Davi Alcolumbre confirma favoritismo e é eleito presidente do Senado pela segunda vez
Alcolumbre derrotou Marcos Pontes (PL-SP) e Eduardo Girão (Novo-CE), que conquistaram quatro votos cada
Geraldo Magela/Agência Senado
O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) venceu, neste sábado (1º), a eleição à presidência do Senado Federal com 73 votos. Alcolumbre confirmou o favoritismo, e superou Marcos Pontes (PL-SP) e Eduardo Girão (Novo-CE), que conquistaram quatro votos cada. Outros candidatos, como Soraya Thronicke (Podemos-MS) e Marcos do Val (Podemos-ES), retiraram suas candidaturas.
Alcolumbre conseguiu o apoio de 10 partidos, incluindo o PT e o PL, o que consolidou sua vitória. A eleição foi marcada pela adesão de vários aliados, incluindo o apoio do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que liderou a Casa nos últimos quatro anos.
Alcolumbre defende pacificação no país
Em discurso após a eleição, Alcolumbre defendeu que o Brasil “clama por pacificação” e por um ambiente de “respeito e cordialidade”.
“É nesse contexto que o Congresso Nacional deverá ser porta-voz do sentimento dos brasileiros que nos colocaram aqui. Pensar e agir no sentido de facilitar a vida do cidadão, dando mais oportunidades, mais liberdades, mais sonhos. Por vezes, isso nos exigirá um posicionamento corajoso perante o governo, o Judiciário, a mídia ou o mercado. Nem sempre agradaremos a todos”, afirmou.
O agora presidente do Senado ressaltou ainda, querer ser um “catalisador do desejo deste plenário e ajudar a construir consensos que forem necessários para melhorar a vida da população brasileira”.
Antes mesmo de sua eleição, Alcolumbre já demonstrava ter o controle das negociações, principalmente em relação ao pacote fiscal do governo Lula. O novo presidente prometeu dar celeridade à tramitação de pautas governistas, com foco no plano de corte de gastos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Ele também se comprometeu a atuar para acalmar os ânimos no Parlamento e avançar com o “pacote da democracia”, que inclui projetos de lei como aquele que proíbe militares de assumirem o Ministério da Defesa.
Alcolumbre inicia seu segundo mandato à frente do Senado, após já ter presidido a Casa entre 2019 e 2021. Nos últimos anos, manteve uma posição de destaque ao presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o colegiado mais influente da Casa. Sua trajetória política começou de forma discreta, sendo eleito vereador em Macapá em 2000 e, posteriormente, deputado federal. Em 2014, conquistou uma vaga no Senado.
Em termos de governismo, Alcolumbre tem uma taxa de 84%, o que significa que ele tem alinhado seu voto com as orientações do governo nas pautas do plenário. Apesar de sua forte influência, o senador se envolveu em algumas polêmicas.
Em 2021, ele causou controvérsia ao adiar por quatro meses a sabatina de André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro para o Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, a demora em pautar o projeto de lei que impede supersalários também gerou críticas, pois o senador não designou um relator para a matéria.
A sua relação com os governistas e oposicionistas continua sendo uma marca de sua atuação. Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, afirmou que a relação entre o novo presidente e o governo será semelhante à que existiu entre Rodrigo Pacheco e o Executivo.
Senadores retiraram candidaturas
O senador Marcos do Val (Podemos-ES) retirou sua candidatura à presidência do Senado pouco antes da votação, em um discurso no qual alegou ser alvo de censura por parte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
O parlamentar afirmou que as ações do STF, em colaboração com a Mesa Diretora do Senado, prejudicaram seus direitos, mencionando ações como bloqueios de redes sociais, embargos de salários, a suspensão de seu passaporte diplomático e multas.
“Encerro, deixando claro para todos que prefiro ser um lutador solitário do que um covarde no meio da multidão”, declarou. Em seguida, o senador anunciou sua retirada, destacando a falta de visibilidade de sua candidatura na imprensa, que só a reconheceu no último momento.
“Quero oficializar aqui a retirada da minha candidatura porque fui prejudicado por questões de censura. Só ontem a imprensa descobriu que eu existia como candidato. Não fui, de forma democrática, um candidato. Então, estou retirando porque ficou inviável a possibilidade de uma eleição”, disse do Val.
Pouco após a retirada de Marcos do Val, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), única mulher na disputa, também se afastou da corrida pelo cargo. Em seu discurso, Thronicke falou sobre a importância de o Senado se voltar para as questões relacionadas às mulheres, mencionando temas como emprego, renda e proteção. Ela comparou a situação do Brasil com outros países da América Latina.
“O Brasil está atrás da Argentina, de Cuba, do México, da Bolívia” em várias pautas femininas, afirmou ela, que também abordou a questão da independência dos poderes.
“Se não tivermos uma relação independente e harmônica entre os poderes, de acordo com a Constituição, nunca, nunca seremos respeitados”, disse. A senadora defendeu um Senado que consiga representar adequadamente as demandas da população.
A senadora também reconheceu o cenário político e fez questão de ressaltar sua visão estratégica ao retirar sua candidatura.
“Divergências fazem parte da democracia. Marcar posição também faz parte da democracia. Mas a instituição Senado precisa estar acima de cada um de nós, de cada indivíduo aqui. E foi pensando nisso que, depois de muita reflexão e diálogo com as lideranças, decidi humildemente renunciar à minha candidatura. Pois sou capaz de reconhecer o cenário atual”, disse.
Thronicke finalizou sua fala destacando que sua decisão não significava desistência, mas uma estratégia.
“Sozinha, sem grande parte da imprensa, eu não conseguiria concretizar as mudanças que defendo, mas, unida a outros líderes que compartilham dessas ideias, nós podemos sim construir um Senado mais forte, respeitável e representativo”, concluiu.
Alcolumbre defende revisão de procedimentos no Congresso
Antes da votação, Alcolumbre se comprometeu a atuar para reverter o entendimento da mesa da Câmara dos Deputados e criticou o procedimento que, segundo ele, prejudica os projetos originários do Senador
“Assumo compromisso de atuar para reverter entendimento da mesa da Câmara de apenas apensar nossos projetos aprovados no Senado a projetos ainda em fase inicial da Câmara a fim de que a iniciativa de lá se convirja em originária enquanto dos senadores é esquecida”.
Alcolumbre enfatizou que tanto a mesa da Câmara quanto a do Senado devem seguir a Constituição e as tradições parlamentares.
“A matéria já aprovada em uma casa, e assim com tramitação mais avançada, tem que ser prioritário em relação a outros projetos internos ainda não apreciados”, afirmou o senador.
Ele também abordou a questão das medidas provisórias, um ponto de conflito durante as presidências de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) no Senado e Arthur Lira na Câmara. Alcolumbre defendeu a restauração do processo legislativo das MPs, apontando que a eliminação das comissões mistas, responsáveis pela análise dessas medidas, compromete o papel do Senado Federal.
“Suprimi-las ou negligenciadas não é apenas errado do ponto de vista do processo, é redução do papel do Senado Federal”, disse.
Em seu discurso, Alcolumbre reafirmou seu compromisso com a democracia, ressaltando a necessidade de resistir às simplificações de discursos e rótulos polarizadores.
“Vamos resistir aos atalhos populistas, nenhuma das diferentes correntes políticas é puro anjo ou demônio. Evitemos os rótulos de discursos fáceis, distorções de debates nas redes sociais e simplificações mal intencionadas”, declarou.
Lula parabeniza Davi Alcolumbre por novo mandato na presidência do Senado e do Congresso
Após o resultado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou uma nota oficial para parabenizar o senador Davi Alcolumbre pelo resultado.
“Parabéns ao senador Davi Alcolumbre pelo novo mandato na presidência do Senado e do Congresso Nacional. Um país cresce quando as instituições trabalham em harmonia. Caminharemos juntos na defesa da democracia e na construção de um Brasil mais desenvolvido e menos desigual, com oportunidades para todo o povo brasileiro”, escreveu o petista.
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