Alckmin afasta risco de impacto comercial entre Brasil e EUA após condenação de Bolsonaro
Vice-presidente reforça que decisão do STF não interfere em política regulatória e destaca crescimento do setor automotivo
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento e Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), afastou, neste sábado (13), a possibilidade de que a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cause dificuldades nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, não há nenhuma relação entre a decisão da Suprema Corte e a política regulatória.
“Entendo que não, porque não há nenhuma relação entre decisão do Poder Judiciário e política regulatória. Imposto de importação é política regulatória”, afirmou.
Ainda de acordo com o ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem orientado a manutenção do diálogo e das negociações para evitar aumentos tarifários. “Nós estamos permanentemente trabalhando, porque não há justificativa para o tarifaço. Dos dez produtos que os EUA mais exportam para nós, oito têm tarifa zero. E a tarifa média para entrar no Brasil é 2,7%”, destacou.
Crescimento do setor automotivo e impacto tributário
Durante o evento em Brasília, Alckmin também comentou sobre o desempenho do mercado automotivo, especialmente de veículos sustentáveis. Ele informou que houve aumento de 26,1% nas vendas entre 11 de julho e 11 de setembro. Para o ministro, esse resultado comprova o impacto positivo da redução de tributos. “Quando reduz o imposto, vende mais”, declarou.
O vice-presidente frisou ainda que os Estados Unidos registram superávit comercial em relação ao Brasil e que suas exportações ao mercado brasileiro cresceram 12% neste ano. “Vamos trabalhar para reduzir impostos ao Brasil”, completou.
Lula reage a pressões externas
Na última quinta-feira (11), logo após a condenação de Bolsonaro, o presidente Lula também tratou do tema. Em entrevista à Band, o petista respondeu às pressões externas e às possíveis medidas do governo norte-americano, liderado por Donald Trump, contra o Brasil.
“Não temo (novas sanções). As acusações contra o Brasil são todas falsas e o presidente Trump sabe disso. Não tem déficit comercial, é arrogância dele não querer que a Justiça brasileira julgue alguém que cometeu um crime. O presidente de um país não pode ficar interferindo nas decisões de outro país soberano. Se ele vai tomar outras atitudes, é um problema dele”, declarou.
Lula reforçou que, caso sejam anunciadas novas penalidades, o Brasil responderá “na medida” das decisões tomadas por Washington. O presidente ressaltou ainda que os Estados Unidos “precisam saber que não estão tratando com uma republiqueta de banana”.
Moody’s alerta para riscos de sanções
Apesar da posição firme do governo brasileiro, a agência de classificação de risco Moody’s alertou, neste sábado (13), que uma escalada de tensões entre Brasil e Estados Unidos pode gerar consequências econômicas. Segundo Adrian Garza, vice-presidente e diretor de crédito sênior da Moody’s para América Latina, eventuais sanções norte-americanas poderiam ocorrer na forma de reversão das isenções tarifárias concedidas a determinados produtos brasileiros, como aeronaves, petróleo e suco de frutas.
“Esses acordos podem ser revertidos se as tensões aumentarem”, afirmou em comentário ao Estadão/Broadcast. Garza ressaltou que o setor financeiro, responsável por 22% do investimento estrangeiro direto dos EUA no Brasil, também pode ser afetado. “Os bancos brasileiros até agora evitaram sanções, mas medidas podem interromper operações transfronteiriças e minar a confiança dos investidores”, alertou.
Apesar desses riscos setoriais, o executivo destacou que o perfil de crédito soberano do Brasil não está diretamente exposto a sanções ou medidas comerciais no curto prazo. “Assim não vemos um aumento imediato na vulnerabilidade externa do Brasil”, completou.
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