Governo publica decreto que oficializa salário mínimo de R$ 1.621 em 2026
Reajuste combina inflação e crescimento econômico, garante ganho real e deve injetar bilhões na economia
José Cruz/Agência Brasil
O governo federal publicou nesta quarta-feira (24), no Diário Oficial da União (DOU), o decreto que fixa o salário mínimo em R$ 1.621,00 a partir de 1º de janeiro de 2026. O novo valor representa um aumento de 6,79% em relação ao piso atual, de R$ 1.518, o que corresponde a um reajuste nominal de pouco mais de R$ 100.
A definição do novo mínimo segue o modelo de valorização permanente do salário mínimo, retomado pelo governo, que considera não apenas a inflação, mas também o desempenho da economia brasileira. A política está alinhada ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, aprovado na última sexta-feira (19) pelo Congresso Nacional.
Como é calculado novo salário mínimo
Pelas regras em vigor, o salário mínimo é corrigido anualmente com base em dois componentes principais:
- Inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulada em 12 meses até novembro;
- Crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes — neste caso, o desempenho econômico de 2024.
Esse segundo fator está sujeito a um limite máximo de 2,5% ao ano, em razão do arcabouço fiscal, que estabelece regras para o controle dos gastos públicos. A combinação desses índices resultou no reajuste de 6,79%, garantindo ganho real acima da inflação.
Política de valorização garante aumento real
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o atual modelo representa uma mudança significativa em relação às políticas adotadas em governos anteriores. Durante as gestões dos ex-presidentes Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), o reajuste do salário mínimo considerava apenas a inflação, sem aumento real.
Em nota técnica, o Dieese pontuou que esse modelo anterior teve efeitos negativos sobre o poder de compra, especialmente em períodos de inflação elevada.
“Enquanto os preços avançavam continuamente, a recomposição salarial ocorria apenas uma vez ao ano, fazendo com que o salário mínimo real se deteriorasse”, afirmou o órgão.
De acordo com o Dieese, entre 2020 e 2022, a simples reposição inflacionária não foi suficiente para compensar a alta dos alimentos. Eles subiram acima da média geral de preços e impactaram de forma mais intensa as famílias de baixa renda.
Impacto direto sobre trabalhadores e benefícios sociais
O salário mínimo é definido pela Constituição Federal como a menor remuneração que um trabalhador formal pode receber, devendo ser suficiente para atender às necessidades básicas de uma família, como moradia, alimentação, saúde, educação, lazer, higiene e transporte.
Além dos trabalhadores com carteira assinada, o valor do mínimo influencia diretamente aposentadorias, pensões, benefícios assistenciais e programas sociais, ampliando o alcance do reajuste para milhões de brasileiros.
De acordo com estimativas do Dieese, cerca de 62 milhões de pessoas têm rendimentos atrelados ao salário mínimo no país.
Salário ideal ainda está distante, aponta Dieese
Apesar do aumento real, o Dieese avalia que o valor do salário mínimo ainda está longe de atender plenamente ao que prevê a Constituição. Segundo o órgão, o salário mínimo necessário para sustentar adequadamente uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.067,18, com base nos preços registrados em novembro de 2025.
Esse montante equivale a 4,3 vezes o novo salário mínimo nacional, evidenciando o desafio histórico da política salarial brasileira em reduzir desigualdades e garantir condições dignas de vida.
Reajuste deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia
Mesmo com limitações fiscais, o aumento do salário mínimo tem impacto relevante sobre a atividade econômica. O Dieese calcula que o reajuste para R$ 1.621 deve gerar um incremento de R$ 81,7 bilhões na economia brasileira ao longo de 2026.
Esse efeito ocorre principalmente pelo aumento do consumo das famílias, já que trabalhadores e beneficiários tendem a destinar a maior parte da renda adicional para despesas essenciais, movimentando o comércio e os serviços.
Vigência começa em 1º de janeiro de 2026
O novo valor passa a valer oficialmente a partir de 1º de janeiro de 2026, com reflexos nos pagamentos realizados no início do ano. O governo reforça que a política de valorização do salário mínimo busca conciliar responsabilidade fiscal e ganho real de renda, preservando o poder de compra dos trabalhadores e estimulando a economia.
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