Lula começa 2026 com sua 15ª troca de ministro na Esplanada e articula novas mudanças de cargos
Calendário eleitoral acelera saídas, redesenha cargos estratégicos e pressiona base aliada no Congresso
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou 2026 com 15 trocas ministeriais acumuladas desde o começo do terceiro mandato, e a expectativa no Palácio do Planalto é de que novas mudanças ocorram ainda no primeiro semestre. De acordo com auxiliares do governo, o calendário eleitoral de outubro deve acelerar a saída de ministros que pretendem disputar cargos eletivos, além de abrir espaço para uma reorganização estratégica da Esplanada dos Ministérios.
A movimentação mais recente ocorreu com o pedido de demissão de Ricardo Lewandowski, formalizado na última semana. Com a saída, o Ministério da Justiça e Segurança Pública passou a ser comandado interinamente pelo secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto, enquanto o presidente avalia quem assumirá definitivamente a pasta.
Primeira mudança de 2026 sinaliza novo ciclo de ajustes
A troca no comando da Justiça foi a primeira alteração ministerial do ano, mas, segundo interlocutores do Planalto, está longe de ser a última. Conforme apuração da CNN Brasil, a próxima mudança pode ocorrer no Ministério da Igualdade Racial, atualmente comandado por Anielle Franco.
De acordo com a própria ministra, ela pretende deixar o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. A candidatura deve ser pelo PT do Rio de Janeiro e conta com o aval direto do presidente Lula. Segundo Anielle, ainda não há data definida para a transição, e os detalhes devem ser tratados nas próximas semanas, respeitando os prazos legais de desincompatibilização.
Ministério da Fazenda também entra no radar do Planalto
Outra mudança considerada praticamente certa envolve o Ministério da Fazenda. O atual titular da pasta, Fernando Haddad, já manifestou publicamente a intenção de deixar o cargo até fevereiro. O objetivo, segundo o próprio ministro, é se dedicar integralmente à coordenação da campanha de reeleição de Lula em 2026.
Em declarações feitas à imprensa em dezembro do ano passado, Haddad afirmou que a função política pretendida é incompatível com o comando da Fazenda, dado o grau de responsabilidade e a necessidade de neutralidade institucional exigida pelo cargo. Conforme relatado, o pedido de saída já foi apresentado ao presidente, e a decisão final deve ser tomada ao longo de janeiro.
Reacomodação interna do PT ganha força
Além das saídas motivadas por candidaturas, o presidente Lula avalia uma reacomodação interna de ministros que não disputarão as eleições por estarem em meio de mandato no Senado. Entre os nomes citados estão Wellington Dias e Camilo Santana, ambos ex-governadores e considerados quadros estratégicos do PT no Nordeste.
Wellington Dias é cotado para assumir a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), hoje comandada por Gleisi Hoffmann. Já Camilo Santana aparece como possível nome para a Casa Civil, atualmente sob comando de Rui Costa, reforçando a estratégia de Lula de manter aliados próximos em cargos-chave do governo.
Saídas planejadas para disputa eleitoral
Tanto Gleisi Hoffmann quanto Rui Costa já sinalizaram a intenção de deixar seus cargos em 2026. Gleisi deve concorrer à reeleição como deputada federal pelo Paraná, enquanto Rui Costa planeja disputar uma vaga no Senado pela Bahia, buscando o primeiro mandato como senador.
Camilo Santana também figura entre os nomes cotados para assumir o Ministério da Justiça, substituindo Lewandowski. Outro nome mencionado nos bastidores é Wellington César Lima e Silva, que ocupou a pasta em 2016, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.
Histórico de mudanças marca o terceiro mandato
Desde o início do terceiro mandato, o governo Lula passou por uma sequência de mudanças na Esplanada, envolvendo demissões, realocações e saídas voluntárias. Segundo analistas políticos, o número elevado de trocas reflete tanto ajustes de natureza política quanto crises pontuais enfrentadas por determinadas pastas.
Confira os ministros que deixaram cargos no terceiro mandato de Lula:
- Gonçalves Dias — demitido do Gabinete de Segurança Institucional (2023)
- Daniela Carneiro — demitida (2023)
- Ana Moser — demitida (2023)
- Márcio França — realocado (2023)
- Flávio Dino — deixou o Ministério da Justiça para assumir vaga no STF (2024)
- Silvio Almeida — demitido (2024)
- Paulo Pimenta — demitido (2025)
- Nísia Trindade — demitida (2025)
- Alexandre Padilha — realocado (2025)
- Juscelino Filho — demitido (2025)
- Cida Gonçalves — demitida (2025)
- Carlos Lupi — pediu demissão (2025)
- Márcio Macêdo — demitido (2025)
- Celso Sabino — demitido (2025)
- Ricardo Lewandowski — pediu demissão (2026)
Rayllanna Lima
Rayllanna Lima é jornalista e especialista em Marketing e Growth, movida pelo desejo de transformar dados em narrativas que informam, conectam e inspiram. Autora do livro Renascer, reúne experiências em veículos de comunicação, agências e empresas dos setores de energia e pesquisa de mercado, com foco em integrar pessoas, marcas e propósito.
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