Salvador inaugura primeira efígie dedicada a uma baiana de acarajé em homenagem a Cira
Monumento instalado na praça Oxum Baeté celebra legado cultural e gastronômico da criadora de um dos tabuleiros mais tradicionais de Itapuã
Carla Lucena/FGM
A cidade de Salvador inaugurou, nesta última quinta-feira (4), a primeira efígie dedicada a uma baiana de acarajé, em tributo a Jaciara de Jesus, conhecida nacionalmente como Cira do Acarajé. A obra está instalada na praça Oxum Baeté, no bairro de Itapuã, espaço onde funciona uma das barracas que levam seu nome e que se consolidou como um dos tabuleiros mais tradicionais da capital baiana. O evento celebrou o legado da baiana no mesmo dia em que se completam 5 anos de sua morte, ocorrida em 4 de dezembro de 2020, quando tinha 69 anos e enfrentava problemas renais.
Importância do monumento para memória cultural
A cerimônia contou com a presença de representantes da Fundação Gregório de Mattos (FGM), entre eles o presidente Fernando Guerreiro e o diretor de Patrimônio e Equipamentos Culturais, Vagner Rocha, além de familiares, amigos e membros da comunidade de Itapuã. Para a FGM, a inauguração do monumento reforça a relevância socioespacial das baianas de acarajé e sua interação histórica com os territórios onde atuam.
A efígie, posicionada ao lado do ponto comercial criado por Cira, busca preservar a memória de sua contribuição para a cultura baiana e incentivar que moradores e visitantes conheçam sua trajetória.
“A baiana de acarajé é um patrimônio, e as relações geográficas que todas elas têm com os espaços são muito importantes. É uma oportunidade de homenagear e também de criar essa relação com a memória. Esta é a primeira efígie de uma baiana de acarajé em Salvador. Então, as pessoas vão ver a efígie de Cira e procurar saber mais sobre ela. É um reconhecimento da sua trajetória e importância”, defendeu Fernando Guerreiro.
O evento também contou com apresentações culturais do grupo musical Ganhadeiras de Itapuã e do Malezinho, projeto infantojuvenil do bloco afro Malê Debalê, reforçando o vínculo entre a homenagem e as expressões artísticas do bairro. A participação das duas iniciativas representou a continuidade da tradição afro-baiana que moldou o trabalho das baianas de acarajé, destacando valores como ancestralidade, identidade e resistência.
História e legado de Cira do Acarajé
Nascida em Salvador, Jaciara de Jesus iniciou sua trajetória no tabuleiro aos 12 anos. Aos 17, assumiu a responsabilidade de sustentar os irmãos após a morte da mãe, consolidando-se como uma figura de grande força e determinação. A partir desse esforço, construiu um dos nomes mais emblemáticos da gastronomia afro-brasileira.
Sua barraca, popularmente conhecida como Acarajé da Cira, conquistou destaque entre baianos e turistas, tornando-se destino tradicional em Itapuã e no Rio Vermelho. Cira também se destacou pelo espírito empreendedor, chegando a gerar cerca de 35 empregos diretos em diferentes unidades de atendimento, consolidando uma cadeia produtiva ligada à culinária tradicional baiana.
Após sua morte, sua filha Juçara Santos e a ex-nora Ana Paula Cruz assumiram a gestão dos quiosques, preservando o estilo e o padrão de atendimento que caracterizaram a trajetória da fundadora. Para a família, a inauguração da efígie representa uma forma de eternizar o reconhecimento público da baiana, cuja figura se consolidou como símbolo de acolhimento, sabor e tradição no bairro de Itapuã.
Obra e seu significado para cidade
A efígie inaugurada foi produzida pela artista Conceição Dias, que buscou traduzir a força simbólica da baiana de acarajé como figura central da cultura gastronômica e religiosa da Bahia. A obra se destaca por sua localização estratégica, instalada ao lado do tabuleiro criado por Cira, criando uma conexão direta entre memória, território e identidade.
Com a inauguração, Salvador passa a contar com uma representação permanente que celebra não apenas a trajetória individual de Cira, mas também o conjunto das baianas de acarajé, reconhecidas como patrimônio cultural e símbolo da culinária afro-brasileira.
“A baiana de acarajé é um patrimônio, e as relações geográficas que todas elas têm com os espaços são muito importantes. É uma oportunidade de homenagear e também de criar essa relação com a memória. Esta é a primeira efígie de uma baiana de acarajé em Salvador”, comemorou Fernando Guerreiro.
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