Megaoperação mira PCC em esquema bilionário no setor de combustíveis e fraude de R$ 7,6 bi
Ação conjunta aponta lavagem de dinheiro e aquisição de postos, usinas e imóveis; operações paralelas Quasar e Tank também atingem BA, SP, RJ e PR
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Uma megaoperação deflagrada, na manhã desta quinta-feira (28), mobilizou cerca de 1.400 agentes em oito estados para desmontar um dos maiores esquemas criminosos já identificados no setor de combustíveis no Brasil. De acordo com a Polícia Federal, a megaoperação Carbono Oculto e resultado da união de três investigações e está sendo realizada nos seguintes estados: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. As outras duas operações deflagradas em paralelo também envolvem a Bahia.
Segundo a PF, a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) liderava o esquema em toda a cadeia de produção, distribuição e venda de combustíveis no Brasil, responsável por sonegar mais de R$ 7,6 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais, com . O PCC adquiriu usinas, insumos químicos usados para adulterar álcool e gasolina, e ainda mantinha uma rede de distribuição para abastecer mais de 300 postos de bandeira branca em todo o país.
Ao todo, são mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, suspeitos de fraudes fiscais, crimes ambientais, adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e estelionato. A ação, batizada de Carbono Oculto, é coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e conta com apoio do Ministério Público Federal (MPF), das polícias Federal, Civil e Militar, além da Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Procuradoria-Geral do Estado e PF.
Como funcionava rede criminosa
As investigações apontam que o metanol, importado de forma irregular pelo Porto de Paranaguá (PR), era peça-chave da fraude. Em vez de seguir para os destinatários corretos, o produto era desviado e transportado clandestinamente, com documentação falsificada e sem as mínimas condições de segurança.
Altamente inflamável e tóxico, o metanol era utilizado na adulteração de combustíveis distribuídos em mais de 300 postos de gasolina em diferentes estados. Consumidores eram lesados tanto na fraude quantitativa — recebendo volumes menores do que o registrado na bomba — quanto na fraude qualitativa, com combustíveis fora das especificações da ANP.
O esquema também envolvia a aquisição irregular de postos de combustíveis. Proprietários que venderam seus negócios ao grupo não receberam os valores negociados e, em alguns casos, foram ameaçados de morte caso cobrassem os pagamentos.
Ocultação de patrimônio e uso de fintechs
De acordo com o MP-SP, os lucros ilícitos foram canalizados para uma complexa rede de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs controladas pelo PCC, que funcionavam como “bancos paralelos”, com contabilidade clandestina e operações financeiras que dificultavam o rastreamento de recursos. A Receita Federal identificou pelo menos 40 empresas financeiras envolvidas, responsáveis por movimentar aproximadamente R$ 30 bilhões.
Essas companhias financiaram a compra de postos de combustíveis, caminhões, usinas de álcool, fazendas e imóveis de luxo. Um relatório oficial aponta que apenas uma das fintechs investigadas movimentou R$ 46 bilhões em operações não rastreáveis, servindo como base financeira do grupo criminoso.
Fundos de investimento na mira da investigação
A investigação revelou ainda que o PCC controlava ao menos 40 fundos de investimentos multimercado e imobiliários, muitos deles com sede em São Paulo e ligados ao mercado financeiro da Faria Lima. Todos eram fundos fechados, geralmente com um único cotista, usado como fachada para ocultar a verdadeira origem dos recursos.
Com esse modelo, a facção conseguiu investir em diversos setores estratégicos. Foram adquiridas quatro usinas sucroalcooleiras, além de outras duas em processo de negociação, 1.600 caminhões para transporte de combustíveis, um terminal portuário e mais de 100 imóveis em diferentes estados.
Entre os bens identificados pelas autoridades estão ainda seis fazendas no interior paulista, avaliadas em R$ 31 milhões, e uma mansão em Trancoso, na Bahia, adquirida por R$ 13 milhões.
Medidas para recuperação de valores
Além das prisões e apreensões, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (CIRA/SP) anunciou ações judiciais para o bloqueio de bens e empresas. O objetivo é garantir a recuperação dos R$ 7,6 bilhões em tributos sonegados pelo esquema.
A operação desta quinta-feira marca uma das maiores ações já realizadas contra o crime organizado financeiro no Brasil, revelando a sofisticação do PCC ao infiltrar-se em setores regulados e no mercado financeiro.
Operações em paralelo também no combate ao crime organizado na cadeia de combustíveis
Em paralelo, a Polícia Federal, com apoio da Receita Federal, deflagrou, também nesta quinta-feira, outras duas operações simultâneas para combater a atuação do crime organizado na cadeia produtiva de combustíveis na Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Embora independentes, ambas têm o mesmo objetivo: desarticular esquemas de lavagem de dinheiro com grande impacto financeiro e participação de organizações criminosas.
Operação Quasar
A Operação Quasar mira uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.
A investigação revelou um esquema sofisticado que usava fundos de investimento para ocultar patrimônio ilícito, com indícios de ligação a facções criminosas.
A estrutura operava por meio de múltiplas camadas societárias e financeiras, nas quais fundos controlavam outros fundos ou empresas. Essa rede complexa ocultava os verdadeiros beneficiários e tinha como meta blindar o patrimônio e disfarçar a origem dos recursos.
Entre as táticas usadas estavam transações simuladas de compra e venda de imóveis e títulos entre empresas do mesmo grupo, sem finalidade econômica real.
Nesta fase, estão sendo cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e cidades da Bahia.
A Justiça Federal determinou:
- sequestro integral dos fundos de investimento usados no esquema;
- bloqueio de bens e valores até R$ 1,2 bilhão (valor das autuações fiscais já feitas);
- quebra dos sigilos bancário e fiscal de pessoas e empresas envolvidas.
Operação Tank
Também deflagrada nesta quinta-feira, a Operação Tank busca desmontar uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no Paraná. O grupo, ativo desde 2019, teria lavado pelo menos R$ 600 milhões e movimentado mais de R$ 23 bilhões por meio de centenas de empresas — incluindo postos, distribuidoras, holdings, firmas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.
A estrutura criminosa recorria a diversas práticas ilegais:
- depósitos fracionados em espécie (acima de R$ 594 milhões);
- uso de laranjas e transações cruzadas;
- repasses sem lastro fiscal e fraudes contábeis;
- simulação de compras e serviços;
- exploração de brechas no Sistema Financeiro Nacional para transações anônimas via instituições de pagamento.
Além disso, foram detectadas fraudes no comércio de combustíveis, como adulteração de gasolina e a prática da “bomba baixa” — quando o volume abastecido é menor que o indicado na bomba. Pelo menos 46 postos em Curitiba/PR estavam envolvidos.
Nesta etapa, estão sendo cumpridos 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão nos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Foram bloqueados bens e valores de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, com uma constrição patrimonial superior a R$ 1 bilhão.
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