Bahia, como havia em Pernambuco, foi tudo caindo no colo de ACM Neto”, acrescentou.

Portanto, diferente do que muitos apontam, para Paulo Fábio, grande parte do sucesso de ACM Neto na política não teve relação direta ao fato de ele ser ‘herdeiro’ da influência política de seu avô. Além disso, o pesquisador afirma que Neto e ACM fazem parte de conexões políticas distintas.

“O perfil político de ACM Neto foi traçado por quase um destino, pelo seu encaixe na política nacional, enquanto o PT passou a fazer um script da conservação do poder aqui. A manutenção desse grupo se deve, em parte, à personalidade de Lula, sua popularidade e tudo mais, e à utilização dos métodos tradicionais que os governos sempre usaram em um estado como a Bahia”, ponderou.

Paulo Fábio descarta ligação de Neto com ‘regime carlista’

Paulo Fábio Dantas reforça que o contexto no qual Neto foi inserido na política não tinha mais conexão com o regime carlista.

“É um político em ascensão, mas um político que, diferentemente dos seus familiares anteriores, teve que fazer política na oposição. ACM Neto começa a sua carreira na oposição e ele construiu toda a sua carreira na oposição. No primeiro mandato de deputado, ele ainda teve o governo Paulo Souto. Do segundo em diante, passou à oposição nos dois níveis [local e nacional]. Ali, eu acho que ACM Neto não tinha envergadura, não tinha musculatura, não tinha imagem de proeminência para segurar aquele processo”, afirmou.

Para Paulo Fábio, a realidade política de Neto era totalmente diferente da de ACM, já que o avô ganhou relevância política ainda no período autocrático. Outro fator que desconecta o carlismo da imagem do ex-prefeito de Salvador é a decadência deste regime a partir de 2010, segundo o especialista, período em que Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD) deram um fim definitivo ao grupo carlista, depois de vencerem as eleições ao governo da Bahia.

Contexto político pós-carlismo

Questionado sobre a relevância de ACM Neto como um nome para representar e resgatar o carlismo, como dizem muitos políticos do PT e de outros partidos de esquerda, o cientista político reitera que o modelo seguido pelo vice-presidente do União Brasil “não tem nada a ver” com o de seu avô.

“Eu acho que a política de ACM Neto não tem nada a ver com o carlismo. Então, isso é uma discussão morta, porque você não pode identificar um grupo carlista em nenhuma coisa que ficou. Embora, repito, as referências da política carlista, da figura do Antonio Carlos, a memória permanece aí. Mas ela não permanece dirigida para um determinado grupo, para um determinado líder, para um determinado político”, explicou.

Em seu livro que conta a trajetória política de ACM, Paulo Fábio Dantas discorda dos que apontam ACM Neto como ‘herdeiro’ do regime carlista e ainda diz que o chamado ‘pós-carlismo’ teve o seu fim em 2010. Por um lado, Antonio Carlos Magalhães era um “centralizador”. Por outro, o ex-prefeito da capital baiana tenta “fazer com que a política gravite no seu entorno”, mas não tem a “envergadura” que o avô tinha em seu contexto político.

Confira a entrevista com Paulo Fábio Dantas na íntegra:

Rodrigo Fernandes

Rodrigo Fernandes

Osvaldo Lyra

Osvaldo Lyra

Filho de seu Osvaldo e dona Marinalva, nasceu em Ruy Barbosa, mas foi em Salvador que descobriu o amor pela comunicação e política. Multimídia, passeia por site, rádio, TV, jornal e assessoria. É Muita Informação!

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