Morre aos 82 anos J. R. Guzzo, jornalista que desafiou governos até o último dia
Colunista do Estadão e fundador da revista Oeste, ele faleceu após infarto e publicou sua última coluna na manhã do sábado
Reprodução/Youtube @JornalismoTVCultura
O jornalista e colunista José Roberto Guzzo, conhecido por sua trajetória influente na imprensa brasileira, morreu, na manhã deste sábado (2), aos 82 anos, em São Paulo, devido a um infarto. De acordo com a família, ele já enfrentava problemas crônicos cardíacos, pulmonares e renais.
Figura respeitada por seu estilo direto e por sua independência intelectual, Guzzo era colunista do jornal O Estado de S.Paulo (Estadão) desde 2019 e mantinha, até os últimos dias de vida, produção ativa de textos semanais para a publicação. Sua última coluna foi enviada na sexta-feira (1º), como era de costume, e publicada neste sábado. No texto, criticava o governo federal e a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), temas que pautaram boa parte de sua produção recente.
Velório e despedida
O velório de José Roberto Guzzo foi realizado, na tarde deste sábado, no Cemitério de Congonhas, na capital paulista. Entretanto, o sepultamento está marcado para domingo (3), às 10h30. A notícia de sua morte causou comoção entre familiares, amigos e profissionais da imprensa.
“Estou muito triste porque hoje morreu senão o maior e melhor jornalista de todos os tempos, um dos maiores e melhores jornalistas que o Brasil já teve”, declarou Roberto Guzzo, filho do jornalista.
Quem também se despediu do jornalista, foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). “Recebo com tristeza a notícia da morte de J. R. Guzzo, um dos fundadores da Revista Oeste e um jornalista que marcou época por sua coragem, lucidez e compromisso inegociável com a liberdade de expressão”.
“O país perde um referência intelectual que nunca se calou diante do poder. Que Deus conforte seus familiares e amigos neste triste momento”, completou o governador de São Paulo.
Recebo com tristeza a notícia da morte de J. R. Guzzo, um dos fundadores da Revista Oeste e um jornalista que marcou época por sua coragem, lucidez e compromisso inegociável com a liberdade de expressão. O país perde um referência intelectual que nunca se calou diante do poder.… pic.twitter.com/IKjnW8cOxG
— Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf) August 2, 2025
Um mestre da imprensa nacional
José Roberto Guzzo iniciou sua carreira jornalística em 1961, como repórter do jornal Última Hora, em São Paulo. Em 1966, passou a integrar o Jornal da Tarde, do Grupo Estado, chegando a atuar como correspondente em Paris. No entanto, foi na Editora Abril que consolidou sua reputação como um dos principais nomes da imprensa brasileira.
Em 1968, foi um dos fundadores da revista Veja, onde atuou como editor de Internacional e correspondente em Nova York. Cobriu eventos históricos como a Guerra do Vietnã e a visita do então presidente norte-americano Richard Nixon à China, em 1972. Foi o único jornalista brasileiro presente no encontro entre Nixon e o líder chinês Mao Tsé-tung.
Aos 32 anos, assumiu a direção de Veja, cargo que ocupou entre 1976 e 1991. Durante esse período, a revista multiplicou sua circulação, passando de 175 mil exemplares para quase 1 milhão, tornando-se uma das quatro maiores revistas semanais de informação do mundo. Sua habilidade para editar textos e tornar conteúdos técnicos mais acessíveis lhe rendeu o apelido de “mão peluda” entre colegas da redação.
Passagem pela Exame e criação da revista Oeste
Em 1988, acumulou a direção da Veja com o cargo de diretor-geral da revista Exame, que também reformulou com sucesso. Após deixar Veja em 1991, dedicou-se exclusivamente à Exame, atuando como diretor editorial e depois como publisher. Em 11 anos, transformou a publicação na revista mais rentável da Editora Abril, em termos relativos.
Após sair da Abril, Guzzo fundou a revista Oeste, lançada em março de 2020. Definida como uma revista de viés conservador, a publicação foi pensada para “conservar o que é bom”, conforme escreveu o próprio Guzzo em sua apresentação editorial. Na Oeste, ele mantinha colunas opinativas que ecoavam seus posicionamentos políticos e filosóficos.
Colunista crítico e voz respeitada
No Estadão, Guzzo ficou conhecido pelo tom crítico ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por suas análises contundentes sobre o Judiciário, especialmente em relação ao STF. Escrevia com regularidade às quartas e aos sábados, sempre mantendo um estilo direto, provocativo e sem rodeios.
Sua última coluna, publicada no dia de sua morte, refletia esse estilo característico. “O governo brasileiro decidiu que [o ministro Alexandre de] Moraes, cujas decisões e conduta são o verdadeiro motivo pelo qual os americanos adotaram as sanções, está acima das obrigações humanas, como os arcanjos e os profetas. O Brasil é o ministro. O ministro é o Brasil”, escreveu Guzzo em seu último texto.
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