Ciro Gomes vê ‘terceira via’ fortalecida para 2026 e prega voto inteligente para romper polarização na Bahia e no Brasil
Ex-ministro critica alinhamento do PDT ao PT, elogia estratégia de Kassab e defende que eleitor separe a disputa estadual da paixão nacional
Divulgação/PSDB
O Brasil não pode mais ser refém de uma escolha baseada apenas no ódio ao adversário. Esta foi a tônica do discurso do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) durante o fórum S.O.S Bahia, realizado nesta quinta-feira (5), em Irecê. Para o líder cearense, o país vive uma “armação ilimitada” na qual o eleitor é empurrado para os extremos, mas a saída para 2026 reside na capacidade da população de separar as correntes políticas e votar com inteligência técnica, e não com paixão ideológica.
“O que a gente precisa entender é que essa é uma eleição em que o eleitor pode escolher, infelizmente, dentro dessa paixão, desses ódios. Mas ele pode escolher o governador de outra corrente diferente, sem precisar contaminar um com o outro. É uma decisão que não pode ser tomada com paixão, nem movida por ódio. Tem que ser tomada com inteligência”, disparou Ciro ao Portal M!, que participa do evento promovido pela Fundação Índigo, dirigida pelo vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto.
Fator Kassab e ‘terceira via’
Ciro Gomes vê nas movimentações de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, um sopro de lucidez estratégica. Ao abrigar governadores como Ratinho Jr. (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS), a legenda estaria criando o “fator C” necessário para atrair os brasileiros que hoje votam apenas para anular o candidato que rejeitam.
“Eu acho que ele [Kassab] está sentindo que tem uma parte grande de brasileiros que está votando no A porque odeia o B e está votando no B porque odeia o A. Ele está explorando a possibilidade de lançar um C, e eu acho que isso é muito bom para o país”, analisou o ex-ministro ao Portal M!, reforçando que essa multiplicidade de nomes fortalece o debate democrático.
Ruptura com PDT e críticas ao ‘imobilismo’ baiano
A saída de Ciro do PDT foi tratada com a crueza de quem vê a política como projeto e não apenas como sigla. Ele justificou o rompimento pelo que chamou de submissão do partido ao PT, o que, segundo ele, inviabilizou sua permanência.
“Saí porque o PDT infelizmente se vendeu com o PT. Essa é a razão política”, cravou.
Ele concorreu à presidência da República em quatro eleições ao longo da carreira. Em 1998, recebeu 10,97% dos votos; em 2002, obteve 11,97%; em 2018, alcançou 12,47%; e, na disputa mais recente, em 2022, conquistou 3,04% dos votos.
Na Bahia, o alvo foi a longevidade do grupo petista no poder, que comanda o Estado há quase 20 anos. O ex-presidenciável classificou como um processo de degradação política.
“ACM Neto é um sopro de modernidade e competência diante de uma esclerose múltipla que está tomando conta do poder na Bahia, que é o abuso do poder político. Eles se juntam para conservar o poder sem projetos, renovando promessas como a da Ponte Salvador-Itaparica, que virou a caricatura maior dessa gente”, pontuou ao Portal M!.
Semiárido e seca no Nordeste
Ainda na entrevista ao Portal M!, Ciro trouxe o debate técnico sobre a infraestrutura hídrica, área que comandou como ministro da Integração Nacional no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2006. Ele alertou que o Semiárido é o polo mais hostil de expulsão de pessoas no Brasil e criticou a falta de um projeto estratégico que dê segurança hídrica à população baiana.
“A Bahia tem, nesse momento, 65 municípios em condição crítica de seca e 2 milhões de pessoas passando dificuldade. Falta ao Brasil um projeto estratégico que enfrente o problema do semiárido, que é o endereço da miséria e da pobreza mais sofrida do país”, alertou.
Ciro lamentou que obras fundamentais, como o Canal dos 102 baianos e o Projeto Baixio de Irecê, avancem de forma lenta ou fiquem restritas a iniciativas privadas pontuais. Para ele, o potencial da região para produzir agricultura de “altíssima linhagem” e exportar frutas para o Japão é desperdiçado por falta de logística e infraestrutura básica, como a estrada de ferro para o Porto de Aratu.
“Eu rio para não chorar, às vezes, vendo a produção extraordinária escoando por estradas vicinais enquanto projetos óbvios estão parados”, concluiu.
Franciano Gomes
Comunicador e autor de projetos culturais e audiovisuais, com atuação em jornalismo, pesquisa documental e desenvolvimento de narrativas voltadas à valorização da cultura brasileira.
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