Em pronunciamento de Natal, Lula faz balanço de 2025, destaca avanços e antecipa debates de 2026

Discurso em rede nacional cita economia, segurança, políticas sociais e aposta na diplomacia para enfrentar crises globais


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 25/12/2025 10:02 • Política
Em pronunciamento de Natal, Lula faz balanço de 2025, destaca avanços e antecipa debates de 2026 - Ricardo Stuckert/PR
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Em pronunciamento de Natal exibido em rede nacional de rádio e televisão na noite desta quarta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que 2025 foi um ano marcado por dificuldades e desafios inéditos, mas celebrou avanços econômicos e sociais do país. Ao longo de seis minutos, o chefe do Executivo destacou o enfrentamento ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, os esforços na área de segurança pública, a saída do Brasil do Mapa da Fome e a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.

Durante o discurso, Lula ressaltou a aposta do governo na diplomacia para enfrentar as barreiras comerciais impostas pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, preservando empresas e empregos. Ele também reconheceu a criminalidade como um dos principais desafios do país, elogiou a atuação da Polícia Federal (PF) no combate ao crime organizado e citou a Operação Carbono Oculto. Ao tratar da segurança, fez um apelo contra a violência às mulheres, defendeu o debate sobre o fim da escala 6×1 e celebrou políticas sociais, como o fortalecimento do Bolsa Família, a saída do Brasil do Mapa da Fome e a isenção do Imposto de Renda, que deve aliviar as contas das famílias a partir de janeiro.

Jornada de trabalho e “direito ao tempo”

Segundo Lula, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho será um dos principais eixos do debate político em 2026, com potencial de mobilizar a base eleitoral do presidente. A proposta defendida pelo presidente prevê o fim da escala 6×1, com a adoção de um modelo 5×2, além da redução da carga semanal de 44 para 40 horas, sem impacto nos salários dos trabalhadores regidos pela CLT.

Na avaliação do presidente, a atual escala 6×1 impõe restrições excessivas à vida pessoal e familiar dos trabalhadores, dificultando o descanso, o lazer e o acompanhamento da vida dos filhos. O petista sustenta que o chamado “direito ao tempo” deve ser incorporado às políticas públicas, especialmente em um contexto de mudanças no mundo do trabalho.

“Não é justo que uma pessoa seja obrigada a trabalhar duro durante seis dias, e que tenha apenas um dia para descansar o corpo e a cabeça, passear com a família, cuidar da casa, se divertir e acompanhar de perto o crescimento dos filhos”, disse o presidente.

A proposta ainda será debatida com o Congresso Nacional e setores empresariais, mas a expectativa é de que o tema avance ao longo de 2026. A pauta é tratada internamente como estratégica, ao lado de medidas como a tarifa zero no transporte público, defendida como instrumento de inclusão social.

Isenção do Imposto de Renda e indicadores econômicos

Outro ponto de destaque no pronunciamento foi a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, aprovada pelo Congresso em 2025. Lula avalia a medida como uma das principais vitórias econômicas do período, com impacto direto sobre milhões de famílias.

Segundo o presidentel, a ampliação da faixa de isenção tende a aumentar a renda disponível, estimular o consumo e contribuir para o aquecimento da economia. O petista também citou indicadores positivos, como recordes no emprego com carteira assinada, crescimento da renda média dos trabalhadores e controle da inflação, apontada como a menor em termos acumulados.

Combate ao crime organizado e atuação da Polícia Federal

No campo da segurança pública, Lula destacou a atuação da Polícia Federal e afirmou que o enfrentamento às facções criminosas alcançou, pela primeira vez, os níveis mais altos das estruturas financeiras do crime. O presidente sustenta que dinheiro e influência política não têm sido obstáculos para o avanço das investigações.

Entre os exemplos citados está a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, classificada como a maior ação já realizada contra o crime organizado no País. A narrativa do petista reforça que a estratégia atual prioriza o enfraquecimento financeiro das organizações criminosas, em contraste com operações policiais marcadas por alto índice de letalidade, como a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos no fim de outubro.

Balanço político e programas sociais

Ao avaliar o cenário político de 2025, o presidente afirmou que o período foi marcado pela superação de desafios e pela derrota de grupos que atuaram contra o país, segundo a interpretação do governo. De acordo com Lula, o resultado foi favorável à população, que teria se beneficiado da retomada econômica e da ampliação de políticas públicas.

Entre os programas citados estão Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Novo PAC, Pé-de-Meia, Gás do Povo, Luz do Povo, Agora Tem Especialistas, além da CNH do Brasil e da Transposição do Rio São Francisco. O petista atribui a essas iniciativas a contribuição para a menor taxa de desemprego da história.

Protagonismo internacional e COP30

Na política externa, Lula destacou a realização da COP30 em Belém, apontada pelo governo como um marco na consolidação do Brasil como liderança global na agenda climática. A escolha da capital paraense foi apresentada como simbólica por colocar a Amazônia no centro do debate internacional sobre mudanças climáticas.

O presidente avalia que o evento fortaleceu a imagem do País no exterior e reforçou o discurso ambiental como eixo estratégico da diplomacia brasileira.

Violência contra a mulher e compromisso institucional

O presidente também abordou o tema da violência contra a mulher, afirmando que o governo pretende liderar um esforço nacional articulado, envolvendo ministérios, instituições democráticas e a sociedade civil. Em sua avaliação, os índices elevados desse tipo de crime são incompatíveis com os valores sociais e culturais do país.

Relações com os Estados Unidos e tarifaço

Por fim, Lula comentou o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, que elevou para 50% as taxas sobre produtos brasileiros. O presidente classificou o episódio como um desafio inédito, enfrentado por meio da diplomacia e da negociação internacional.

Apesar do discurso oficial de avanço, parte das tarifas segue em vigor, e algumas autoridades brasileiras continuam sob sanções do governo norte-americano. Segundo o presidente, o Brasil mantém pressão diplomática para a retirada total das medidas, ao mesmo tempo em que comemora a abertura de mais de 500 novos mercados internacionais para produtos nacionais.

“Mostramos ao Brasil e ao mundo que somos do diálogo, da fraternidade e não fugimos da luta. Apostamos na diplomacia, protegemos nossas empresas, evitamos demissões. Negociamos o fim do tarifaço, e ultrapassamos, agora em dezembro, a marca de 500 novos mercados abertos aos nossos produtos”, disse Lula.

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