Espionagem ilegal e obstrução: chefes da Abin são interrogados em investigação explosiva da PF
Depoimentos revelam tensão interna e suspeita de ataque hacker ao Paraguai
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa, prestou depoimento à Polícia Federal, nesta quinta-feira (17), em Brasília. A oitiva durou mais de 5 horas e ocorreu no âmbito do inquérito que investiga um suposto esquema de espionagem ilegal na agência durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Côrrea, que já comandou a própria Polícia Federal, também foi questionado sobre uma possível tentativa de interferir nas investigações em andamento.
Ex-diretor também foi ouvido
No mesmo dia, o ex-diretor-adjunto da Abin, Alessandro Moretti, também compareceu à sede da PF para depor. No momento em que Corrêa deixou o prédio, o depoimento de Moretti ainda estava em andamento. A investigação também apura se houve obstrução por parte da atual gestão da agência no fornecimento de informações consideradas essenciais para o avanço do inquérito.
Um dos temas abordados durante o depoimento foi a suposta espionagem contra autoridades do Paraguai. O conteúdo das declarações permanece sob sigilo. Fontes que acompanham de perto o caso avaliam que esta pode ser uma das últimas etapas antes da conclusão do relatório final da Polícia Federal, que será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O depoimento de Corrêa foi motivado por declarações de um servidor da Abin, que relatou ter ouvido do diretor-geral uma proposta de intervenção na corregedoria da agência. A sugestão teria ocorrido após uma operação de busca e apreensão realizada na sede da Abin, em janeiro do ano passado, como parte das investigações conduzidas pela PF.
“Luiz Fernando falou em tom de desgosto; que Luiz Fernando falou num tom agressivo; que Luiz Fernando falou que deveria fazer uma intervenção na corregedoria; que naquele momento a corregedoria estava colaborando com a diligência de busca e apreensão; que o depoente estavam ajudando a Polícia Federal”, disse um servidor em depoimento.
Na época, o jornal O Globo divulgou que membros da atual gestão da Abin teriam dificultado o acesso da Polícia Federal a dados estratégicos. Entre os investigados, estavam pessoas de confiança de Corrêa, o então diretor-adjunto Moretti e um ex-secretário do órgão. Todos foram alvos da operação realizada no início de 2024.
Suspeita de ataque hacker a autoridades paraguaias amplia crise
A autorização judicial para as diligências foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Na decisão, ele destacou trechos da representação da Polícia Federal em que os investigadores apontam ações da atual gestão da Abin que teriam interferido no andamento das apurações.
No entanto, os agentes ressaltaram que ainda não haviam identificado com clareza o objetivo dessas ações. O ponto decisivo para a PF convocar os depoimentos de Corrêa e Moretti foi a revelação de que o Brasil teria realizado um ataque hacker contra o Paraguai. O objetivo seria acessar informações relacionadas à Usina Hidrelétrica de Itaipu, empreendimento binacional que frequentemente figura em disputas diplomáticas entre os dois países.
A denúncia do suposto ataque agravou a crise entre Brasil e Paraguai, com repercussões no cenário internacional. A suspeita de uso indevido da estrutura de inteligência do Estado brasileiro para fins políticos e estratégicos reforça a gravidade da investigação em curso, com possíveis desdobramentos na esfera judicial e diplomática.
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