Como um clube de leitura mudou vidas em Pojuca (e lotou a biblioteca da cidade aos sábados)
Iniciativa une literatura e vivência em clube que impacta a comunidade e fortalece a cultura local
Divulgação
No município de Pojuca, no interior da Bahia, a paixão pelos livros de uma fisioterapeuta e instrutora de yoga virou motor de um projeto cultural transformador. Em agosto de 2022, Ana Flávia, 30 anos, criou o Clube de Leitura de Pojuca, iniciativa que une literatura, convivência e ambientações temáticas para proporcionar experiências imersivas. O grupo, que começou com uma roda de conversa na varanda de sua casa, hoje ocupa a Biblioteca Municipal com encontros mensais que movimentam o cenário cultural da cidade.
A ideia surgiu de forma espontânea, durante uma aula de yoga. “Em uma dessas aulas só tinham duas alunas. Elas já eram leitoras e no final, conversando sobre livros, uma delas falou sobre Tudo é Rio, da Carla Madeira, e no dia seguinte trouxe o livro pra mim. Quando eu li, fui muito impactada. Mas o mais interessante foi que, mesmo amando o livro, cada uma tinha uma visão diferente do final. Foi aí que percebi como a troca enriquece a leitura”, contou Ana.
Com isso, decidiu convidar outras pessoas para lerem um livro em comum. O título escolhido foi É Assim Que Acaba, da autora best-seller Colleen Hoover. A leitura acessível e os temas potentes despertaram o interesse de leitoras experientes e iniciantes. “Muitas afirmavam que achavam que não gostavam de ler, mas saíram apaixonadas”, lembrou.
Clube fortalece vínculos e amplia acesso à literatura em Pojuca
O primeiro encontro reuniu 15 mulheres, a maioria alunas da própria Ana ou amigas próximas. Mesmo sendo um grupo pequeno, a diversidade de experiências foi marcante. “Tinham mulheres que não liam desde a faculdade, outras que nunca tinham lido um livro inteiro. E todas saíram tocadas de alguma forma”, afirmou.
O sucesso foi tanto que, nas semanas seguintes, mais pessoas começaram a procurar o clube. O espaço da casa ficou pequeno. Foi aí que Ana pensou na Biblioteca Municipal de Pojuca, um equipamento recém-reformado, mas ainda pouco frequentado. A equipe aceitou prontamente a proposta.
“O espaço é amplo, confortável e climatizado. E mesmo sem abrir aos sábados, a biblioteca passou a fazer essa exceção para a gente. Desde então, os encontros acontecem lá e a gente doa o livro do mês para o acervo, para que mais pessoas tenham acesso gratuito à leitura”, explicou.
A presença do clube deu nova vida ao espaço, ampliando a circulação de pessoas e o uso da biblioteca como equipamento cultural da cidade.
Ambientações temáticas geram conexão emocional com as histórias
Um dos maiores diferenciais do clube é o cuidado com os cenários e ambientações dos encontros. A ideia, que começou de forma simples, com referências discretas ao universo dos livros, hoje se tornou uma verdadeira marca registrada do grupo. “No primeiro encontro, coloquei flores, cookies, estetoscópio… eram detalhes pequenos, mas que faziam quem leu lembrar de uma cena. Hoje a gente monta cenários completos”, disse.

Crédito: Acervo pessoal
Com o apoio de quatro amigas que formam a comissão organizadora, o grupo já criou acampamentos, fazendas e até um rio cenográfico dentro da biblioteca. “Não é só para tirar fotos. Criamos dinâmicas para que os participantes vivenciem o livro. É uma experiência de verdade”, reforçou Ana.
Participação é aberta e contribuições mantêm a estrutura
O Clube de Leitura de Pojuca é aberto para pessoas da cidade e região, como Catu, Alagoinhas e Salvador. A idade mínima para participar é 17 anos, e não há mensalidade obrigatória. “A pessoa só paga se for participar do encontro do mês. O valor é R$ 30 e com isso bancamos a ambientação, dinâmicas, lanches e lembranças. Tudo é pensado dentro desse orçamento”, explicou Ana.
O grupo já recebeu apoio da Prefeitura de Pojuca, principalmente em ações específicas como a viagem para a Bienal do Livro de Salvador. A Secretaria de Cultura e Educação também colabora, doando materiais de papelaria. No entanto, o clube se mantém principalmente com a contribuição dos próprios membros.
Curadoria dos livros combina participação e diversidade
Ao longo de quase três anos, o clube já leu 32 livros, sempre de ficção. Os gêneros mais recorrentes são romance e suspense, mas o grupo também já explorou fantasia, drama e distopia.
A escolha do livro do mês segue um processo coletivo. “A comissão escolhe um gênero e as pessoas sugerem títulos no Instagram. Selecionamos três e colocamos em votação no grupo de WhatsApp”, explicou Ana. Um dos marcos foi a leitura de A Paciente Silenciosa, que surpreendeu mesmo quem dizia não gostar de suspense. “Muitos disseram que tinham medo ou nunca tinham lido o gênero, mas amaram. Hoje já é zona de conforto do clube”, contou.
Projeto forma leitores e impacta vidas na cidade
Mais do que promover leitura, o clube tem promovido transformações pessoais. Um dos relatos mais marcantes é o de uma leitora que não saía de casa há dois anos, com vergonha de usar muletas. “Ela foi incentivada por uma amiga e quando chegou viu que ninguém julgava, que só se interessavam pela versão leitora dela. Foi muito emocionante”, relatou Ana.
Outro caso foi o de uma adolescente que ficava tão empolgada após os encontros que os pais desconfiavam que ela estivesse mesmo na biblioteca. “Essas histórias mostram que o clube é mais do que leitura. É acolhimento, escuta e conexão”, disse.
Com um cronograma leve, cerca de 15 páginas por dia, o clube tem conseguido inserir a leitura na rotina até de quem acredita não ter tempo. “A gente não escolhe livros longos ou complexos, justamente para garantir que todos consigam concluir”, explicou.
Bienal do Livro do Rio confirma importância do clube

Crédito: Acervo pessoal
Em 2025, Ana Flávia e as coordenadoras participaram da Bienal do Livro do Rio, um dos maiores eventos literários do país. A experiência foi curta, mas marcante. “Fomos apenas por um dia, mas vivemos muita coisa. A Bienal trouxe o conceito de Book Park, com experiências interativas com livros, como o Escape Room. E aí caiu a ficha: a gente já faz isso há três anos no clube”, contou.
Para Ana, tanto a Bienal quanto o clube compartilham o mesmo princípio. “Não é só sobre livros, é sobre pessoas. É sobre encontros, trocas, experiências. O livro é só o meio. O protagonista é o leitor”, concluiu.
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