OAB cobra explicações ao STF após detenção de advogado por gritos durante julgamento de Bolsonaro
Desembargador aposentado foi detido pela Polícia Judicial do STF por desacato após discutir com seguranças
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou, nesta terça-feira (25), que acompanha com atenção o caso do advogado Sebastião Coelho, desembargador aposentado detido no Supremo Tribunal Federal (STF) após causar tumulto na Corte. A entidade informou que vai discutir o assunto com o STF após receber relatos de cerceamento de defesa.
Em nota, a OAB destacou a importância da presença de advogados em julgamentos. “Todos os advogados com processos pautados tiveram garantido o pleno exercício da sustentação oral — uma prerrogativa basilar da advocacia e do devido processo legal. A OAB recebe a representação de colegas que relatam cerceamento de defesa, e tratará do tema junto ao Supremo”, declarou a instituição.
Confira a nota na íntegra:
“A OAB Nacional acompanha com atenção os desdobramentos da sessão desta terça-feira (25/3), da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, na qual um advogado foi detido sob a alegação de comportamento incompatível com o decoro exigido no plenário da Corte. Os fatos narrados serão apurados com responsabilidade. Todos os advogados com processos pautados tiveram garantido o pleno exercício da sustentação oral — uma prerrogativa basilar da advocacia e do devido processo legal. A OAB recebe a representação de colegas que relatam cerceamento de defesa, e tratará do tema junto ao Supremo. Seguiremos atentos para que a relação entre advogados e magistrados seja sempre marcada por urbanidade e por respeito recíprocos“.
Advogado pede providências à OAB
Sebastião Coelho pediu providências à OAB após ser barrado na sessão da Primeira Turma do STF, onde ocorria o julgamento de Jair Bolsonaro e sete denunciados por tentativa de golpe. A jornalistas, ele criticou a condução do caso.
“Se for para assistir pelo telão, prefiro ver de casa, o que vou fazer agora”, afirmou Coelho ao deixar o tribunal.
O advogado foi detido pela Polícia Judicial do STF por desacato após discutir com seguranças. O incidente aconteceu na manhã desta terça-feira (25), quando Coelho tentou entrar na sala da Primeira Turma sem credenciamento prévio.
Representante de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro e acusado na denúncia, ele foi levado a uma sala isolada, onde teve o celular apreendido antes de ser liberado.
Pedido de preservação de imagens
A defesa de Coelho enviou um requerimento ao STF solicitando a guarda das imagens das câmeras de segurança do prédio. O documento pede que os registros mostrem a condução e detenção do advogado.
“Em caráter urgente requer que sejam preservadas e acauteladas as imagens do circuito interno de vigilância eletrônica do Supremo Tribunal Federal, especialmente os locais em que os advogados foram conduzidos e as câmeras nas quais os seguranças aparecem falando ao telefone com alguém. Ainda, postula a juntada dessas imagens nos autos dessa exceção”, diz o texto.
O pedido também inclui a identificação dos seguranças que interagiram com Coelho e Edson da Silva Marques, outro advogado barrado na entrada. A defesa solicita que eles prestem depoimentos como testemunhas. O objetivo é esclarecer os eventos que levaram à detenção do ex-desembargador. Segundo a defesa, a restrição de acesso viola direitos dos advogados.
“A cena retrata uma gravíssima ofensa às prerrogativas funcionais dos Procuradores. Veja-se que sequer seria necessário ‘reservar’ lugar no plenário, na medida em que o ato processual é de interesse direto de Filipe Martins, assim, seus Procuradores têm direito de se fazer presentes”.
Contexto do julgamento e detenção
O STF justificou a barreira a Coelho por falta de credenciamento antecipado, exigência para quem não está diretamente ligado ao núcleo julgado nesta semana. A Corte analisa denúncias contra Bolsonaro e sete aliados, mas o caso de Filipe Martins, cliente de Coelho, está agendado para outra data. Mesmo assim, o advogado insistiu em acompanhar a sessão presencialmente.
A confusão começou quando Coelho discutiu com seguranças ao ser impedido de entrar. Ele foi acusado de desacato e conduzido por ordem de Alexandre de Moraes, conforme a defesa. Após exigir um representante da OAB, Coelho foi liberado sem boletim de ocorrência.
A defesa contesta a versão do STF. Afirma que Coelho entrou em contato com a secretaria da Primeira Turma na segunda-feira (24) e recebeu informação de que o credenciamento não era necessário. O advogado alega ter sido pego de surpresa pela restrição.
A detenção ocorreu durante a leitura do relatório de Moraes sobre a denúncia de tentativa de golpe. Coelho representa Martins, parte dos 34 denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), mas fora do grupo em julgamento nesta fase.
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