Carnaval sem riscos: especialistas alertam sobre doenças, lesões e cuidados essenciais
Portal M! ouviu especialistas em infectologia, dermatologia e ortopedia, que alertam sobre principais perigos e dão dicas valiosas para festa saudável
Alfredo Filho/PMS
O Carnaval é sinônimo de alegria, dança e celebração, mas também pode ser um período de riscos à saúde se não forem tomados os devidos cuidados. Para orientar os foliões, o Portal M! ouviu especialistas em infectologia, dermatologia e ortopedia, que alertam sobre os principais perigos e dão dicas valiosas para garantir uma festa segura e saudável.
Doenças infecciosas: um risco em meio à folia
O Carnaval, com suas aglomerações e compartilhamento de objetos, é um cenário propício para a transmissão de doenças, conforme alertou o infectologista Maurício de Souza Campos, coordenador do Serviço de Controle de Infecção do Hospital Dantas Bião e do Hospital Materno Infantil de Alagoinhas. De acordo com ele, os principais riscos estão relacionados a três tipos de infecções: respiratórias, sexualmente transmissíveis e gastrointestinais.
“O Carnaval é um terreno propício para infecções, sejam elas transmitidas pela via respiratória, e aí eu estou falando das viroses respiratórias, com destaque especial para o influenza que causa gripe, até porque por ser um vírus altamente mutante, a gente tem anualmente cepas diferentes circulando ao redor do mundo, e no Brasil costuma chegar exatamente nos meses de janeiro e fevereiro, quando a gente tem não só o verão, nessa exposição mais exacerbada da população, mas as festas de aglomeração”, alertou.
Um dos principais pontos de alerta, segundo o especialista, ocorre em função do compartilhamento de objetos como copos e latinhas de bebidas, que pode ser um vetor de transmissão. “Você não está só compartilhando sua bebida, naquele momento você tá compartilhando tudo que estava em você, e que entrou em contato com aquele objeto. Então existem os vírus cuja transmissão se dá muito por conta desse contato, a exemplo do herpes vírus, que causa lesão labial e de uma forma geral, na região da boca. Covid é uma possibilidade, porque o vírus da covid permanece viável em superfícies lisas”, pontuou.
Outro ponto crítico é o aumento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) após o Carnaval. “A gente sabe que hoje existe, por parte da população, um desleixo em relação ao uso do preservativo, e a gente vê sempre depois do Carnaval, um incremento dos casos”, disse o infectologista. Para o HIV, também existem estratégias como a PrEP (profilaxia pré-exposição), que reduz significativamente o risco de infecção, caso entre em contato com o vírus.
Já as doenças gastrointestinais, como as causadas por rotavírus e adenovírus, estão associadas ao consumo de alimentos e bebidas nas ruas, e que podem ocasionar a infecção. “Causando aqueles casos clássicos de diarreia, náusea, vômito, que aparentemente é uma infecção simples, mas ela pode se agravar muito e complicar a vida de pessoas, especialmente se tiver alguma doença prévia. Enfim, o Carnaval é um momento em que a gente tem que aumentar o alerta, e aumentar os cuidados para evitar principalmente essas três infecções, a de vias aéreas, infecções sexualmente transmissíveis e as chamadas enteroviroses”, enfatizou.
Quais são os sinais de alerta?
Com relação às doenças infecciosas, sobretudo as que são provocadas por vírus, o especialista enfatizou que os principais sintomas de alerta podem ser: fraqueza, febre, dor de cabeça e náusea. “Isso você pode encontrar em várias infecções e vários tipos de vírus, mas alguns sinais são importantes porque eles alertam para a possibilidade de agravamento do quadro, então por exemplo uma febre muito alta, acima de 39.5º, uma diarreia que não cede, vômito que você já tomou medicamento, mas não consegue manter sequer líquido no estômago. Essas situações merecem uma avaliação médica criteriosa, porque pode, facilmente, se transformar em algo mais grave e comprometer a vida do paciente”.
Proteção da pele: maquiagem, sol e suor exigem atenção
Já para os cuidados com a pele, a dermatologista Ana Carolina Mota Benevides, da Clínica Flore e do grupo Oncoclínicas, chamou a atenção para os riscos enfrentados durante o Carnaval.
“A exposição sem proteção pode levar a queimaduras solares e também a dermatites, fotoalergias e fototoxidade. Isso acontece porque algumas substâncias em contato com a pele só causam irritações e lesões quando expostas à radiação ultravioleta. Como no Carnaval é comum o uso de maquiagem, pinturas, glitter, adesivos, apliques, perfumes, cremes, é fundamental o uso de protetores solares para reduzir esses riscos”, disse a médica, que também é membro da Internacional Dermoscopy Society (IDS).
Para evitar problemas, a dermatologista recomenda o uso de protetores solares com base, que ajudam a controlar a oleosidade e servem como uma barreira para a pele antes da aplicação de maquiagens. “Outra dica também é optar por protetores que ajudam no controle da oleosidade, além de sempre retirar completamente a maquiagem ao final do dia, para reduzir o risco de desenvolver ou piorar a acne”, pontuou.
Outro problema comum, conforme a médica, são as brotoejas e assaduras, causadas pelo suor excessivo e pelo atrito em áreas de dobras. “As áreas de dobras são as mais suscetíveis a micoses, irritações e prurido, pois são regiões com mais calor e umidade. Então secar bem essas regiões após os banhos e o uso de roupas leves e de algodão ajudam a absorver o suor e reduzir a umidade sobre a pele”, alertou.
Em função do uso de maquiagens pesadas ou adereços, comuns durante o Carnaval, Ana Carolina Mota apontou que, para evitar dermatites ou outros problemas cutâneos, é necessário apostar no uso do protetor solar sob a maquiagem. “Não esquecer de removê-los completamente ao final do dia de folia, utilizando produtos adequados e suaves, sem fazer muita fricção na pele, além de usar hidratantes para pele sensível durante os momentos de descanso. Ao perceber qualquer irritação na pele ao aplicar esses produtos, retirá-los imediatamente e também hidratar a pele”.
Lesões ortopédicas na folia: cuidados para aproveitar sem dores
Durante a folia momesca, pular e dançar por horas pode ser divertido, mas também pode resultar em lesões. Diante deste quadro, o ortopedista Samuel Farias, docente do Idomed Alagoinhas, ressaltou que as lesões mais comuns durante o Carnaval são entorses de tornozelo e problemas no joelho, muitas vezes causados pelo uso de calçados inadequados.
“Uma das formas de prevenção é exatamente a utilização de calçados adequados e evitar salto alto. Algumas mulheres insistem ainda em ir para a avenida usando salto isso pode ser um perigo. Mas, claro que a gente também pode ter lesões na coluna e nos ombros, até o excesso de movimento ou pegar peso de forma inadequada. A posição de carregar algum peso maior, isso pode levar a lesões e a ideia é exatamente essa: diminuir as cargas e movimentos mais bruscos e sempre tá alongando. Antes de ir pra rua, o pessoal pode fazer um trabalho de alongamento, isso pode prevenir também as lesões”, disse.
Para quem já tem problemas ortopédicos pré-existentes, como hérnia de disco ou artrose, o cuidado deve ser redobrado. “Essa pessoa, se pensa em ir para a avenida, deveria estar se preparando bem antes. Se ela já sabe que tem uma lesão na coluna, como as hérnias de disco, por exemplo, ou lesões dos tendões, dos ombros, ou algum problema ligamentar no joelho, ela tem que já estar preparada para isso. Então, o cuidado tem que ser realmente redobrado e evitar grandes esforços, evitar longas caminhadas, evitar pegar peso, evitar danças com impacto maior, isso é importante para que ela consiga passar o Carnaval sem sentir dor, e que ela chegue no final da festa e não esteja sentindo dor, que podem até ficar por mais tempo, períodos prolongados depois desse período do festejo. Então, realmente cuidado redobrado para essas pessoas que já sabem que tem alguma lesão”.
Já o ortopedista Plínio Linhares dá dicas para quem passa horas pulando ou dançando. Segundo ele, uma iniciativa importante é apostar no alongamento e realizar pausas ao longo dos circuito.
“Para aqueles que passam longas horas pulando ou dançando. Evitar saltos excessivos ou movimentos repetitivos que forcem as articulações. Além de alongamento regular, fazer pausas para alongar os principais grupos musculares, como os das pernas e costas. Uso de suporte, como cotoveleiras ou faixas de compressão podem ajudar a estabilizar as articulações. Hidratação e nutrição, mantendo níveis adequados de eletrólitos e energia, consumindo bebidas esportivas ou pequenas refeições durante o dia”.
Sinais para lesões graves
Por fim, Linhares também alertou para o sinais que podem contribuir para a identificação de sinais de uma lesão mais grave, como torções ou fraturas. “Dor Intensa e persistente, que não alivia com descanso ou analgesia leve. Inchaço significativo, especialmente em torno de uma articulação, além de hematomas extensos, que se formam rapidamente após uma lesão, e a deformidade visível, em casos de fraturas ou luxações”.
Ele também pontuou que conduta ideal nesses casos envolve a imobilização, aplicação de gelo e elevar o membro. “A conduta ideal nesses casos é a imobilização, para manter o membro afetado imobilizado, a aplicação de gelo, para reduzir o inchaço nas primeiras 24-48 horas, além da elevação do Membro, para diminuir o edema, e a busca por atendimento médico, que deve ser imediata, especialmente se houver suspeita de fratura ou lesão ligamentar grave”.
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