Após ser chamado de ‘antissemita’ por Flávio Bolsonaro, Lula cita Holocausto e condena discursos de ódio
Presidente afirma que autoritarismo e preconceito levaram ao massacre de milhões de judeus e destaca defesa dos direitos humanos
Valter Campanato/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou uma publicação nas redes sociais, nesta última terça-feira (27), para rebater indiretamente as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que o acusou de antissemitismo durante um evento internacional em Israel. Após críticas, Lula divulgou uma mensagem em referência ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, na qual associou o massacre de judeus promovido pela Alemanha nazista ao autoritarismo, aos discursos de ódio e ao preconceito étnico e religioso.
Sem citar o pré-candidato a presidente, Lula afirmou que recordar o Holocausto é essencial para que a humanidade reflita sobre os riscos do extremismo e da intolerância. Na publicação, o petista ressaltou que o genocídio nazista foi construído a partir da disseminação do ódio e do enfraquecimento das instituições democráticas.
“Hoje – Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto – é preciso recordar os horrores que a humanidade é capaz de cometer contra o próprio ser humano. E lembrar que o autoritarismo, os discursos de ódio e o preconceito étnico e religioso foram as peças com as quais essa grande tragédia do século XX foi construída”, disse Lula.
Presidente menciona Holocausto no mesmo dia das acusações
Na postagem, Lula afirmou que o 27 de janeiro é uma data para lembrar “os horrores que a humanidade é capaz de cometer contra o próprio ser humano”. Segundo ele, o autoritarismo e os discursos de ódio foram peças centrais na construção da maior tragédia do século XX, em referência ao assassinato de milhões de judeus pelo regime liderado por Adolf Hitler.
O presidente ressaltou que a memória do Holocausto deve servir como alerta permanente contra o preconceito e a intolerância. Lula também afirmou que a data representa um momento de solidariedade às vítimas e às famílias destruídas pela perseguição promovida pelo nazismo.
“Um dia de recordar os que perderam suas vidas e prestar solidariedade às milhões de famílias destruídas e ao sofrimento de todo um povo. Um dia de defesa dos Direitos Humanos, da convivência pacífica e das instituições democráticas, elementos fundamentais do mundo mais justo que queremos deixar para as próximas gerações”, afirmou Lula.
De acordo com o presidente, o dia deve ser compreendido como um marco na defesa dos direitos humanos, da convivência pacífica entre os povos e do fortalecimento das instituições democráticas.
Lula recorda papel do Brasil na criação da data na ONU
Na mesma publicação, Lula lembrou que, em 2004, durante seu primeiro mandato, assinou uma petição enviada à Organização das Nações Unidas (ONU) que resultou no reconhecimento oficial do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. A data foi aprovada pela Assembleia Geral da ONU no ano seguinte.
Segundo o presidente, a iniciativa buscou instituir um momento oficial para recordar os mortos, prestar solidariedade às famílias atingidas e reforçar o compromisso da comunidade internacional com a prevenção de crimes contra a humanidade. Lula afirmou que o dia 27 de janeiro deve ser um símbolo permanente da luta contra o racismo, o antissemitismo, a xenofobia e todas as formas de discriminação.
27 de janeiro marca libertação de Auschwitz
A escolha da data remete a 27 de janeiro de 1945, quando tropas soviéticas libertaram o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, localizado no Sul da Polônia. Considerado o maior complexo nazista, o local foi palco do assassinato em massa de judeus e de outros grupos perseguidos pelo regime nazista.
Estimativas históricas apontam que entre 1,3 milhão e 3 milhões de pessoas morreram em Auschwitz. O genocídio promovido pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial vitimou milhões de judeus, além de ciganos, poloneses, homossexuais, pessoas com deficiência, comunistas e outros grupos considerados “indesejáveis” pelo regime.
Declaração ocorre após fala de Flávio Bolsonaro em Israel
A manifestação de Lula ocorreu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro chamou o presidente de antissemita, durante participação na Conferência Anual de Combate ao Antissemitismo, realizada em Israel. No discurso, o senador afirmou que suas críticas se baseiam em posições adotadas pelo governo brasileiro no cenário internacional, especialmente em relação ao conflito no Oriente Médio.
Flávio declarou que Lula teria deixado de condenar o Hamas para atacar Israel e afirmou que o Brasil integra um grupo de países que, segundo ele, adotam posturas que favorecem o terrorismo. Pré-candidato à Presidência da República, o senador disse que, se eleito, adotará uma política externa alinhada a Israel.
Ainda durante o evento, Flávio afirmou que o próximo presidente brasileiro não será persona non grata em Israel. Ele fez referência ao episódio de 2024, quando o ministro das Relações Exteriores israelense declarou Lula persona non grata após falas do petista comparando a ofensiva em Gaza ao extermínio de judeus na Alemanha nazista.
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