Brasil tem 2,4 milhões de pessoas com autismo, revela IBGE; prevalência é maior entre crianças

Levantamento aponta que diagnóstico é mais frequente entre homens (1,5%) do que entre mulheres


Redação
Redação 23/05/2025 18:02 • Cidades
Brasil tem 2,4 milhões de pessoas com autismo, revela IBGE; prevalência é maior entre crianças - Roberto Dziura Jr/Agência Estadual de Notícias do Paraná
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O Brasil contabilizou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que representa 1,2% da população do país, segundo dados preliminares do Censo Demográfico 2022, divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maior concentração está entre crianças de 5 a 9 anos, com prevalência de 2,6%.

O levantamento aponta que o diagnóstico é mais frequente entre homens (1,5%) do que entre mulheres (0,9%). No total, são 1,4 milhão de homens e 1 milhão de mulheres com autismo no Brasil. Os dados constam da publicação “Censo Demográfico 2022: Pessoas com Deficiência e Pessoas Diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista – Resultados preliminares da amostra”, apresentada durante evento na sede da OAB-RN, em Natal.

Sudeste concentra maioria dos casos registrados

De acordo com o IBGE, a distribuição do diagnóstico não varia muito entre as regiões, embora o Centro-Oeste apresente o menor índice (1,1%). As demais regiões têm percentual de 1,2%. Em números absolutos, o Sudeste lidera, com pouco mais de 1 milhão de pessoas diagnosticadas, seguido pelo Nordeste (633 mil), Sul (348,4 mil), Norte (202 mil) e Centro-Oeste (180 mil).

Não existe grande diferença entre as Grandes Regiões. O Centro-Oeste tem uma proporção um pouco menor, com 1,1%, enquanto as demais têm 1,2% da população com diagnóstico de TEA”, destacou Raphael Alves, técnico do IBGE. Segundo ele, os dados absolutos refletem o tamanho populacional das regiões.

As taxas de diagnóstico também indicam maior prevalência entre crianças e adolescentes. De 0 a 4 anos, o índice foi de 2,1%. Na faixa de 5 a 9 anos, atingiu 2,6%, e entre 10 e 14 anos, 1,9%. A partir dos 15 anos, os percentuais caem progressivamente.

Quando considerados o sexo e a idade, meninos de 5 a 9 anos têm a maior proporção de diagnóstico: 3,8% da população masculina nessa faixa etária, o equivalente a 264,6 mil pessoas. Entre as meninas, o percentual é de 1,3%, somando 86,3 mil. Na faixa de 0 a 4 anos, os meninos também têm prevalência maior: 2,9%, frente a 1,2% das meninas.

A tendência de prevalência maior entre homens se mantém até os 44 anos. A partir dos 50 anos, em alguns grupos, como de 50 a 54 e de 60 a 69 anos, as mulheres passam a apresentar índices ligeiramente superiores, com diferença de até 0,1 ponto percentual.

A análise por cor ou raça indica que pessoas brancas concentram a maior proporção de diagnósticos: 1,3%, ou 1,1 milhão de indivíduos. Já os indígenas têm a menor taxa, com 0,9% (11,4 mil pessoas). Entre pretos e pardos, o índice é de 1,1%, o que representa 221,7 mil e 1,1 milhão de pessoas, respectivamente.

Autistas têm maior taxa de escolarização em relação à população geral

A taxa de escolarização entre pessoas com TEA foi de 36,9%, superior à da população geral (24,3%). A diferença é mais acentuada entre homens: 44,2% dos homens autistas estavam estudando, ante 24,7% da média total. Entre as mulheres, as taxas foram de 26,9% (com TEA) e 24% (população geral).

Tal diferença se dá pela maior concentração da população com autismo nas idades mais jovens, principalmente entre as idades de 6 a 14 anos, que possuem altas taxas de escolarização”, explicou Raphael Alves.

No recorte etário, pessoas com TEA entre 18 e 24 anos (30,4%) e com 25 anos ou mais (8,3%) também apresentam taxas de escolarização maiores que a média nacional (27,7% e 6,1%, respectivamente), indicando permanência prolongada na educação formal.

Estudantes brancos e pardos lideram em número absoluto

Em termos absolutos, 347,8 mil estudantes brancos com diagnóstico de autismo foram contabilizados, seguidos por 344,4 mil pardos, 62,6 mil pretos, 3,5 mil indígenas e 2,4 mil amarelos. Em todos os grupos raciais, a taxa de escolarização dos autistas superou a da população geral.

A diferença mais significativa foi registrada entre brancos: 37,4% das pessoas com autismo estavam na escola, frente a 23,5% da população branca total. No grupo pardo, as taxas foram de 37,7% (com TEA) e 25,9% (total). Entre indígenas, a taxa foi de 36% para pessoas com autismo, contra 34,3% da média total.

No total, 760,8 mil estudantes com autismo com 6 anos ou mais foram registrados, o que representa 1,7% do total de estudantes dessa faixa etária. O percentual supera o da população geral, indicando uma concentração maior do diagnóstico entre estudantes.

Ensino fundamental concentra maioria dos estudantes com autismo

A maior parte dos estudantes com autismo estava matriculada no ensino fundamental regular, com 508 mil alunos — 66,8% do total. Já o ensino médio somou 93,6 mil estudantes com TEA, representando 12,3%. Isso indica uma maior concentração do diagnóstico nas etapas iniciais da educação básica.

Entre os cursos, a alfabetização de jovens e adultos registrou o maior percentual de estudantes com TEA: 4,7%. As maiores proporções por idade foram observadas nos grupos de 15 a 17 anos (9,1%) e de 18 a 24 anos (10,6%). Entre crianças em creches, 3,8% tinham diagnóstico de autismo.

O ensino superior apresentou a menor taxa de estudantes com autismo: 0,8%, sinalizando os desafios enfrentados por esse grupo para avançar no sistema educacional, diante de barreiras estruturais, pedagógicas e de apoio.

Entre os adultos com 25 anos ou mais diagnosticados com autismo, 46,1% não tinham instrução ou possuíam apenas o ensino fundamental incompleto. Na população geral, essa proporção era de 35,2%. Já nas faixas com ensino médio completo ou superior incompleto, o percentual entre autistas foi de 25,4%, contra 32,3% na média da população.

Para os demais níveis de instrução, as pessoas com TEA também apresentaram percentuais inferiores aos da população total, indicando dificuldades de permanência e conclusão da trajetória educacional.

Segundo o IBGE, a coleta de dados sobre autismo foi realizada, pela primeira vez, por meio de uma pergunta direta no questionário da amostra, respondida pelo informante do domicílio. O dado foi desagregado por sexo, cor ou raça, faixa etária e nível de escolaridade, com abrangência nacional, regional e municipal.

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