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Congelamento de óvulos: por que a maternidade tardia é uma escolha crescente?

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Neste Dia das Mães, o Portal M! contra a história da enfermeira Carla Oliveira, de 35 anos, que escolheu postergar o sonho

O Dia das Mães, quando celebramos o amor e a dedicação maternos em suas formas mais tradicionais, também é o momento de reconhecer o direito das mulheres de tomar decisões corajosas como optar por congelar óvulos, adiando conscientemente a hora de se tornarem mães. Essa escolha, muitas vezes motivada por diferentes circunstâncias pessoais e profissionais, desafia as expectativas sociais, mostrando a complexidade e a diversidade dos caminhos que levam à criação de uma família.

Entre as pessoas que optaram pelo método está a enfermeira Carla Oliveira, de 35 anos. Ao Portal M!, ela contou que aderiu ao congelamento após realizar algumas pesquisas sobre o assunto e buscar uma clínica especializada em reprodução humana. “Este ano, iniciei minha estimulação ovariana, visto que não tenho pretensão de gestação no momento e levando em consideração o meu fator idade. Vi como uma possibilidade de ficar mais tranquila na decisão e na escolha de um melhor momento”, explicou.

A opção pelo procedimento, em muitos casos, ocorre em função do desejo ou necessidade de se dedicar à carreira profissional. No entanto, a enfermeira optou pelo congelamento por conta do fator idade, decidindo realizar o método enquanto ainda é jovem.

“Como ainda não sou casada, optei por adiantar o congelamento enquanto ainda sou jovem. Tenho 35 anos e um histórico de câncer de pele. Esperar mais tempo estava me deixando ansiosa e com medo do futuro”, descreveu.

Perguntada se já tem planos para realizar o procedimento e engravidar, Carla afirmou ainda não ter certeza, mas adiantou que o sonho de se tornar mãe está mais próximo do que nunca. “Ainda não sei quando irei realizar o descongelamento dos óvulos, mas penso em uns dois anos, quem sabe?”, disse.

Carla também descreveu o sonho como uma necessidade “fisiológica” e uma necessidade “humana básica”. “Em um certo momento, você sentirá falta, mesmo que ainda não saiba. Ter a possibilidade de recorrer a esta opção, realmente é uma grande evolução para nós mulheres. É libertador”, enfatizou.

Para quem o congelamento de óvulos é indicado?

De acordo com a especialista em reprodução assistida Graziele Reis, que atua na Clínica IVI, o congelamento de óvulos é a principal forma de preservação da fertilidade feminina. O procedimento é indicado para casos de pacientes que vão ser submetidos a algum tratamento médico que possa diminuir a quantidade de óvulos existentes no ovário, assim como para as  mulheres que desejam postegar a maternidade.

“Por exemplo, pacientes oncológicas que vão fazer quimioterapia, pacientes que vão ser submetidos a cirurgias no ovário, pacientes que têm endometriose. E também, hoje, é um procedimento muito indicado para as mulheres que desejam adiar a maternidade por algum tempo ou por uma questão social, que ainda desejam realizar a sua graduação, pós-graduação. Enfim, conquistas sociais. E até aquelas também que não têm, não encontraram ainda o parceiro ideal. Então, nesses casos, a gente também tem feito muito esse tratamento”, observou.

Perguntada se existe a hora certa para realizar o procedimento, a especialista ressaltou que não há uma idade ideal, mas ponderou que, com o passar dos anos, as mulheres vão perdendo os óvulos,  “em quantidade e qualidade”.

“Até os 35 [anos], é quando a gente tem a maior qualidade desses óvulos. Então, se ela faz o congelamento nessas idades mais precoces, vai ter o melhor sucesso do tratamento quando ela for fazer a fertilização in vitro, mesmo que ela faça em idades mais avançadas, inclusive com mais de 40 anos. Por isso que é tão importante esse congelamento o mais precoce possível”.

Graziele Reis é especialista em reprodução assistida | Foto: Divulgação

Após a realização do método, a médica também ressaltou não existir um limite de tempo. Como exemplo, ela citou casos de pacientes atendidas no IVI que engravidaram com óvulos que estavam  congelados há dez anos.

“E, graças a Deus, crianças saudáveis. Então, o que o Conselho Federal de Medicina preconiza é que a gente faça a fertilização in vitro, e essas mulheres engravidem com menos de 50 anos. Aquelas que já têm mais de 50 anos, a gente precisa pedir uma autorização ao CFM para fazer a fertilização. Então, não existe essa idade limite, mas o ideal é fazer esse tratamento, essa transferência dos embriões na mulher com menos de 50 anos”, pontuou Graziele.

O aumento do número de mulheres que têm buscado o congelamento de óvulos foi justificado pela especialista como um reflexo do crescimento na circulação de informações. “Hoje, com as redes sociais, a gente vê que algumas famosas acabam falando que fizeram esse congelamento para adiar a maternidade. Isso é uma coisa que tem trazido os pacientes, eles têm ficado mais curiosos”, disse.

O procedimento também tem sido mais indicado pelos ginecologistas, segundo Graziele. “Os  ginecologistas que acompanha essas mulheres no consultório também estão mais atentos a isso, a fazer a avaliação da sua reserva ovariana, a orientar essas pacientes que estão chegando aí nos 30, que não desejam engravidar nesse momento, que procurem os especialistas em reprodução assistida para fazer o congelamento e também com relação às pacientes oncológicas. Os próprios oncologistas acabam também encaminhando, antes que elas sejam submetidas ao tratamento oncológico, para que também possam fazer essa preservação da fertilidade”.

Por fim, Carla também celebrou o fato de o congelamento estar cada vez mais acessível às mulheres. “Hoje os preços já estão um pouco mais acessíveis, mas é necessário pesquisar e se programar. A clínica onde realizei o procedimento tem valores acessíveis e formas de pagamento que nos ajudam. É um tratamento caro ainda, mas nos beneficia de muitas formas, inclusive nos dando mais uma chance, coisa que muitas antes de nós não tinham”, ressalta.

Perguntada se sofreu com questionamentos por optar pelo procedimento e adiar a maternidade, a enfermeira contou que ouviu da família que não havia necessidade de realizar o congelamento.

“Diziam ‘espera mais, menina, uma hora você encontra um marido’. Minhas amigas e colegas de trabalho me apoiaram muito nesta decisão, mas não consegui fugir dos comentários de muitas pessoas como: ‘se não quer ter filhos, para que você vai congelar óvulos?’, entre outros. Por isso, não canso de relembrar que além de um poder de escolha, o congelamento de óvulos é libertador para nós, mulheres”, completou.

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