Caetano e Gil lideram protesto nacional contra anistia e mudanças penais no Rio
Mobilização ocorreu de forma simultânea em diversas capitais do país, incluindo Salvador
Cris Lucena/Reprodução Instagram @midianinja
Milhares de pessoas se reuniram, neste último domingo (14), em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, em um ato contra a anistia e a redução de penas para condenados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 8 de Janeiro. Artistas como os cantores baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, além da atriz Fernanda Torres, lideraram na capital carioca a mobilização nacional realizada simultaneamente em diversas capitais brasileiras, inclusive, Salvador.
O protesto teve como principal alvo o PL da Dosimetria, já aprovado pela Câmara dos Deputados e atualmente em tramitação no Senado, além de propostas que buscam flexibilizar punições aplicadas aos envolvidos nos ataques às instituições democráticas. Segundo organizadores, o ato também reafirmou a defesa da democracia, a cobrança por responsabilização integral dos autores dos crimes e contra o feminicídio.
“Nós ainda estamos aqui pelas florestas brasileiras, pelos direitos da mulher, pela democracia”, afirmou a atriz Fernanda Torres durante o ato. “Eles não podem trabalhar por si mesmos, ainda estamos aqui”, acrescentou.
Público menor do que em setembro, mas acima de São Paulo
De acordo com levantamento do Monitor do Debate Político, do Cebrap/USP, em parceria com a ONG More in Common, o ato no Rio reuniu cerca de 18,9 mil pessoas, com margem de erro estimada em 12%. Conforme a metodologia, o público pode ter variado entre 16,7 mil e 21,2 mil participantes.
Segundo o mesmo levantamento, o número superou o registrado na Avenida Paulista, em São Paulo, onde o protesto reuniu aproximadamente 13,7 mil pessoas. Ainda assim, ficou abaixo da mobilização realizada em setembro, também em Copacabana, quando cerca de 41,8 mil manifestantes participaram de um ato contra a chamada PEC da Blindagem, que perdeu força política nos meses seguintes.
A manifestação deste domingo teve início no começo da tarde, com um trio elétrico estacionado no Posto 5 da orla, reunindo apresentações musicais, falas políticas e manifestações simbólicas em defesa do Estado Democrático de Direito.
Artistas puxam manifestações culturais e discursos políticos
Entre os artistas que subiram ao palco no Rio estiveram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Fafá de Belém e Fernanda Torres, além de nomes como Lenine, Emicida, Duda Beat, Fernanda Abreu e Xamã. A apresentação do evento ficou a cargo do ator e humorista Paulo Vieira.
Caetano Veloso abriu sua participação com Alegria, Alegria, seguido por músicas como Gente, Vaca Profana e Podres Poderes. Em outro momento, Fernanda Torres dividiu o palco com Chico Buarque, cantando um trecho de Vai Passar, canção frequentemente associada a períodos de resistência democrática no país.

Crédito: Cris Lucena/Reprodução Instagram @midianinja
Também participou do ato o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), que discursou ao público. O parlamentar teve o mandato suspenso por seis meses nesta semana, após ser acusado de agredir um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) em episódio ocorrido no ano passado. As convocações para a manifestação circularam nas redes sociais do Mídia Ninja e do 342 Artes, grupo ligado à produtora Paula Lavigne, e defenderam a necessidade de ampliar a pressão popular sobre o Congresso Nacional.
Bahia: ato na Barra cobra enfrentamento ao feminicídio
Na Bahia, a mobilização ganhou contornos específicos ligados aos direitos das mulheres. Em Salvador, manifestantes se reuniram na orla da Barra, em um ato denominado Mulheres Vivas, que promoveu uma caminhada do Cristo ao Farol com cartazes e faixas em defesa da vida e do fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.
Segundo os organizadores, a manifestação integra uma mobilização nacional impulsionada pela repercussão de casos recentes de violência contra mulheres. Na Bahia, o debate foi intensificado por crimes que ganharam grande repercussão, como o assassinato de Rhianna Alves, mulher trans morta após sofrer um golpe de mata-leão aplicado por um motorista por aplicativo.
Dados da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) indicam que, entre janeiro e 8 de dezembro de 2025, o estado registrou 97 feminicídios. Salvador lidera o ranking entre os municípios, com 10 ocorrências no período, seguida por Feira de Santana e Camaçari.
Protestos se espalham por todas as capitais
Além do Rio e de Salvador, manifestações contra a anistia e o PL da Dosimetria foram registradas em todas as capitais brasileiras. Em São Paulo, o ato ocorreu em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, que chegou a ser totalmente bloqueada.
Em Brasília, manifestantes se concentraram nas imediações do Museu da República e marcharam em direção ao Congresso Nacional. Também houve atos em cidades como Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Belém, Goiânia e Natal, combinando caminhadas, discursos e apresentações culturais.
Entenda o que muda com o PL da Dosimetria
Já aprovado pela Câmara dos Deputados, o PL da Dosimetria unifica os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O texto também reduz o tempo exigido para progressão de pena, permitindo a saída do regime fechado após o cumprimento de um sexto da pena, em vez de um quarto, como determina a legislação atual.
Segundo cálculos apresentados pelo relator da proposta na Câmara, o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), a mudança pode reduzir de forma significativa o tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por liderar um plano de tentativa de golpe.
A proposta será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sob relatoria do senador Esperidião Amin (PP-SC). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que pretende concluir a análise do texto ainda este ano.
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