Empresa de marketing teria articulado ataques ao Banco Central em defesa do Banco Master
PF vai abrir inquérito para apurar contratação de influenciadores após denúncia de vereador do Rio Grande do Sul
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A Polícia Federal informou, nesta quinta-feira (8), que vai abrir um inquérito para investigar a suposta contratação de influenciadores digitais e agentes políticos com o objetivo de atacar o Banco Central e defender o Banco Master, instituição que sofreu liquidação extrajudicial em novembro de 2025. A apuração surge após revelações jornalísticas apontarem a atuação de uma empresa de marketing de Brasília na articulação de uma campanha digital contra a autoridade monetária.
O caso ganhou repercussão nacional depois que o vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim, no Rio Grande do Sul, relatou publicamente ter sido procurado para participar da ofensiva virtual, proposta que afirma ter recusado.
Investigação passa da esfera política para criminal
A abertura do inquérito marca uma mudança significativa no tratamento do episódio, que deixa de ser apenas um embate político e comunicacional para entrar no campo criminal e investigativo. A Polícia Federal vai apurar possíveis crimes relacionados à manipulação de informação, ataques coordenados a instituições públicas e financiamento de campanhas digitais.
A PF deve analisar contratos, mensagens, termos de confidencialidade e a eventual origem dos recursos usados para tentar mobilizar influenciadores e políticos em defesa do banco liquidado.
Empresa de marketing teria coordenado ofensiva digital
Uma empresa de marketing com sede em Brasília teria atuado diretamente na tentativa de recrutar perfis alinhados à direita política para sustentar a narrativa de que o Banco Master teria sido vítima de uma ação indevida do Banco Central do Brasil. Rony Gabriel afirmou que foi procurado no dia 20 de dezembro por uma empresa que se apresentou como especializada em “gerenciamento de reputação para um grande executivo”.
A proposta, segundo o vereador, envolvia a produção de vídeos nas redes sociais questionando a atuação do BC e defendendo a abertura de uma investigação contra a própria autoridade monetária.
Identificação de intermediário e contrato de confidencialidade
O contato com o vereador teria sido feito por André Salvador, apontado como sócio da Unltd Network Brazil, conforme registros da Receita Federal. O primeiro contato ocorreu por meio de um assessor parlamentar. A empresa teria informado que conduzia um trabalho de gerenciamento de crise para um “grande executivo” e buscava perfis para atuar em uma disputa política descrita como sendo contra “o sistema”, envolvendo esquerda e centrão.
Como parte do processo, foi enviado um termo de confidencialidade, prevendo multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento. Após a assinatura do documento, houve uma reunião remota em que os detalhes do projeto foram apresentados ao vereador.
Projeto estaria ligado ao controlador do Banco Master
O projeto, segundo os relatos, era identificado internamente pelas iniciais DV, em referência a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A estratégia previa a gravação de vídeos exaltando o banco e criticando diretamente o Banco Central, além de questionar publicamente a rapidez da liquidação da instituição.
Entre as orientações, estava também a defesa da abertura de um inquérito no Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar a atuação do BC. Os valores que seriam pagos aos influenciadores ou políticos envolvidos não foram revelados.
Liquidação do banco acirrou disputa de narrativas
O pano de fundo do caso é a decisão do Banco Central de decretar, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master, medida assinada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo. Segundo o BC, a decisão encerrou um ciclo de crescimento acelerado da instituição, sustentado pela captação de recursos com juros muito acima da média do mercado e pela aquisição de ativos de baixa liquidez, como empresas em dificuldades financeiras, precatórios e direitos creditórios.
A avaliação técnica apontou riscos à estabilidade e à solvência do banco.
Caso amplia debate sobre marketing político e desinformação
Com a entrada da Polícia Federal no caso, o episódio amplia o debate sobre o uso de estratégias de marketing político, gerenciamento de crise e campanhas coordenadas em redes sociais para influenciar a opinião pública e pressionar instituições do Estado. Especialistas ouvidos em análises preliminares apontam que a eventual comprovação de financiamento organizado para atacar uma autoridade monetária pode trazer desdobramentos graves, inclusive na esfera penal, dada a relevância do Banco Central para o sistema financeiro nacional.
Até o momento, nem a Unltd Network Brazil nem André Salvador se manifestaram oficialmente sobre as acusações. O Banco Central também não comentou a abertura do inquérito, e o Banco Master mantém silêncio sobre a suposta articulação digital.
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