Operação Freedom prende 37 suspeitos ligados ao Comando Vermelho na Bahia e no Ceará
Ação coordenada pela Polícia Civil mira núcleos armado e financeiro da facção carioca
Filipe Conceição/PC-BA
Mais de 30 pessoas foram presas na manhã desta terça-feira (4) durante a Operação Freedom, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia com o objetivo de desarticular o núcleo armado e financeiro do Comando Vermelho (CV) no estado. A ofensiva foi realizada de forma simultânea na Bahia e no Ceará, resultando em 37 prisões, além da morte de um suspeito que reagiu à abordagem policial em Salvador.
A deflagração da operação coincide com o anúncio de um conjunto de novos investimentos em segurança pública feito pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) nesta terça-feira. Além disso, acontece uma semana depois da megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em 121 mortes — entre eles, 12 baianos ligados ao CV.
Prisões, morte e apreensões durante a operação
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), 36 pessoas foram presas inicialmente 33 em Salvador, uma em Aratuípe, no Recôncavo, e duas em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. Posteriormente, mais um mandado de prisão foi cumprido na capital baiana, elevando o total para 37 detidos.
Durante as ações, um suspeito que ainda não havia sido formalmente identificado reagiu à abordagem policial no bairro do Uruguai, em Salvador. Ele foi baleado, socorrido e encaminhado ao Hospital Geral Ernesto Simões Filho, mas não resistiu aos ferimentos.
As forças de segurança também cumpriram 46 mandados de busca e apreensão e bloquearam 51 contas bancárias ligadas à facção. Foram apreendidas armas de fogo, drogas (maconha, crack e cocaína) e materiais usados para o tráfico.
Alvos e lideranças identificadas
Entre os presos estão Luís Lázaro Santana Alves, apontado como líder da facção no bairro da Liberdade, e Marielle Silva Santos, companheira dele, suspeita de lavar o dinheiro do grupo criminoso. O casal foi localizado e preso na cidade de Eusébio, no Ceará.
Os demais alvos atuavam em bairros de Salvador como Liberdade, Uruguai, Pernambués, Narandiba e Areia Branca, considerados pontos estratégicos para o tráfico. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) estima que os resultados da operação devam contribuir para elucidar cerca de 30 homicídios ocorridos na capital e na região metropolitana.
Operação Freedom mira núcleo armado e financeiro da facção na Bahia
A operação ocorre uma semana após a megaoperação policial no Rio de Janeiro, nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 121 mortos entre eles, 12 baianos identificados pela Polícia Civil fluminense. De acordo com as autoridades do Rio, 95% dos mortos tinham ligação direta com o Comando Vermelho, que mantém ramificações em 11 estados brasileiros e estrutura de comando interestadual.
Após os confrontos no Rio, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), desembarcou na capital fluminense para acompanhar as investigações e determinou a preservação de todos os elementos materiais relacionados à operação, cobrando transparência e responsabilidade institucional das forças de segurança.
Estrutura e participação das forças policiais
A Operação Freedom foi coordenada pelo DHPP e contou com apoio de diversos órgãos e departamentos da Polícia Civil e Militar, totalizando mais de 400 agentes. Participaram as equipes dos departamentos Draco, Denarc, Deic, Depom, Depin, DPMCV, DIP, DPT, além da Core e da Polinter.
A Polícia Militar da Bahia atuou com efetivos do Bope, BPatamo, BPChoque, Batalhão Gêmeos, Apolo, TOR, Esquadrão Águia, Cipe/Polo e das Rondesp Central, Atlântico e BTS. Também colaboraram a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-BA) e o Denarc do Ceará.
Segundo o delegado-geral André Viana, a ação demonstra “a eficiência da investigação integrada, com base em inteligência policial e planejamento estratégico”. O objetivo, de acordo com ele, é enfraquecer a estrutura criminosa, apreender armas e bens, prender lideranças e interromper o fluxo de recursos ilícitos usados para sustentar o tráfico e os homicídios.
Expansão do Comando Vermelho e contexto nacional
As investigações apontam que o Comando Vermelho, fundado no Rio de Janeiro, atua em pelo menos 22 estados brasileiros, conforme o Mapa das Organizações Criminosas 2024, do Ministério da Justiça. Na Bahia, a facção se estabeleceu em 2020, após absorver o Comando da Paz, grupo local. Essa aliança ampliou as rotas de drogas e armas e acirrou a disputa territorial, sobretudo contra o Bonde do Maluco (BDM), aliado do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A ofensiva desta terça-feira integra um esforço nacional para conter o avanço interestadual do CV e reduzir sua influência sobre facções locais. Com a Freedom, as autoridades buscam atingir as lideranças regionais, interromper a movimentação financeira do grupo e restaurar a segurança em áreas dominadas pela criminalidade.
Governo da Bahia reforça ações de segurança
A deflagração da Operação Freedom coincidiu com o anúncio de novos investimentos em segurança pública pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), durante cerimônia no Centro de Operações e Inteligência (COI), em Salvador. O pacote inclui concursos públicos, entrega de drones, viaturas, notebooks e materiais de salvamento, beneficiando as polícias Civil, Militar e Técnica, além do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia.
As medidas integram a meta do governo de reduzir em 10% por semestre as mortes decorrentes de ações policiais, após o estado registrar 1.252 casos entre janeiro e setembro, o maior número absoluto do país, segundo o Ministério da Justiça.
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